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Um passo e “meias”

Pedro Beleza · 2 min

Um passo e “meias”

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Ontem, ao ver o Chelsea-PSG e o Borussia Dortmund-Real Madrid, apercebi-me da dimensão dos jogos europeus. São de outro nível, de outra categoria. A intensidade de ambos os jogos foi tal que os meus olhos eram obrigados a saltar de ecrã em ecrã a cada segundo, em busca da jogada mais perigosa.

É certo que o Benfica não joga, neste momento, entre a elite do futebol europeu. Mas, ainda assim, a Liga Europa é vista por milhares de pessoas e tem um grau de prestígio bastante elevado.

Como sabemos, na passada semana, na Holanda, o Benfica foi vencer ao terreno do AZ Alkmaar por 0-1, deixando assim uma enorme via aberta para seguir em frente na competição. E quando se fala em seguir em frente fala-se em meias-finais. Logicamente, ninguém pode descurar uma meia-final de uma competição europeia, seja ela qual for. Já fomos longe de mais na Liga Europa para não termos, pelo menos, o sonho de conquistar este troféu. Principalmente se olharmos para os restantes adversários, que, não tenho qualquer dúvida, estão todos dentro das nossas capacidades – sim, até a Juventus.

A vantagem que trouxemos de Alkmaar é boa e permite à equipa entrar em campo confortável e tranquilamente. Porém, como a história do futebol teima em nos avisar, não é novidade para ninguém que este tipo de vantagens pode ter um efeito contrário ao esperado. Relaxar não é sinónimo de abrandar, mas no futebol bem podia ser. Os jogadores do Benfica não podem dar a passagem às meias-finais como adquirida e muito menos desvalorizar o adversário holandês. Que o exemplo da eliminatória frente ao Tottenham tenha servido de lição: depois do magnífico 1-3 em White Hart Lane, era completamente desnecessário o sofrimento do jogo da Luz.

O Tottenham chegou a assustar na Luz Fonte: Reuters
O Tottenham chegou a assustar na Luz
Fonte: Reuters

Com Fejsa e Rúben Amorim em dúvida para o jogo e com Maxi Pereira e Nico Gaítan castigados (acumulação de amarelos) Jorge Jesus terá algumas dúvidas na construção do onze inicial, sabendo ainda de antemão que no próximo domingo há uma partida extremamente decisiva para a conquista do título nacional, frente ao Arouca. Não sei até que ponto o treinador encarnado irá manter a habitual rotação dos jogadores, mas o que é certo é que, jogue quem jogar, a mentalidade só pode ser uma: vitória.

Do nosso adversário não esperem qualquer tipo de facilidade. Aliás, desconfiei imenso das palavras de Dick Advocaat, treinador do Az Alkmaar, quando afirmou o seguinte na conferência de imprensa de antevisão do jogo: “Vi meia hora do jogo do Benfica (frente ao Rio-Ave) e chegou! Devemos ter bastantes oportunidades”.

O tom irónico, valorizando em demasia a equipa do Benfica, não pode ser levado a sério. Até porque alguém acredita que seja essa a mensagem do treinador para o balneário do AZ? Claro que não. Eles vão dar tudo, e nós temos a obrigação de estar preparados.

Exijo um Benfica ambicioso, personalizado e com muita, muita atitude.

Volto a sublinhar: é uma meia-final europeia que está em jogo. E mais não digo.

Pedro Beleza

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