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A ténue linha que separa a sorte e o azar

Raquel Roque · 4 min

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Cabeçalho Futebol NacionalSão 19h35 da tarde, o jogo começa às 19h45. Está tudo a postos, há que seguir o ritual. O telemóvel no sítio do costume, ao lado da jarra com umas rosas oferecidas no dia dos namorados A camisola é a mesma que é usada nos dias importantes. A cerveja gelada está entre a jarra e o telemóvel. 19h45, Vamos a isso que hoje é para ganhar! Pode parecer que não mas este é um ritual que  muitos adeptos têm antes de um jogo da sua equipa de coração. Invadido por bruxas, feitiços e magias negras, o futebol português é, cada vez mais, um espaço onde surgem inúmeras histórias insólitas para contar. O que é certo é que se sucedem os casos de jogadores e treinadores supersticiosos. Ninguém acredita em bruxas… Mas que elas existem, existem. Que o digam os visados neste texto.

Quando falamos neste tema é bem provável que a primeira estrela que nos venha à mente seja Eusébio, o Pantera Negra. O craque do SL Benfica usava uma moeda da sorte, na bota direita, para poder marcar golos. Claro que a sua agilidade, destreza e, principalmente, a sua veia goleadora foram fundamentais para a sua carreira, mas será que sem a sua moeda da sorte marcaria tantos golos?

Fonte: Notícias ao Minuto
Fonte: Notícias ao Minuto

Mas, há mais. O famoso Paulo Futre não podia ficar fora desta lista. Muitas dessas superstições foram adotadas na altura em que fazia parte da equipa do FC Porto. Desde chinelos a pulseiras, tudo era questão de superstição para Futre. Os chinelos não podiam estar ao contrário, as cruzes com álcool sempre que se partia algo eram imprescindíveis, as pulseiras apenas dariam sorte no pulso direito e o silêncio que se fazia ao passar por um carro fúnebre.

Fernando Santos, o selecionador que levou Portugal à glória europeia, também tem algumas manias. A sua fé fala mais alto no futebol. Desde as rezas durante o dia, até ao seu inseparável crucifixo que mantem à volta do pescoço, durante os jogos. E as mesas em U na sala dos jornalistas na meia-final? Sim, Fernando Santos recolocou as mesas em U depois destas terem sido mudadas.  Será que a seleção seria campeã se o Selecionador não o tivesse feito?

Rui Vitória entra nesta mesma lista. O treinador da equipa encarnada tetracampeã admite que gosta de ter alguns rituais para que a sorte lhe bata à porta. Começa por ter os lugares marcados no autocarro porque daquela vez que assim estavam o jogo correu bem. Passa também por vestir a mesma camisa que vestiu num jogo importante e que trouxe a vitória para a sua equipa. Para além de rotinas, há pequenos pormenores que o técnico gosta de manter. Por exemplo, marcha atrás no autocarro em que viajam, nem pensar, num caso que remonta a 2012, quando o técnico treinava o Vitória de Guimarães. Embora nos últimos anos já não aconteça com tanta frequência, Rui Vitória não gosta de assistir a grandes penalidades. Sempre que as havia, nos tempos do Fátima e do Paços de Ferreira, Rui Vitória colocava-se de costas voltadas para o relvado.

Paulo Fonseca é mais um dos supersticiosos no futebol Português. Paulo Fonseca foi alvo de críticas quando se soube que andava com as mesmas meias durante vários jogos. A verdade é que com as suas “meias (sujas) da sorte” conseguiu ter uma época fantástica em 2012/2013, numa época em que levou o Paços de Ferreira à Liga dos Campeões. Não creio que quem as fosse lavar depois de tantos jogos fosse um/a sortudo/a, mas que teve bons resultados, lá isso teve. Para além dessa mania, a polémica entre o seu Suzuki e o Mercedes, enquanto estava no SC Braga, deixa qualquer um de olhos em bico.  Segundo o técnico, os resultados eram melhores sempre que conduzia o seu Suzuki – carro que já tinha desde os tempos do Paços de Ferreira. Foi então que decidiu usar o Suzuki durante a semana em que se disputava a final da Taça de Portugal. A verdade é que resultou. O Suzuki voltou a dar sorte e no Minho festejou-se a conquista da Taça de Portugal, frente ao FC Porto.

Fonte: SC Braga
Fonte: SC Braga

Não podíamos deixar de falar em Jorge Jesus. Não que seja propriamente um homem muito supersticioso, mas de todos é o mais simples. Não há moedas, não há chinelos, pulseiras, meias ou carros, simplesmente não se festeja antes do tempo! Ou como já diziam os antigos “não lances foguetes antes do tempo”, se não alguém apanhará as canas. Neste caso, aqueles que costumam encontrar-se no banco com o treinador.

Não são apenas jogadores ou técnicos que têm superstições. Muitos adeptos procuram atrair a sorte por não ir a um café só porque a sua equipa perdeu quando viu o jogo lá, ou por vestir a mesma camisa que usaram quando o seu clube ganhou um campeonato. Muitas são as manias de quem é apaixonado por este desporto.

Apesar de ser algo interessante, não deixemos de retirar as qualidades dos jogadores. Se Eusébio não tivesse qualidade não marcaria tantos golos, se Futre não fosse genial não iria ficar marcado na história do futebol português. A verdade é que, mesmo assim, o factor sorte continua a ter peso no desporto rei, mesmo que às vezes existam predestinados que dependam menos da sorte. Qualquer pessoa é capaz de brilhar, no entanto, há momentos em que precisamos dum empurrãozinho para ter mais força e acreditar em nós, não é verdade?

Foto de Capa: Vice

Artigo revisto por: Pedro Couto

Raquel Roque

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