A VARgonha que nós não temos

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Para quem adora futebol como eu, nada melhor que dois dias a meio da semana com jogos entre as quatro melhores equipas do nosso campeonato. Tudo estava a postos para aquilo que seriam, com certeza, dois excelentes jogos, apimentados com todos os ingredientes que os grandes jogos devem ter. E a verdade é que o foram: dois grandes jogos, um deles, mesmo, um dos melhores clássicos dos últimos longos anos do nosso Futebol.

No entanto, também estes jogos foram pautados por algo a que o comum adepto está mais que habituado: à convocatória de ‘senhores árbitros de qualidade duvidosa’. É verdade. Estes senhores também vieram. E o pior (ou parece) é que estes senhores vieram acompanhados por uma alta tecnologia apelidada de VAR.

Houve complicadas decisões em ambos os jogos, várias até. E o VAR, uma vez mais, não veio ajudar em quase nada (e olhem que eu até acho a tecnologia uma mais-valia para a verdade desportiva). Perante as arbitragens e a ‘vista grossa’ ou a ‘vista curta’ a diferentes e variados lances, era mais que esperada a reacção explosiva de alguns dos senhores mais poderosos do nosso futebol, que de ética e valores pouco percebem (ou querem perceber). Assim aconteceu: Luís Filipe Vieira, António Salvador, Abel Ferreira e, imagine-se, até Bernardo Silva e Francisco J. Marques não calaram as suas revoltas.

Assim sendo, devo dizer sem apelo nem agravo: os árbitros não se pautam pela honestidade, responsabilidade, tratamento igual a todos e não têm mesmo vergonha, pois se a tivessem, faziam uso da ferramenta que têm de forma clara e correcta, recorrendo a ela quantas vezes fossem necessárias e visualizando como fazem 90% dos telespectadores, sem terem formação para isso.

A polémica foi nota predominante na final four da Taça da Liga
Fonte: Bola na Rede

Depois, estes dirigentes não têm vergonha: falam quando lhes convém, dizem saber muitas coisas, levantam suspeitas, mas nunca concretizam totalmente o que insinuam, tentando assim tapar o sol com a peneira. Houve erros e muitos. Mas houve erros só para um lado? Não! Houve demasiados lances duvidosos, houve pouco uso do VAR por parte do árbitro principal e pasme-se que, mesmo quando foi usado, levou, em alguns momentos, a decisões erradas do próprio árbitro. No entanto, os erros afectaram as quatro equipas.

Se tivessem sido os outros intervenientes a ser eliminados, não duvidem que seriam eles a queixar-se e a colocar tudo em causa: falou o SL Benfica de um golo mal anulado e de uma falta no primeiro golo portista. Falaria o FC Porto de um alegado penálti ou de uma alegada expulsão de um jogador encarnado. Veio o SC Braga chorar um golo mal anulado e uma não expulsão de um jogador leonino. Viria o Sporting CP relembrar a grande penalidade não assinalada a cinco minutos do fim e que não deixou dúvidas a ninguém.

Para finalizar, um episódio que pode ter passado despercebido a muitos, mas que foi tão peculiar, quanto ridículo: Bernardo Silva e o director de comunicação do FC Porto trocaram ‘galhardetes’ numa rede social, logo após o final do jogo de terça-feira. Mas que raio de futebol é este? Um jogador da selecção nacional, que representa todos os portugueses, poderia ser um bocadinho mais cauteloso, não? E o que dizer de um director de comunicação a responder a uma publicação de um ex-jogador de um outro clube? Está tudo doido? Não tinham mais que fazer? Sentiu-se atacado? Veremos este senhor a responder a mais alguns posts? É que, se sim, o melhor é contratarem outra pessoa para o seu cargo, porque ele não vai ter tempo para mais nada.

Que Futebol querem dar aos vossos filhos e netos? Um Futebol sem vergonha e sem valores? Um Futebol das virgens ofendidas, até por um outdoor ser vermelho? Tenham respeito por todos aqueles que, como eu, ainda conseguem adorar ver Futebol e, por favor, não o liquidem.

 

Foto de Capa: Bola na Rede

Tiago Ferreira
Tiago Ferreirahttp://www.bolanarede.pt
O Tiago é um apaixonado pela vida, pelas pessoas e também por tudo o que rodeia o desporto em geral e o futebol em particular. Assim, tenta expressar as suas emoções e vivências da melhor forma que julga conseguir fazê-lo: por palavras escritas.                                                                                                                                                 O Tiago não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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