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Numa altura em que o panorama da fase de grupos das duas competições europeias de maior prestígio já se começa a definir e dada a presença de três equipas lusas, interessa refletir sobre o alcance que a obtenção de resultados positivos exerce, não somente, nas equipas, mas sobretudo sobre o país que estas representam, devido à existência dos denominados coeficientes, que ajudam na elaboração do ranking UEFA. Antes de mais, convém, portanto, procurar clarificar esse conceito
Em que consistem e como se calculam os coeficientes UEFA?
Primeiramente, e conforme seja o seu âmbito, há que distinguir dois tipos de coeficientes: o que se refere aos clubes e contribui não só para aferir o seu prestígio, tendo implicações nos sorteios – coeficiente desportivo – como, também, para o cálculo das receitas que provêm da sua atuação – coeficiente de receitas; e o que diz respeito à prestação de uma qualquer associação (país), e que serve para determinar o número de vagas a atribuir a cada nação nas referidas competições.
O coeficiente desportivo determina-se adicionando os pontos conquistados no decorrer das suas cinco participações mais recentes, porém, considerando as recentes alterações introduzidas pelo organismo – em vigor, a partir da presente época -, pode igualmente corresponder a 20% da totalidade de pontuação obtida (durante o período considerado) pela associação (país) a que pertence, se esse valor for superior à soma alcançada pelo próprio emblema.
Já o cálculo do coeficiente de receitas, apesar de seguir os mesmos procedimentos que o anterior, diferencia-se deste ao considerar a performance da equipa ao longo das últimas dez edições da Liga dos Campeões e da Liga Europa.
O coeficiente de uma associação (país) consiste na adição dos pontos obtidos pelas equipas desse país, e, posteriormente, na sua divisão pelo número de clubes participantes que essa nação teve nas duas competições.

Fonte: FC Schalke 04
Como se processa a atribuição dos pontos?
A UEFA, entidade responsável por regulamentar e organizar as competições, estabeleceu os seguintes critérios:
– somente na Liga Europa, em caso de eliminação, as equipas terão direito a compensações, conforme o exposto:
- meio ponto, se a mesma se der na fase preliminar;
- um ponto, se a mesma ocorrer na primeira ronda de qualificação;
- um ponto e meio, caso o afastamento se dê na segunda ronda de qualificação;
- dois pontos, caso a mesma se processe na terceira ronda de qualificação;
- dois pontos e meio, se a eliminação tiver lugar na fase de play-off;
– a presença na fase de grupos é premiada com a atribuição de quatro pontos (na Liga dos Campeões) e com três pontos (se a prova em questão for a Liga Europa);
– em ambas as competições, da fase de grupos em diante, por cada vitória alcançada, a equipa receberá dois pontos e, por cada empate, ser-lhe-á concedido um ponto;
– a passagem para os oitavos de final da Liga dos Campeões garante um ganho de quatro pontos para o clube em questão. A partir daí, por cada qualificação para a ronda seguinte (até à final), a formação que a lograr receberá um extra de um ponto.
– a partir dos quartos de finais, na Liga Europa, cada equipa conquistará um ponto suplementar, por cada apuramento para a ronda subsequente (até à final).
Note-se que, também, o cálculo do coeficiente de receitas prevê a atribuição de bónus tendo em conta os títulos ganhos por um dado emblema nas três provas europeias (Liga dos Campeões/Taça dos Campeões Europeus; Liga Europa/Taça UEFA e Supertaça Europeia).
O contexto atual do ranking UEFA no que toca aos coeficientes de associação
– O reinado espanhol:
Nos últimos anos, tem-se assistido a uma clara tendência de dominação por parte de clubes espanhóis. O historial referente às oito passadas edições das duas principais competições de clubes a nível europeu (UEFA Champions League e UEFA Europa League) é, de resto, elucidativo: num total de 16 finais realizadas, somente, cinco – duas da Liga dos Campeões e três da Liga Europa – não foram ganhas por emblemas do país vizinho.
Talvez por isso, nas derradeiras quatro temporadas, só por uma ocasião (em 2017/2018, quando foi ultrapassada por Inglaterra), Espanha não obteve o maior número de pontos no ranking UEFA relativo ao coeficiente de países, o que lhe permitiu permanecer na liderança do mesmo, com um total (à data de 25 de outubro de 2018) de 90 426 pontos, conservando uma (confortável) vantagem de 21 964 sobre Inglaterra, o atual segundo classificado, e possuindo mais 21 986 pontos que Itália, presentemente na terceira posição.

Fonte: Sevilla FC
Ora, consequentemente, nações como França, cuja seleção A detém o título de campeã do Mundo, ou Portugal, que ostenta o título europeu de seleções A, surgem em segundo plano.
A realidade nacional
A prestação lusitana nas competições europeias já conheceu dias melhores, ao longo da última década, e isso reflete-se no atual sétimo lugar – ranking de coeficientes de associação – ocupado, desde 2017, por Portugal e que permite que, apenas, cinco clubes nacionais participem, a partir da presente época (inclusive), nas duas principais provas do Velho Continente.
Na presente temporada, duas dessas equipas já foram eliminadas – casos de SC Braga e Rio Ave FC, o que faz com que os destinos da nação estejam nas mãos de três clubes, FC Porto, SL Benfica e Sporting CP. Neste sentido, estes três clubes, apesar de rivais a nível interno, nunca o poderão ser assim entendidos no contexto europeu.
Um bom exemplo disso, é o facto de clubes como o CS Marítimo, Vitória SC ou, até mesmo, o Rio Ave FC estarem a ocupar um lugar superior no coeficiente a dez anos (o que determina a distribuição de receitas), por conta do critério alternativo de cálculo que tem em conta o total de pontos obtidos pelo país.
Ideia lapidar: Torna-se, pois, atendendo à relação de interdependência existente, necessário apelar a que nas competições europeias os adeptos portugueses tenham um só clube – Portugal -, visto que, como já se viu, o sucesso (ou insucesso) de um é o sucesso de todos.
Foto de Capa: UEFA









