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Danny e o CS Marítimo: Será desta o reencontro?

Marco António Milho · 4 min

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Cabeçalho Futebol NacionalTerminada a ligação de nove anos ao FK Zenit de São Petersburgo, Danny é agora um jogador livre. Formado no CS Marítimo, o luso-venezuelano expressou no passado a vontade de voltar a vestir a camisola verde-rubra antes de se despedir dos relvados e o presidente Carlos Pereira é sensível a um desejo que também é seu. O jogador chega hoje à Madeira para passar as férias com a família e o líder do emblema insular tudo fará para convencer um dos ícones do clube a retornar à casa que o viu nascer para o futebol europeu.

O sonho não é de fácil concretização, dado o elevado salário que o internacional pela Seleção das Quinas auferia na Rússia, além dos vários pretendentes que ambicionam também a sua contratação. Carlos Pereira tem plena consciência das limitações maritimistas no que toca às remunerações que pode oferecer e por isso mesmo será a ligação umbilical entre clube e jogador o seu maior trunfo, além do bom clima, segurança e proximidade familiar.

Nascido em Caracas, Danny chegou às camadas jovens do Marítimo em 1999, depois de ter sido sugerido aos dirigentes insulares durante uma digressão pela Venezuela. Então com 15 anos, o jovem prodígio rumou à terra dos pais, onde passou a viver com os avós, enquanto desenvolvia o seu futebol. Em 2001/02, aos 18 anos, Danny atuou pelos juniores, equipa B, e estreou-se ainda na equipa principal, cumprindo o sonho do pai, sócio verde-rubro. No final da temporada, cumpridos 22 jogos e marcados cinco golos, somadas outras tantas assistências e alcançadas as seleções jovens, Danny rumou ao Sporting CP, por um valor a rondar os dois milhões de euros.

Em 2012, Danny regressou aos Barreiros, para um jogo solidário Fonte: CS Marítimo
Em 2012, Danny regressou aos Barreiros, para um jogo solidário Fonte: CS Marítimo

Em Alvalade marcou um golo em seis jogos com a primeira equipa e esteve ainda em sete encontros ao serviço da equipa B leonina. As dificuldades na adaptação, contudo, ditaram o regresso a ‘casa’, em janeiro de 2003, quando foi emprestado ao Marítimo por ano e meio. Nos Barreiros o médio ofensivo demonstrou o seu valor, amadureceu, e revelou-se peça fundamental para a equipa maritimista. Depois de 46 jogos e três golos regressou a Lisboa, onde apesar de mais vezes utilizado na equipa do Sporting, nem por isso se conseguiu impor como jogador determinante, pelo que em janeiro, uma vez mais deixou Alvalade, desta feita rumo ao FK Dínamo de Moscovo.

Por terras dos czares, Danny afirmou-se definitivamente, foi eleito o melhor jogador do ano em 2006 e ajudou os moscovitas a alcançar o segundo lugar em 2008. Em agosto desse ano, o luso-venezuelano transferiu-se para o Zenit por 30 milhões de euros, naquela que foi a transferência mais cara de sempre do futebol russo. Pelo clube de São Petersburgo venceu seis títulos, um dos quais a Supertaça Europeia, frente ao Manchester United, precisamente no jogo de estreia, no qual marcou o golo da vitória e foi eleito homem do jogo.

Ao serviço da seleção, Danny somou 38 internacionalizações, sendo regularmente utilizado por Carlos Queiroz e Fernando Santos, antes de uma grave lesão num joelho lhe ter retirado as hipóteses de representar Portugal no Europeu de 2016.

Campeão russo pela terceira vez em 2015, ao serviço do Zenit, o madeirense celebrou com a bandeira da região e um cachecol do Marítimo  Fonte: CS Marítimo
Campeão russo pela terceira vez em 2015, Danny celebrou com a bandeira da região e um cachecol do Marítimo
Fonte: CS Marítimo

Após confirmar o fim de ciclo no Zenit, Danny revelou que pretende continuar a jogar ao mais alto nível, num campeonato competitivo e num país de bom clima. O jogador, que mantém boas relações com os dirigentes maritimistas não descarta, por isso, o regresso à Madeira, havendo no entanto, a possibilidade de fazer ainda mais uma época no estrangeiro, antes de voltar a vestir a camisola verde-rubra. Carlos Pereira e Daniel Ramos esperam agora convencer o internacional luso a retornar ao clube que o projetou já neste defeso.

Certo é que o hipotético regresso de Danny representaria um reforço de peso para uma equipa que assume o objetivo de alcançar a fase de grupos da Liga Europa, apesar da saída de alguns dos jogadores mais importantes. O médio ofensivo de 33 anos reúne excelente qualidade técnica, experiência nas competições europeias e enorme capacidade de liderança, pelo que se trataria de uma peça fulcral não apenas no onze, mas também no balneário dos insulares.

Na ilha da Madeira a expectativa é grande e o futuro de Danny motivo de conversa, entre adeptos maritimistas e não só. Unânime é a opinião de que o jogador que deixou saudades nos Barreiros seria a contratação do ano em Portugal e o homem capaz de fazer a diferença e trazer, ao mesmo tempo, estabilidade a uma equipa que tem em perspetiva uma longa época pela frente, graças à presença na terceira pré-eliminatória da Liga Europa. O desejo dos adeptos é antigo, mas assume este ano as mais fortes possibilidades de resultar em final feliz.

Foto de Capa: FK Zenit

 

Marco António Milho

Redação Bola na Rede · ver artigos