Publicidade

Do berço da nação até à Europa?

Rui Pedro Cipriano · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

O Vitória Sport Clube já nos habituou a ser sempre uma das equipas mais fortes e temíveis fora do conjunto dos denominados “três grandes”. Os vimaranenses pela sua história e por toda a paixão que envolve os seus aficionados são um clube que tem legitimas aspirações de se proclamar como o “quarto grande”.

As coisas, no entanto, não correm sempre bem para os lados de Guimarães. O Vitória SC tem sido um clube marcado por períodos de grande instabilidade neste século. Ora faz grandes épocas, ora tem uma época mais desapontante. Este tem sido o grande obstáculo ao crescimento efetivo do clube que teima em não se afirmar como um clube europeu.

A época passada foi uma dessas épocas, que foram um claro retrocesso, por comparação com a época anterior. O treinador até foi o mesmo, Pedro Martins, mas parece-me que o planeamento do plantel não foi o melhor. Depois de um grande quarto lugar, à frente do seu grande rival, SC Braga, e de ser finalista da Taça de Portugal, esperava-se, no mínimo, que o Vitória SC conseguisse estabilizar-se na luta pela Europa. A verdade é que as coisas não correram nada bem e o treinador Pedro Martins acabaria por sair a meio da época, depois de perder 5-0 contra o SC Braga em casa. Para o seu lugar veio José Peseiro que não conseguiu inverter muito as coisas. Feitas as contas, o Vitória SC acabaria a temporada 2017/2018 em nono lugar. Os tais altos e baixos constantes que eu já referi.

Depois de Pedro Martins e Peseiro, Luís Castro é o homem do leme em Guimarães nesta nova temporada
Fonte: Vitória SC

Ora, o facto de mesmo após o treinador Pedro Martins ter sido dispensado as coisas não terem melhorado muito aponta, claramente, para erros estruturais no início da temporada. E nesse aspeto o presidente dos vimaranenses, Júlio Mendes, não pode ser isento de culpas. Acho que existe um certo “comodismo” que leva o Vitória ora a fazer uma aposta forte e a retirar frutos, ora a desinvestir e a ter uma época mais negativa. Em Guimarães, certamente, olha-se para os vizinhos de Braga e sonha-se que o Vitória um dia consiga atingir o patamar da estabilidade que o SC Braga conseguiu atingir. Com boas exibições europeias aliadas a qualificações constantes para a Europa.

Esta parece ser outra época de aposta forte em Guimarães. O treinador, para mim, foi muito bem escolhido. Luís Castro tem tido uma carreira em crescendo dentro do futebol português. Depois de ser campeão da Segunda Liga pelo Porto B, seguiu para o Rio Ave FC e de Vila do Conde saiu para Chaves, onde fez uma época não perfeita, mas razoável. A escolha de Júlio Mendes parece-me bem pensada.

O plantel também tem sido alvo de bons ajustes. O Vitória SC tem tido uma aposta forte em alvos do mercado interno e valores seguros. Florent (ex-Belenenses), Frederico Venâncio (ex-Vitória FC), Rafa Soares (ex-Portimonense), Alexandre Guedes (ex-Desportivo Aves), Davidson (ex-Chaves), André André (ex-FC Porto), Osório (ex-FC Porto) e Pedro Rodrigues (empréstimo do Benfica), são todos novas contratações para o Vitória SC que partiram do mercado interno português.

André André regressa a um clube onde já foi feliz e onde lançou a sua carreira
Fonte: Vitória SC

Certamente que este ainda não será o elenco definitivo para a época 2018/2019. Ainda se poderão registar algumas saídas e algumas entradas, mas aquilo que se vê, para já, é bastante promissor. O Vitória SC está a juntar um plantel bastante experiente e talentoso, aliado com alguma juventude. Depois claro há sempre o fator do treinador de que eu já falei, mas que reforço a sua importância, também me parece ser um treinador com “unhas” para tocar esta “guitarra”.

Os adeptos em Guimarães, como se sabe, nunca exigem pouco. E o discurso ambicioso que Luís Castro tem tido durante esta pré-época certamente que lhes agrada. O campeonato irá começar, desde logo, com uma deslocação difícil ao Estádio da Luz, mas estão reunidas as condições, em Guimarães, para uma grande temporada, com o objetivo de chegar novamente às competições europeias e, quem sabe, conquistar um dos troféus nacionais.

Acho que o maior desafio, depois de confirmada a boa temporada do Vitória SC, será conseguir continuar na mesma senda e não voltar a cair no caminho da mediocridade.

Foto de Capa: Vitória SC

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Rui Pedro Cipriano

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.