Dois náufragos e um campeonato à deriva

- Advertisement -

O campeonato está a caminhar a passos largos para o seu término, mas não promete deixar saudades aos adeptos das várias cores. São já 30 jornadas com muita, mas fraca história. Cumprir-se-ão ainda mais quatro partidas, com muito ainda por decidir, mas sem o brilho de outros tempos ou a tristeza de ver partir para férias uma competição que nos habituamos a acompanhar diariamente.

A sensação que fica, é que quanto mais cedo terminar, melhor. Nem a pandemia e a paragem forçada que esta causou trouxeram uma ponta final com qualidade. Muitos dirão que já previam isto; uma paragem forçada só serviu para perder rotinas, perder o embalo psicológico e aumentar o risco de lesão – e eu incluo-me nesse lote.

Outros diriam que a paragem seria benéfica e além de recuperar alguns lesionados, as equipas puderam reunir e fazer nova pré-época; olear a máquina e definir novas estratégias para supreender. Fosse qual fosse a estratégia adotada, rara foi a equipa beneficiada pela paragem, exceção feita a dragões e leões – 13 e 14 pontos em 18 possíveis, desde a retoma.

A verdade é que o futebol praticado em Portugal já deixava a desejar antes da paragem de março. Se excluirmos vários jogos do FC Famalicão, Vitória SC e do SC Braga de Rúben Amorim, é difícil encontrar bons exemplos de formas de abordar e jogar o jogo no campeonato.

Melhor prova disso que a participação lusa nas competições europeias é impossível. Vimos uns raios de luz com os vitorianos a não virar a cara à luta e a fazer suar o Arsenal FC em Londres, no meio da tempestade que foi a prestação dos “três grandes”.

Pior do que isso, é que dentro de portas a falta de qualidade apresentada percorre quase todos os lugares da classificação do nosso campeonato. Se por um alinhamento fantástico dos astros tivéssemos águias e dragões a jogar mal e os restantes a um bom nível podíamos, finalmente, ter novo vencedor da competição.

Mas a verdade é que os leões cedo se afastaram dos lugares cimeiros e estiveram mesmo atrás de bracarenses e famalicenses, tendo recuperado nas últimas jornadas para lugares mais confortáveis.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Além destes, também SC Braga e Vitória SC ficaram um pouco aquém do que os seus plantéis faziam prever. Mais abaixo ainda, as quatro equipas acima do já despromovido CD Aves e que estão em sério risco de o acompanhar para a Segunda Liga nunca encontraram estabilidade. Vão lutando e sobrevivendo graças a individualidades que já mereciam outros patamares.

A fase final da Taça da Liga e a final da Taça de Portugal, apesar da quebra de qualidade exibicional, conheceram os finalistas do costume. Estes são indicadores que nos mostram o mesmo, quer queiramos aceitar esta realidade ou não; a Liga Portuguesa está tremendamente nivelada por baixo.

Os plantéis estrelados que vimos nas águias de Jorge Jesus ou nos dragões de André Villas-Boas e Vítor Pereira são aquela miragem que nos assombra após dias de caminhadas intermináveis no deserto. São aqueles objetivos centrais de um altar que teimamos em venerar ao invés de tentar igualar ou renovar.

Com os três grandes constantemente em baixo de forma e a envergonhar os passados gloriosos de cada um, nem os clubes de menor dimensão se chegam à frente para ameaçar este domínio tripartido e tão prejudicial.

O mal é, portanto, geral. Exige-se, portanto, uma renovação imediata do campeonato e já tardia para a globalidade dos clubes nacionais. Para o próprio bem e o do futebol nacional. Ou então teremos dificuldades dantescas no futuro para atrair jogadores como Jonas, Casillas ou Vietto, quanto mais para alcançar e ultrapassar a fase de grupos da Liga dos Campeões.

Enquanto se gerirem SAD e clubes como empresas com fins meramente lucrativos ou como minas pessoais, estaremos sempre mais longe da sanidade do nosso campeonato. A aposta na formação, o património do clube e as vendas milionárias, apesar de importantes, são grãos numa mão cheia de areia para os olhos dos adeptos.

E aqueles que limparem a areia e continuarem a bater palmas são igualmente parte do problema. Enquanto isso, temos um conjunto de competições onde vencem sempre os mesmos. E dentro dos mesmos, vence aquele que por acaso errar menos. Dignos do terceiro mundo.

Diogo Pires Gonçalves
Diogo Pires Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo ama futebol. Desde criança que se interessa por este mundo e ouve as clássicas reclamações de mãe: «Até parece que o futebol te alimenta!». Já chegou atrasado a todo o lado mas nunca a um treino. O seu interesse prolonga-se até ao ténis mas é o FC Porto que prende toda a sua atenção. Adepto incondicional, crítico quando necessário mas sempre lado a lado.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Nuno Dias responde ao Bola na Rede após o Sporting x Benfica: «Principalmente esses aspetos, foram os que mais melhorámos»

Nuno Dias respondeu a uma pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa após o Sporting x Benfica.

Cassiano Klein responde ao Bola na Rede após Sporting x Benfica: «Não conseguimos ser tão contundentes na segunda parte»

Cassiano Klein respondeu a uma pergunta do Bola na Rede em conferência de imprensa após o Sporting x Benfica.

Equador vence Alemanha e está apurado no barco do 3º lugar e Costa do Marfim elimina Curaçau para seguir em frente no Mundial 2026

Dia de decisões no Grupo E. Além da Alemanha, também a Costa do Marfim e o Equador se juntam nos 16 avos do Mundial 2026.

Nuno Dias: «Tivemos três bolas no poste, mas o Benfica chega ao intervalo com um resultado magro para aquilo que tinha feito»

Nuno Dias analisou o desfecho do Sporting x Benfica. Leões ganharam por três bolas a duas no jogo 4 da final de Futsal.

PUB

Mais Artigos Populares

Futsal: Sporting vence Benfica com reviravolta e vai haver jogo 5

O Sporting e o Benfica enfrentaram-se esta quinta-feira no jogo 4 da final do playoff de Futsal. Leões ganharam por 3-2.

Sporting reforça a defesa com a chegada de Ágata Filipa

Ágata Filipa é reforço da equipa feminina do Sporting. A defesa-esquerda, de 31 anos, chega proveniente do Braga.

Patrick Schick despede-se da seleção checa aos 30 anos após eliminação do Mundial 2026

Patrick Schick anunciou o fim da carreira internacional na sequência da eliminação da Seleção da Chéquia do Mundial 2026.