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O jogo começou com o que seria a toada de todo o encontro, com os da casa por cima no desafio. Aos 8 minutos, a primeira aproximação à área deu-se por Willian num remate à figura de Igor. Na resposta, o Covilhã viu Gabriel largar a bola após cruzamento da esquerda, mas o guardião famalicense resolveria à segunda. Com os serranos a fecharem-se desde cedo e a exercer pressão apenas no seu meio-campo defensivo, os caseiros organizavam-se lá atrás para depois ir em busca de espaços na frente de ataque.
Aos 15 minutos, a primeira amostra de uma situação que muito se repetiria, Feliz a passar pelo meio de dois adversários junto à área e a ser parado em falta. Desta vez, o árbitro Fábio Piló não veria a jogada, perdoando o livre perigoso e a admoestação correspondente. No entanto, seis minutos volvidos, o juiz da partida não tinha como não ver falta dura de Fatai sobre Feliz perto da sua área e, pior, a subsequente agressão ao famalicense que levaria à expulsão do homem da Covilhã e forçaria os verde e brancos ainda mais para a defesa, castrando-os do pouco ímpeto ofensivo que ainda iam tendo.
Na sequência do livre, o Famalicão ganharia um canto que daria para colocar a redondinha dentro da baliza de Igor, mas o Piló assinalou falta ofensiva por carga sobre um defesa. Pelo meio, o lateral Denner lesionou-se sozinho e teve de ser substituído, com o treinador Vasco Seabra a lançar o seu homónimo Vasco, um avançado, adaptando o capitão Mendes à lateral.
Os da casa controlavam completamente a partida e dois remates de longa distância podiam ter tido outro destino, já que Igor errou e largou a bola para a frente, mas, em ambas as ocasiões, Poulson chegou atrasado e permitiu a Igor recompor-se.
Até ao intervalo, Feliz ganharia mais algumas faltas e amarelos para os adversários, mas muita paragem quebrava o ritmo de jogo e prejudicava o Famalicão que, ainda assim, esteve perto do golo em mais duas ocasiões, primeiro por Feliz e depois por João Faria. Ainda assim, ficaria mais uma falta em zona perigosa por apontar e um cartão amarelo por mostrar, quando Joel foi travado junto à linha de fundo.

Fonte: FC Famalicão
No reatamento, foram Hocko e Igor quem mais se destacaram, o primeiro a rematar com perigo, a criar oportunidades para os seus colegas, o segundo a parar com excelentes defesas as tentativas perigosas de Hocko e Mendes. Com o destaque, também o montenegrino se veria sofredor das entradas duras dos serranos, com um belo exemplo disso aos 61 minutos que viu Gilberto juntar-se à lista dos amarelados nos visitantes.
Com o Famalicão a acusar a pressão de não chegar ao golo, dominando por completo a partida, mas mostrando-se menos esclarecido nos últimos metros, Vasco Seabra reforçou o ataque à baliza contrário com as entradas de Anderson e de Cunha. Por outro lado, José Augusto só aos 20 minutos do fim fez a primeira alteração, uma troca por troca do amarelado Adul por Turé.
Sentindo-se encostados às cordas, os da Covilhã começaram a jogar também em tentar perder algum tempo, destacando-se dois estranhos pedidos de assistência do central Joel, o segundo a coincidir com uma duríssima entrada para cartão de Turé, que o árbitro havia de, mais uma vez, ignorar. Por outro lado, é importante destacar a capacidade de Igor de demorar o seu tempo para bater as bolas paradas, mas fazendo-o de forma inteligente e sempre no limite do razoável, de forma a evitar ser advertido.
No últimos dez minutos, o Famalicão insistiu em pressionar a defesa contrária e, aos 82 minutos, Anderson com uma bela jogada pela ala em que finta vários adversários não encontra quem finalize na área e, na sobra, acaba por cabecear por cima. Pouco depois, um erro flagrante do árbitro. Numa disputa de bola normal após um lançamento longo, Zarabi simula uma falta e atira-se para o chão, fazendo um grande espalhafato e enganando Fábio Piló que respondeu mostrando a cartolina amarela a Poulson.
Finalmente, aos 89 minutos da partida, um cruzamento de Feliz vai sobrar para a entrada da área onde o lateral Joel estoirou para bater Igor e dar vantagem ao Famalicão. As perdas de tempo ainda dariam para beneficiar novamente o Covilhã ao serem concedidos cinco minutos de compensação, mas nem as entradas de Moses e Vitó serviriam para mudar o rumo do jogo, tendo a equipa de se contentar com, aos 90+4, ter feito o seu primeiro e único remate da segunda metade, num cabeceamento que Gabriel segurou facilmente.
Com este resultado, o Famalicão consolida alguma recuperação depois de um período mais complicado e, 11 jogos depois, volta a terminar uma partida sem sofrer golos, enquanto um Covilhã prejudicado desde cedo pela expulsão de Fatai acaba por sair sem pontos, após ter aguentado durante tanto tempo a enxurrada ofensiva do Famalicão. Nota negativa para Fábio Piló e seus assistentes que deixaram passar em claro várias faltas duras sobre atletas do Famalicão e que foram demasiado meigos disciplinarmente para com os visitantes.
A FIGURA:

Feliz – Juntamente com Hocko, forma a dupla de jogadores do Famalicão que mais qualidade de jogo apresenta. Só não esteve imparável durante os 90 minutos porque foi imensas vezes travado em falta. Seja a criar perigo na frente de ataque ou a vir buscar jogo atrás no campo, está um nível acima e continua a mostrar que já justifica uma oportunidade no escalão máximo do futebol português.
O FORA DE JOGO:

Gilberto – O capitão dos serranos esteve completamente apagado do jogo e foi um dos culpados do Famalicão por ter total domínio sobre o centro do jogo. Além disso, também não se inibiu de recorrer à falta para parar os da casa e foi um dos muitos amarelados do Covilhã.
CONFERÊNCIA BnR:

SC Covilhã
BnR: Com o Famalicão por cima do jogo e vários jogadores amarelados, o que o fez tardar tanto o recurso às substituições?
José Augusto: A substituição é para tu alterares alguma coisa que vá realmente dar à equipa algo positivo, não é? Neste caso, estando a equipa nos seus comportamentos, não sentia necessidade, só pelo cansaço mesmo, foi isso que fizemos na primeira alteração porque o Adul estava um bocado desgastado e depois sentimos que o Reinildo também, pelo lado esquerdo, não estava a ter tantos compromissos como nós queríamos. As substituições são mesmo isso, quando fazes, não fazes só porque tens de fazer, fazes para alterar e para obter algum resultado positivo. Neste caso, achei que a equipa estava bem comprometida e alterando às vezes até podes prejudicar a equipa. E foi isso que se passou.

FC Famalicão
BnR: Quanto à lesão do Denner, já sabe alguma coisa sobre a gravidade? E em que é que o ter de fazer uma alteração tão cedo no jogo mudou a estratégia da equipa?
Vasco Seabra: A lesão do Denner penso que será alguma coisa no gémeo, não sei se contratura, se microrutura, mas acredito que estará de fora pelo menos umas semanas. Foi uma situação que acredito que tenha sido até mais do ponto de vista emocional, da vontade do jogador querer fazer. Foi um jogador que mostrou durante a semana que queria muito agarrar o jogo e agarrar a oportunidade para poder ajudar a equipa. Relativamente à substituição que tivemos de fazer, a verdade é que nem hesitamos nesse momento porque quisemos desde logo trazer mais capacidade para chegar ao último terço. O Mendes é um jogador que já fez de lateral algumas vezes, a nossa opção foi imediata para conseguir dar velocidade ao corredor e conseguimos ao mesmo tempo a entrada do Vasco que é um jogador que também tem golo, tem chegada ao último terço, que tem a alternância de poder jogar mais como ponta de lança ou como ala, mas poder provocar mais a chegada na área e a chegada na concretização.
Foto de Capa: Bola na Rede
Artigo revisto por: Rita Asseiceiro












