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FC Porto B 1-2 CD Mafra: Quem não marca, sofre

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A CRÓNICA: FC PORTO B PERDOA, CAMARÁ NÃO

À entrada para a nona jornada da Segunda Liga, FC Porto B e CD Mafra atravessavam momentos distintos. A equipa B azul e branca vinha de uma derrota pesada diante o SC Covilhã por 4-0, enquanto do outro lado a equipa de Mafra, na cimeira da tabela, vinha de uma vitória confortável diante o Varzim SC, por 3-1. De destacar os casos de Covid-19 comunicados pela «turma» forasteira à última da hora, sendo que tal impossibilitou a presença de 6 jogadores previstos na convocatória. De resto, o CD Mafra apenas levou 5 jogadores suplentes para a partida.

O jogo começou com a equipa do Mafra a tomar conta da bola, associando-se de forma permanente e a pressionar de forma sufocante a primeira fase de construção da equipa azul e branca. Foi através das constantes movimentações dos avançados Moura e Camará e da variabilidade de recursos do criativo  Rodrigo Martins que a equipa forasteira conseguia criar mais perigo, obrigando Ricardo Silva a várias defesas de nível elevadíssimo.

Ora, depois das ameaças, Camará não foi perdulário e aproveitou o engenho de Rodrigo Martins que descobriu o próprio à entrada da área para executar o primeiro da partida. Justiça feita para um CD Mafra mais instigador e extrovertido na partida. Estava aberto o marcador ao minuto 24.

Após o golo, a história do jogo remodelou-se e os 20 minutos finais da primeira parte foram todos do FC Porto B. Instalado no meio campo do CD Mafra, o espaço na linha defensiva mafrense era constantemente desobstruído por Francisco Conceição, que estava inspirado, e em dias assim torna-se muito díficil travar o ímpeto do jovem português. Não foi Conceição a empatar o jogo, foi outro esquerdino: Carlos Gabriel, ao minuto 33, aproveitou a confusão na pequena área mafrense e colocou o jogo novamente na “estaca zero”.

O início da segunda parte, começou com chuva forte no Municipal Dr. Jorge Sampaio e Kelvin Boateng não aproveitou o “dilúvio” de ocasiões que obteve em frente à baliza. A impotência do jogador ganês não coincidiu com o oportunismo de Camará, que aproveitou a defesa incompleta de Ricardo Silva para garantir nova vantagem para o CD Mafra.

Com 1-2 no marcador, a equipa secundária portista permaneceu forte nas diversas vertentes do jogo, contudo a inconsequência do que criavam começava a sentir-se nos jogadores e a fraca capacidade de definir em frente à baliza ditou o rumo do jogo, que não se alterou até final.

A FIGURA

Abel Camará – Aproveitou as oportunidades ao seu dispôr, marcou dois golos, foi quem mais auferiu apoio aos médios criativos e essencialmente foi decisivo nos objetivos da equipa. Sem bola e na transição defensiva foi rigoroso e com bola, soube pausar o jogo e temporizar.

 

O FORA DE JOGO

Ineficácia do FC Porto B – O FC Porto B, todavia tenha conseguido permanentemente intrometer-se no último terço, não conseguiu restaurar a igualdade. No total, foram 24 remates à baliza, sendo que o desespero pelo golo começou a ressentir-se nos jogadores portistas e a transportar-se para dentro de campo. De longe, o principal realce negativo nesta partida.

 

ANÁLISE TÁTICA: FC PORTO B

A equipa liderada por Rui Barros alinhou no seu clássico 4-1-4-1, utilizando o polivalente Tiago Matos a lateral direito, depois do próprio ter sido testado a lateral esquerdo no último jogo diante o SC Covilhã. Sem grandes oportunidades em transição, foi no jogo posicional ofensivo que a equipa B azul e branca mais perigo criou, encontrando espaços essencialmente através do virtuosismo de Francisco Conceição. Ainda assim, nas bolas paradas e em transição o FC Porto B também conseguiu assustar por diversas vezes o guarda redes Godinho, que foi chamada várias vezes a intervir.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Silva (6)

Tiago Matos  (6)

Pedro Justiniano (6)

Gonçalo Brandão (6)

Carlos Gabriel (8)

Mor N’diaye (7)

Johan Gómez (6)

Rodrigo Valente (5)

Francisco Conceição (7)

Danny Loader (5)

Kelvin Boateng (4)

SUBS UTILIZADOS

Gonçalo Borges (6)

Rodrigo Conceição (6)

Angel Torres (-)

 

ANÁLISE TÁTICA: CD MAFRA

A equipa comandada por Filipe Cândido atuou num 4-2-2-2, oferecendo liberdade a Rodrigo Martins e João Graça para decidirem no último terço. Ora, através das permutas posicionais dos avançados Camará e Moura numa constante procura da profundidade, o CD Mafra supreendeu e imperou no início do jogo, todavia se tenha tornado prevísivel com o decorrer da partida. Defensivamente a equipa forasteira organizou-se num 4-3-3, pressionando de forma intermitente a primeira fase de construção azul e branca.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Godinho (7)

Campos (6)

João Miguel (6)

Tomás Domingos (6)

Gui Ferreira (6)

Cuca (5)

João Graça (7)

Rodrigo Martins (7)

Kaká (6)

Moura (6)

Camará (9)

SUBS UTILIZADOS

Lee (5)

Andrézinho (6)

Wenderson (6)

Rodrigo Gui (-)

 

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Porto

BnR: Mister, o FC Porto B realizou 24 remates, conseguiu criar perigo em transição, jogo posicional e bolas paradas. O que faltou para sair daqui com pontos?

Rui Barros: O essencial do futebol é marcar golos. Penso que foi um grande jogo da nossa parte, mas é nestes momentos que se vê uma equipa. Senti-os frustrados e tristes. Não pelo mau jogo, mas por aquilo que não alcançaram. Mas há momentos assim, em que que por mais minutos que jogassemos, não iríamos fazer golo

CD Mafra

BnR: Mister, pedia-lhe uma opinião referente ao impacto que Abel Camará teve no jogo, não só pelos golos, mas também pelos apoios que fornecia aos médios e ao trabalho que executava sem bola a defender.

Filipe Cândido: Todos sabem que são importantes, cada um à sua maneira…o Abel Camará tem sido importante em todos os minutos que nós entendemos que ele deve disputar e tem tido uma entrega que nos deixa orgulhosos. Ele acaba por ter um impacto natural, porque fez na realidade os golos que nos deram a vitória, mas foi mais um que somando a todos os outros fizeram com que a equipa fosse mais forte que o adversário.

BnR: O quão fulcral considera estas próximas semanas de paragem para recuperar os jogadores do Covid-19?

Filipe Cândido: Confesso que tivemos alguma felicidade. Podemos agora naturalmente recuperar os jogadores que vão ter que ficar em casa. É de aproveitar esta paragem.

 

 

 

Diogo Silva
Diogo Silvahttp://www.bolanarede.pt
O Diogo lembra-se de seguir futebol religiosamente desde que nasceu, e de se apaixonar pelo basquetebol assim que começou a praticar a modalidade (prática que durou uma década). O diálogo desportivo, nas longas viagens de carro com o pai, fez o Diogo sonhar com um jornalismo apaixonado e virtuoso.

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