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CD Feirense x GD Chaves: Jogo cancelado e uma lição a tirar para o futebol português

Pedro Pinto Diniz · 4 min

CD Feirense x GD Chaves: Jogo cancelado e uma lição a tirar para o futebol português
Foto: Pedro Diniz/Bola na Rede

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O Bola na Rede esteve, esta noite, presente no Estádio Marcolino Castro, onde se assistiu a mais um episódio vergonhoso do futebol português.

Como é do conhecimento geral, a Covid-19 é, atualmente, o principal entrave ao normal funcionamento do futebol português. O maldito vírus que tem vitimado milhares de pessoas em todo o globo priva os adeptos de poderem entrar nos estádios e obriga a uma minuciosa inspeção de todos os intervenientes no desporto-rei. Infelizmente, neste momento, o vírus é mais forte do que qualquer boa vontade ou do que qualquer amor ao desporto, pelo que, segundo o ditado, “se não o podes vencer, junta-te a ele”, ou seja, faz de tudo para conseguires deliciar os adeptos, mas sem pôr nenhum agente do jogo em perigo.

Hoje, essa articulação para proporcionar um espetáculo digno falhou de maneira estrondosa. O GD Chaves comunicou, na manhã de hoje, quatro testes positivos à covid-19: os jogadores Raphael Guzzo e Samuel Silva, e os adjuntos Pedro Machado e Tiago Castro. Estes elementos foram afastados do plantel e entraram em isolamento obrigatório.

Ao que tudo indica, a Autoridade Regional de Saúde do Tâmega enviou um e-mail ao GD Chaves, dando conta da impossibilidade do clube se deslocar ao Marcolino Castro para disputar a primeira jornada da Segunda Liga. Os flavienses alegam não ter recebido qualquer comunicação da entidade regional, pelo que se deslocaram normalmente para o terreno de jogo.

O árbitro João Gonçalves mandou as equipas recolherem aos balneários após um longo impasse
Fonte: Pedro Diniz/Bola na Rede

Depois de os jogadores de ambos os conjuntos terem realizado o aquecimento no relvado do Marcolino Castro, e, inclusive, já com as três equipas no terreno de jogo prontas para o apito inicial, um delegado da Liga ordenou que o jogo não se iniciasse, dado que a entidade reguladora das competições profissionais em Portugal havia recebido um parecer oficial da Autoridade Regional de Saúde do Tâmega, que obrigava os atletas do GD Chaves a entrarem em quarentena coletiva, já que haviam estado em contacto com os infetados. Vejamos o que a Liga afirmou, em comunicado:

“Face à indicação recebida pela Liga Portugal através do médico Rui Capucho, da ACES do Alto Tâmega e Barroso, pouco antes das 20 horas, o organismo que superintende o Futebol Profissional decidiu, de forma pró-ativa, retardar o início do encontro entre o CD Feirense e o GD Chaves da 1.ª jornada da LigaPro, pedindo uma informação oficial do sucedido.

O relatório do Dr. Rui Capucho chegou, oficialmente e por escrito, à Liga Portugal às 20h24, dando indicação que as Autoridades de Saúde Regional e a Autoridade de Saúde Nacional decidiram que não estavam reunidas as condições para a realização do referido encontro”.

O regulamento para a retoma da prática competitiva de futebol, emitido pela Federação Portuguesa de Futebol, diz o seguinte:

“Artigo 12.º

A FPF adiará um jogo se mais de 50 por cento do número de jogadores habilitados para a prova não puder competir por motivo relacionado com COVID-19. O clube tem de fazer prova documental do impedimento de jogar através de Certificados de Incapacidade Temporária (em caso de COVID-19; emitidos pelo Médico Assistente) e/ou de
Declarações de Isolamento Profilático (em caso de contacto de alto risco de exposição;
emitidos pela Autoridade de Saúde), a entregar em momento a definir.

ARTIGO 13.º

1. Todos os casos positivos (sintomáticos ou não) de infeção por SARS-CoV-2 devem, de
imediato, ser comunicados à Autoridade de Saúde territorialmente competente e
notificados na plataforma SINAVE-Med nos termos da Lei n.º 81/2009 de 21 de agosto.
O caso positivo deve ser isolado, ficando impossibilitado de participar em treinos e
competições até à determinação de cura deliberada pela Autoridade de Saúde
territorialmente competente.
2. Os atletas e equipas técnicas da equipa na qual foi identificado um caso positivo podem ser considerados contactos de um caso confirmado. No entanto, a identificação de um caso positivo não torna, por si só, obrigatório o isolamento coletivo, das equipas. A determinação de isolamento de contactos (de praticantes e outros intervenientes), a título individual, é de estrita competência da Autoridade de Saúde territorialmente competente”.

À luz deste comunicado da FPF, vemos que seria possível o começo do jogo, não fosse a ordem dada pelo Dr. Rui Capucho, da Autoridade Regional de Saúde do Tâmega. Sendo assim, é bastante criticável a falta de comunicação entre as várias entidades envolvidas neste processo, e é condenável que não haja um fio condutor rígido a seguir neste tipo de situações.

Termino com uma demonstração de apreço ao Presidente da Liga Portugal, Pedro Proença, que, poucas horas depois do sucedido, convocou uma reunião de emergência com os clubes e suspendeu o jogo entre Académico de Viseu, que tinha três elementos infetados, e Académica de Coimbra, de forma a que casos como este, que mancham o futebol português, não se voltem a suceder.

É preciso haver a mesma qualidade fora de campo que há dentro das quatro linhas, de forma a que possamos ser um exemplo no futebol europeu e mundial.

Artigo revisto por Joana Mendes

Pedro Pinto Diniz

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