Fidelização de uma ideia de jogo

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Mas Luís Castro não parece estar sozinho nesta corrente. A 27 de Novembro de 2017, o Rio Ave FC era derrotado em casa por 0-1 frente ao Vitória SC. Na sala de imprensa, um jornalista abordou Miguel Cardoso (treinador rioavista) relativamente ao facto de a sua equipa, nos últimos minutos, não ter tentado um jogo mais direto em direção à área vitoriana – o chamado “chuveirinho” –, levando ao desespero os adeptos da casa que insistiam nesta opção. Este foi pragmático e simplesmente respondeu que a equipa não iria mudar o seu caminho, por mais obstáculos que tivesse à sua frente. Acrescentou, ainda, que era um “caminho de valorização, de futebol, de jogo, de construcção” e que o seu trabalho era convencer os jogadores de que este sim, seria o caminho.

Faz todo o sentido aquilo que Miguel Cardoso procura; ao mesmo tempo que cria uma identidade na sua própria equipa, os jogadores vão-se valorizando. O treino, o jogo, a atenção que o treinador dá a todo e qualquer pormenor ajuda os jogadores – todos e sem excepção – a atingirem o seu potencial. Aqui está a interligação que Tiago Guadalupe e Luís Lourenço abordam na sua obra!

A vertente do treino, onde Miguel Cardoso é mais forte Fonte: Facebook Oficial Rio Ave FC
A vertente do treino, onde Miguel Cardoso é mais forte
Fonte: Facebook Oficial Rio Ave FC

Felizmente para o Futebol português, este método e abordagem tem vindo a ser adotado por mais treinadores. No passado dia 29 de Janeiro, o CF “Os Belenenses” defrontou o SL Benfica no Estádio do Restelo e pudemos assistir a uma equipa azul muito comprometida com o seu modelo de jogo. Notou-se, claramente, que as ideias trazidas por Jorge Silas vieram dar uma nova alma à equipa belenense e limpar a imagem algo amorfa que esta tinha durante o período em que Domingos Paciência era o treinador. Em momento algum, ao longo dos 90 minutos, os azuis do Restelo deixaram cair a proposta de jogo a que se propuseram; o resultado disto foi que por pouco não venciam o jogo, tendo sofrido o golo do empate somente na última jogada do encontro, por intermédio de uma bola parada. No final do jogo, a promessa do recém-chegado treinador azul foi que esta era a proposta que poderiam esperar para o futuro do Belenenses, pois, segundo as suas palavras, “este é o caminho”.

Como reforço desta ideia, creio também ser pertinente dar o exemplo do GD Estoril Praia e falar na abordagem que tiveram no dia 04 de Fevereiro, quando receberam e bateram o Sporting CP, na Amoreira, por 2-0. A equipa comandada pelo madeirense Ivo Vieira trouxe para o relvado uma convicção plena de que era aquela filosofia que os poderia fazer levar de vencida o adversário e apostaram todas as fichas nessa mesma filosofia. A equipa canarinha foi, do primeiro ao último minuto, fiel a um estilo de jogo assente na qualidade da posse de bola, sem que os seus jogadores caíssem na tentação de aplicar o clássico chutão para a frente.

Quantas equipas das ditas “pequenas” se deram ao luxo de defrontar olhos nos olhos os “grandes”, construindo jogo desde trás, circulando a bola por todo o campo e fazendo variações do centro de jogo? Quantas equipas souberam ocupar bem os espaços, fazer triangulações que, em poucos toques, deixavam adversários para trás e esperar pelo momento certo para atacar, sem comprometer o coletivo? Quantas equipas deram prioridade ao todo, sem sequer pensarem na soma das partes?

Uma proposta de jogo sustentável e com boas ideias poderá ajudar os jogadores a atingirem o seu potencial, beneficiando a equipa, e também presenteará o adepto com um jogo de melhor qualidade. Afinal de contas, não será para isso que pagamos? Todos gostamos de assistir a um bom espectáculo.

Na minha opinião, os treinadores mais bem-sucedidos são aqueles que têm plena convicção no seu modelo de jogo, conseguindo convencer os seus jogadores de que eles serão capazes de encaixar as suas características nesse mesmo modelo e colocando em primeiro lugar a equipa, de forma a que possam depois – num todo – atingir o seu potencial.

Crença, qualidade e convicção. Porque Futebol é muito mais do que dar chutos na bola.

Foto de capa: futeboldeformacao.pt

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Bruno Costa
Bruno Costahttp://www.bolanarede.pt
Alfacinha de gema e Benfiquista por natureza, Bruno é um obcecado por Futebol e foi através da escrita que encontrou a melhor forma de dar a conhecer essa sua paixão pelo desporto-rei. É capaz de estar desde Segunda-feira até Domingo à noite a ver todos os jogos que passam na TV. Terá sido em pequeno que toda esta loucura futebolística foi despertada pelo seu Pai e pelo seu tio que, respetivamente, o levavam ao Estádio do Restelo e ao Estádio da Luz. Bruno não suporta facciosismos e tenta sempre ser o mais crítico possível para com o seu clube.                                                                                                                                                 O Bruno não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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