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GD Estoril-Praia 2-1 Vitória FC: Em dia soalheiro, sorriram os amarelos

Guilherme Anastácio · 5 min

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Tarde de muito calor e de decisões importantes para ambas as equipas no António Coimbra da Mota. O Estoril, último classificado com 26 pontos, recebe, em jogo a contar para a penúltima jornada do campeonato, o Vitória Futebol Clube, que ocupa o antepenúltimo posto da tabela com 29 pontos.

Com a urgente necessidade de pontuar para garantir a manutenção, Ivo Vieira, técnico dos estorilistas, modificou duas peças comparativamente ao onze da última partida (derrota na Vila das Aves por 1-0): Jorman e Matheus Savio avançaram para os respetivos lugares de Allano e de Bruno Gomes.

No lado dos sadinos, José Couceiro queria ver a sua equipa longe da zona de descida. Para tal, o técnico operou três substituições em comparação com o onze que perdeu por duas bolas a zero frente ao Feirense: Arnold, Wallyson e José Semedo cederam os lugares a Vasco Fernandes, a Nuno Pinto e a João Amaral.

O jogo começou… e de que maneira! Aos 4 minutos, numa jogada que parecia algo inconsequente, Ewandro cruzou e, na zona do segundo poste, tentando aliviar para canto, Nuno Pinto acabou por introduzir a bola na própria baliza.

Ao minuto 8, foi a vez do Vitória responder. Após um cruzamento tenso e perigoso, André Pereira antecipou-se a Renan Ribeiro e atirou por cima.

O ambiente estava ao rubro no António Coimbra da Mota. A festa nas bancadas era bem elucidativa da necessidade de pontos das duas equipas: os homens da casa não paravam de apoiar a sua equipa e os sadinos apareceram em massa.

Porém, e para infelicidade dos 3588 adeptos presentes no estádio, o ritmo de jogo abrandou. O resultado era favorável aos homens da linha e o Estoril baixou as linhas, demonstrando assim o claro objetivo de jogar cautelosamente para garantir os três pontos. O Vitória bem tentava, mas os sadinos estavam em “dia não” e pouco produziram no que diz respeito ao jogo ofensivo da equipa.

Tiago Martins apitou para intervalo e a festa dos adeptos só existia graças à filosofia dos presentes: muita festa e muito apoio.

O jogo esteve sempre fechado, mas o Estoril foi ligeiramente superior
Fonte: Bola na Rede

O segundo tempo começou e, pelo decorrer do jogo, percebeu-se logo quer nada iria mudar: poucas ocasiões e um ritmo de jogo reduzido.

Foi preciso esperar até ao minuto 57 para se cheirar a golo na Amoreira. Matheus Savio foi lançado em velocidade e, com tudo para fazer o segundo da partida, permitiu Cristiano brilhar: o guardião defendeu o remate e ainda conseguir impedir o golo na recarga.

Aos 65 minutos, machada fatal para os homens do Bonfim: Fernando Fonseca foi lançado na ala; em velocidade e “na garra”, o jovem lateral português ganhou a bola, progrediu para dentro de área a assistiu Matheus Savio; o brasileiro não tremeu e atirou a contar. Estava feito o segundo da partida e do Estoril!

Após 25 minutos de muita apatia, sem ocasiões dignas de registo, o Vitória reduziu.  A cinco minutos dos noventa, Arnold, numa das suas mais do que habituais investidas, entrou na área estorilista e assistiu André Pereira. Este, de costas para a baliza, entregou a bola a Bassan, que, assim, reduziu a desvantagem.

Dois minutos depois, o Vitória teve o empate nos pés de André Pereira. Após uma falha clamorosa da defensiva do Estoril, André Moreira teve tudo para fazer o golo: já junto da baliza, rematou e a bola só foi travada por Duarte Valente já perto da linha de baliza.

O jogo terminou e o Estoril foi um justo vencedor. Demonstrou ser uma equipa matura, na medida em que soube “segurar” o jogo mal se viu na frente do marcador. Não baixou muito as linhas, mas controlou, quase na perfeição, o jogo ofensivo dos sadinos. O jogo foi pobre: Estoril mediano e Vitória mal. Foram três importantes pontos ganhos pela equipa da linha e três importantes pontos perdidos pela equipa do Sado.

A FIGURA:

Fonte: Bola na Rede

Massa adepta – Num jogo muito pouca atrativo, a festa nas bancadas foi uma constante ao longo de toda a partida. É de realçar a adesão em massa dos sadinos, bem como o apoio intenso dos adeptos da equipa cascalense.

O FORA DE JOGO:

Fonte Bola na Rede

Edinho – O veterano avançado português passou ao lado do jogo. Foi inconsequente e em nada ajudou a sua equipa. O desalento, no final da partida, era evidente na sua cara. Porém, as lágrimas não dão pontos e hoje o Vitória não contou com o melhor Edinho.

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede – A falta de ideias no jogo ofensivo foi evidente. O que faltou a este Vitória para criar mais soberanas ocasiões de golo? Pergunto-lhe também o que faltou ao Vitória para chegar a parte da época mais tranquilo?

José Couceiro – Tivemos as oportunidades suficientes para sair com outro resultado. O jogo começa de forma anormal com um autogolo. Foi um lance infeliz do Nuno. A partir daí o jogo mudou: o Estoril baixou e procurou jogar no nosso erro. Naturalmente, depois tivemos lances suficientes para fazer o golo. No lance do Patrick, há penalti. O jogo estava aberto e se chegássemos ao empate o jogo era outro. É mais do que óbvio. É lamentável que as coisas se passem dessa forma. Os erros contra o Vitória são uma constante. Não um jogo em que se possa dizer que determinando erro beneficiou o Vitória. Por outro, são inúmeros os casos em que perdemos pontos por causa da arbitragem. É inadmissível isto acontecer num ano que há apoio de filmagens. Contudo, nosso foco não é esse. Mas não nos podemos esquecer de que aconteceu. O nosso foco é a união para vencer o Tondela e depois fazemos as contas.  Eles não mereciam isto. Foi uma época dura e difícil, mas estes jogadores não merecem descer de divisão.

Bola na Rede- Disse que o objetivo era conquistar 7 pontos nas últimas três jornadas, porém saiu derrotado no jogo contra o Aves. Acha que, mesmo ganhando ao Feirense na próxima semana, esse ponto perdido na Vila das Aves fará a diferença? O Estoril hoje demonstrou ser uma equipa matura, na medida em que soube segurar o resultado mal se viu na frente do marcador. Sente que foi esta maturidade que faltou ao longo da época?

Ivo Veira – Em primeiro lugar, todos os pontos que não foram conquistados fazem falta. Com mais pontos estaríamos mais perto do objetivo. Agora, não sei acerca desses pontos. Só na terça feira é que podermos ter uma janela mais precisa daquilo que fez falta ou não. A maturidade é a forma natural da equipa. Jogámos com 3 jogadores acima dos 25. Sabemos que os que têm mais anos de futebol chegam à hora da decisão e não tremem. Quando o jogadores está no auge na carreira não falha e nesse aspeto são melhores do que os mais jovens. Por exemplo, na semana passado podíamos estar a ganhar 2 0 ao intervalo. Os momentos de jogo têm sido definidos pelos timings: fazer golo, não fazer. Hoje soubemos sofrer até ao fim e os jogadores mereceram. Tenho também de dar uma palavra de apreço para a nossa claque. Nunca desistiram e estiveram sempre presentes ao longo da época. São um exemplo para os adeptos portugueses.

Guilherme Anastácio

Redação Bola na Rede · ver artigos