Não degolem os treinadores!

- Advertisement -

Estamos cada vez mais perto do início da nova época em Portugal, o que já faz salivar os adeptos mais entusiastas que aguardam ansiosamente pelo pontapé de saída que está marcado para o dia 18 deste mês. Como sempre acontece nesta fase, a expetativa é grande, mesmo que o panorama não seja o mais favorável, com a ausência de público nos estádios a ser a principal contrariedade do futebol moderno. Uma realidade alternativa a que nos vamos habituando e que nos faz suspirar pelo rápido regresso à normalidade, ainda que se perceba que este tenha de ser feito de forma faseada. Se recuarmos à época passada, à antiga realidade, verificamos que existiam outro tipo de contrariedades no futebol português, particularmente ligadas a determinados clubes e numa escala bastante diferente da referida anteriormente. Contrariedades essas que fizeram do último ano um dos piores da década nessa infeliz estatística e que se foram acumulando com o decorrer da temporada. Refiro-me ao despedimento de treinadores que, de repente, passou a ser uma norma no nosso campeonato, tornando-o pouco fiável para trabalhos a longo prazo.

Ainda que a aposta seja quase sempre em técnicos nacionais, a dança das cadeiras tornou-se moda em Portugal e faz com que sejamos um dos campeonatos europeus em que se passa menor tempo como timoneiro de uma equipa, fazendo lembrar os clubes brasileiros, mestres na hora de despedir. A temporada transata é um forte exemplo, com Sporting CP e SC Braga à cabeça, tendo ambos contado com quatro técnicos cada um.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Começava há um ano a troca de líderes, sensivelmente, quando no início de setembro Filó dava o lugar a Pepa no comando técnico do FC Paços de Ferreira e fazendo desse mês aquele em que houve um maior número de vítimas nos bancos, seguindo-se o mês de dezembro. Portanto, foi no início e a meio da época que o chicote mais vezes estalou e os balneários sofreram mudanças estruturais – habitualmente indesejadas para os clubes e sinal de que as coisas não estão a resultar.

Sendo quase inevitável que mais cedo ou mais tarde aconteçam despedimentos, por qualquer motivo, o desejo para este ano é que esse número seja drasticamente reduzido em relação ao anterior, para que os trajetos iniciados no começo não sejam interrompidos prematuramente. É sempre mau sinal para uma Liga quando se ‘degolam’ tantos treinadores, podendo significar má gestão dos responsáveis, aliado a projetos desportivos pouco convincentes.

Contudo, nota-se que para a nova época houve algumas apostas de risco e o cenário de mudanças precoces pode estar aí à porta. Os casos de Rio Ave FC e Vitória SC são paradigmáticos, onde Mário Silva e Tiago Mendes vão ser postos à prova pela primeira vez numa competição com maior visibilidade e acredita-se que tragam novas ideias e dinâmicas de jogo, mas, ao mesmo tempo, são apostas que trazem uma certa dose de desconfiança, pelo que o processo de adaptação e apresentação de resultados terá de ser rápido para não caírem cedo demais, num campeonato que já mostrou que não se importa de prescindir dos treinadores prematuramente.

O que é certo é que este ano teremos a promessa de um futebol mais arrojado, de maior qualidade, sobretudo pelas apostas feitas pelos clubes, o que, observando o futebol apresentado em geral no ano passado, não será muito difícil de acontecer. O meu pedido é simplesmente que não ‘degolem’ em demasia os sujeitos do costume.

André da Silva Amado
André da Silva Amadohttp://www.bolanarede.pt
O desporto em geral atrai este jovem aveirense mas é o futebol a sua maior paixão. As conversas com amigos e familiares costumam ir dar ao futebol, hábito que preserva desde sempre. Poder escrever sobre esta vertente é o que o satisfaz, com o intuito de poder acrescentar algo de positivo ao ambiente em torno do futebol nacional.                                                                                                                                                 O André escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

EM DIRETO: Francesco Farioli analisa o desfecho do FC Porto x Benfica

Francesco Farioli marcou presença na conferência de imprensa após...

Marco Silva comenta FC Porto x Benfica e ironiza: «Se o mister Farioli disse que não há coisas estranhas, então há que acreditar nele»

Marco Silva analisou o resultado do Clássico da sétima jornada da Primeira Liga, entre FC Porto e Benfica. Águias perderam por 3-1.

EM DIRETO: Acompanha o rescaldo de Marco Silva ao FC Porto x Benfica

Marco Silva fez a análise ao encontro entre FC Porto e Benfica, referente à 7.ª jornada da Primeira Liga.

Clément Lenglet torna-se no jogador do Benfica mais rápido de sempre a ser expulso num Clássico

Clément Lenglet foi expulso aos trinta e cinco minutos, sendo o atleta do Benfica expulso mais cedo de sempre num clássico.

PUB

Mais Artigos Populares

André Silva após fazer 2 assistências no FC Porto x Benfica: «Bom jogo da nossa parte»

André Silva reagiu ao resultado do Clássico da sétima jornada da Primeira Liga, entre FC Porto e Benfica. Dragões ganharam por 3-1.

603 dias e 55 jogos: FC Porto trava registo histórico do Benfica

A derrota no Estádio do Dragão frente ao FC Porto colocou ponto final na histórica série de 55 jogos invencíveis do Benfica.

Victor Froholdt após FC Porto x Benfica: «Grande atmosfera e muito orgulhoso da equipa»

Victor Froholdt reagiu ao resultado do Clássico da sétima jornada da Primeira Liga, entre FC Porto e Benfica. Dragões ganharam por 3-1.