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Não degolem os treinadores!

André da Silva Amado · 3 min

Não degolem os treinadores!
Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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Estamos cada vez mais perto do início da nova época em Portugal, o que já faz salivar os adeptos mais entusiastas que aguardam ansiosamente pelo pontapé de saída que está marcado para o dia 18 deste mês. Como sempre acontece nesta fase, a expetativa é grande, mesmo que o panorama não seja o mais favorável, com a ausência de público nos estádios a ser a principal contrariedade do futebol moderno. Uma realidade alternativa a que nos vamos habituando e que nos faz suspirar pelo rápido regresso à normalidade, ainda que se perceba que este tenha de ser feito de forma faseada. Se recuarmos à época passada, à antiga realidade, verificamos que existiam outro tipo de contrariedades no futebol português, particularmente ligadas a determinados clubes e numa escala bastante diferente da referida anteriormente. Contrariedades essas que fizeram do último ano um dos piores da década nessa infeliz estatística e que se foram acumulando com o decorrer da temporada. Refiro-me ao despedimento de treinadores que, de repente, passou a ser uma norma no nosso campeonato, tornando-o pouco fiável para trabalhos a longo prazo.

Ainda que a aposta seja quase sempre em técnicos nacionais, a dança das cadeiras tornou-se moda em Portugal e faz com que sejamos um dos campeonatos europeus em que se passa menor tempo como timoneiro de uma equipa, fazendo lembrar os clubes brasileiros, mestres na hora de despedir. A temporada transata é um forte exemplo, com Sporting CP e SC Braga à cabeça, tendo ambos contado com quatro técnicos cada um.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Começava há um ano a troca de líderes, sensivelmente, quando no início de setembro Filó dava o lugar a Pepa no comando técnico do FC Paços de Ferreira e fazendo desse mês aquele em que houve um maior número de vítimas nos bancos, seguindo-se o mês de dezembro. Portanto, foi no início e a meio da época que o chicote mais vezes estalou e os balneários sofreram mudanças estruturais – habitualmente indesejadas para os clubes e sinal de que as coisas não estão a resultar.

Sendo quase inevitável que mais cedo ou mais tarde aconteçam despedimentos, por qualquer motivo, o desejo para este ano é que esse número seja drasticamente reduzido em relação ao anterior, para que os trajetos iniciados no começo não sejam interrompidos prematuramente. É sempre mau sinal para uma Liga quando se ‘degolam’ tantos treinadores, podendo significar má gestão dos responsáveis, aliado a projetos desportivos pouco convincentes.

Contudo, nota-se que para a nova época houve algumas apostas de risco e o cenário de mudanças precoces pode estar aí à porta. Os casos de Rio Ave FC e Vitória SC são paradigmáticos, onde Mário Silva e Tiago Mendes vão ser postos à prova pela primeira vez numa competição com maior visibilidade e acredita-se que tragam novas ideias e dinâmicas de jogo, mas, ao mesmo tempo, são apostas que trazem uma certa dose de desconfiança, pelo que o processo de adaptação e apresentação de resultados terá de ser rápido para não caírem cedo demais, num campeonato que já mostrou que não se importa de prescindir dos treinadores prematuramente.

O que é certo é que este ano teremos a promessa de um futebol mais arrojado, de maior qualidade, sobretudo pelas apostas feitas pelos clubes, o que, observando o futebol apresentado em geral no ano passado, não será muito difícil de acontecer. O meu pedido é simplesmente que não ‘degolem’ em demasia os sujeitos do costume.

André da Silva Amado

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