Não é esse o futebol que me faz largar tudo

- Advertisement -

No futebol português, é raro haver consensos, mas creio que há um que supera todas as divergências: o futebol é uma festa. Ou pelo menos, é suposto ser. É suposto ser alegria, diversão, emoção… fazer-nos largar tudo para acompanhar os nossos clubes. Isto é o que fazem os verdadeiros adeptos. Fazem do futebol uma festa. Infelizmente, não é o que tem acontecido nos jogos da Liga Portuguesa.

Não sei bem como nem porquê, mas nos últimos anos, a ténue linha que separa adeptos fervorosos de adeptos criminosos, foi totalmente apagada. Hoje em dia, lançar tochas e petardos, arremessar cadeiras e destruir estádios faz parte do quotidiano do futebol português. Espanta-me que tenhamos deixado esta situação ir tão longe. Entristece-me que hoje, o futebol não seja sobre os 22 homens que se divertem em campo e dão tudo para alegrar também os seus adeptos.

Esta situação já se arrasta não há dias, semanas, meses, mas sim anos. Perdemos o controlo. Actualmente, não é seguro famílias irem aos estádios ver a bola, porque estão sujeitas a ser agredidas; as crianças têm medo dos petardos e das tochas, os adultos pagam bilhete para verem jogos interrompidos por largos minutos por não haver visibilidade. Não é esse o futebol que nos apaixona. Em que claques matam adeptos, param jogos, em que adeptos são feridos e  que árbitros são agredidos. Agora, o que fica para a história, não é o golo, não é o drible, não é a jogada mais bonita, é o petardo que rebentou nas costas do guarda-redes e que fez o árbitro parar o jogo.

Queixamo-nos constantemente que o nosso futebol é pouco competitivo, tem pouco tempo útil de jogo, e isso impede-nos de ombrear com os tubarões na Europa. Pois bem, quando os “adeptos” passam as marcas e interferem desta maneira no jogo, o problema só se agrava. O exemplo mais flagrante é o último Vitória SC x SL Benfica, no sábado passado.

Duas equipas fantásticas, com os melhores adeptos do país. Mas, como se viu, no meio desses adeptos havia outros; aqueles sem nome, nem identidade, que estão sempre nos estádios, a apoiar mas também a destabilizar. Um jogo tão bonito, virou um filme de terror cheio de paragens e peripécias. Mas julgam que lançar cadeiras para o relvado não destabiliza também a vossa equipa? Julgam que parar o jogo alivia os vossos jogadores? Sou admiradora das claques, quando estas mobilizam um estádio inteiro para empurrar a equipa para a vitória. Quando se descontrolam, não ajudam ninguém.

Não há qualquer dúvida que os clubes devem viver dentro da legalidade, contudo a Lei que hoje regula as claques e a sua legalização em nada protege o mundo desportivo.
O mau comportamento dos adeptos tem vindo a assombrar o campeonato português
Fonte: SL Benfica

Sou o tipo de adepta que acredita cegamente, que um estádio cheio de pessoas a cantar a uma só voz, a plenos pulmões, é capaz de marcar um golo; de ganhar jogos; de fabricar campeões. Esses são os adeptos. Os outros? Não sei. O que sei é que, interromper jogos e destruir estádios não é digno do nome “adepto”. Não é esse o futebol que me faz largar tudo.

Foto de Capa: Bola na Rede

 

Inês Figueiredo Mendanha
Inês Figueiredo Mendanhahttp://www.bolanarede.pt
A Maria é uma orgulhosa barqueirense (e por inerência barcelense ) que aprendeu a gostar de futebol antes de saber andar. Embora seja apologista das peladinhas entre amigos, sai-se melhor deixando o que pensa gravado em papel. Benfiquista de coração e Gilista por devoção é sobretudo apaixonada pelo futebol que faz o país parar quando a bola começa a rolar.                                                                                                                                                 A Maria escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Pierluigi Collina explica as novas regras do futebol

Pierluigi Collina revelou novas medidas da FIFA para acelerar o jogo, sublinhando que a prioridade é evitar perdas de tempo e não aumentar as punições.

2 equipas de arbitragem portuguesas na Liga das Nações Feminina

A UEFA escolheu duas equipas de arbitragem portuguesas para jogos da Liga das Nações feminina, que também contam para a qualificação do Mundial de 2027. 

Tonel antecipa Clássico entre FC Porto e Sporting: «Equipas muito organizadas do ponto de vista tático»

O antigo jogador Tonel prevê um Sporting-FC Porto equilibrado e muito tático na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, destacando a organização das equipas como fator decisivo, em vez da emoção do clássico.

Léo Chu emprestado pelo Alverca ao Athletic Club

O Alverca confirmou o empréstimo de Léo Chú ao Athletic Club. Em comunicado publicado no site oficial, o clube ribatejano desejou ao avançado, as maiores felicidades pessoais e profissionais.

PUB

Mais Artigos Populares

Luke Shaw e Harry Maguire forçados a sair por lesão na vitória do Manchester United

Durante a vitória por 2-1 sobre o Crystal Palace, Michael Carrick revelou que Luke Shaw e Harry Maguire não se sentiam bem e tiveram de abandonar o campo. 

Atenção, Benfica: Stije Resink sofre lesão grave pelo Groningen e tem resto da época e transferência no verão em risco

Stije Resink lesionou-se no duelo entre o Groningen e o Volendam. Para lá da derrota, a gravidade da lesão preocupa os neerlandeses.

Rio Ave trava Famalicão e volta aos pontos no 7º desaire consecutivo na Primeira Liga

Notícias boas para o Rio Ave, apesar de mais um desaire. Vilacondenses voltaram aos pontos com empate diante do Famalicão.