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O estranho caso de Jackson Martinez

Ricardo Rafael Silva · 2 min

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O mundo dá muitas voltas, e o futebol dá ainda mais voltas. Jackson Martínez que o diga, aos 33 anos o jogador hoje em dia passa despercebido nas partidas, os golos são cada vez mais raros e as dores levaram a melhor sobre o colombiano, que na sua passagem pelo FC Porto era temido por todas as linhas defensivas.

Passemos os olhos pela carreira do “Cha Cha Chá”. A sua carreira começou no Independiente Medellín, clube no qual se formou e permaneceu durante seis temporadas, antes de ser negociado com o Jaguares, equipa mexicana. Por lá ficou duas épocas e rapidamente chamou as atenções para o seu estilo irreverente, o FC Porto investiu 8 milhões na sua contratação. O preço depressa foi justificado com impressionantes prestações.

Fonte: FC Porto

Em três épocas de azul e branco, traduzidas em 136 jogos, gritou-se golo de Jackson em 92 ocasiões e ajudou a vencer três títulos, entre eles a edição de 2012/13 do campeonato português. Para além disso, começou a ganhar destaque também na seleção, fazendo parte da comitiva colombiana para o Mundial de 2014 e Copas Américas de 2011 e 2015.

Estes foram os motivos para o Atlético de Madrid gastar 31 milhões de euros na sua contratação. Neste momento tudo mudou para o internacional colombiano. Na capital espanhola, o jogador não conseguiu render e, passados meia época e uns míseros três golos, foi vendido ao Guangzhou Evergrande. Apesar da sua passagem por Madrid ter ficado aquém das espectativas, a venda rendeu 42 milhões de euros, o que o tornou o jogador mais caro até à data contratado por clubes chineses.

Na China ficou dois anos e, mais uma vez, o jogador, simplesmente, não rendeu com apenas quatro golos e, ainda mais curiosamente, só atuou em 16 ocasiões. Nesta altura começaram a surgir rumores de que uma lesão de longa duração assombrava o colombiano. Até que então foi descoberta uma lesão crónica nos tornozelos.

A este ponto a sua carreira foi posta em causa, as dores não abandonavam o atleta, resultando num tempo de paragem de cerca de meia temporada. Até que o Portimonense SC deu uma nova oportunidade a Jackson, o regresso a Portugal permitiu sonhar num salto exponencial de rendimento, o que acabou por não acontecer.

O facto de jogar e treinar é uma luta diária, o jogador não consegue treinar três dias seguidos e excecionalmente consegue jogar 90 minutos. A vontade, neste caso, tem superado a dor; a paixão de Jackson Martínez a este desporto é emocionante e inspiradora.

Nunca mais vamos ver o matador que brilhou no FC Porto, a verdade é essa. Um dos avançados que mais marcaram na sua passagem por terras lusas hoje combate o próprio corpo para fazer aquilo de que mais gosta. A carreira de Jackson está por um fio; quando as dores se tornarem insuportáveis o jogador não terá outra opção a não ser pendurar as botas.

Foto de Capa: Portimonense SC

Ricardo Rafael Silva

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