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O invicto Boavista FC: O início que necessita de continuidade

Carlos Ribeiro · 3 min

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Quando caminhamos para a oitava jornada do campeonato nacional e depois de um mês de paragem – algo quase inaudito em todo o futebol europeu –, há uma equipa que está a suscitar o interesse dos adeptos porque está a fazer um dos melhores inícios de temporada desde que voltou a estar onde mais merece: no mesmo lago onde nadam os grandes.

Com o experiente Lito Vidigal ao leme, o Boavista FC pretende voltar a ter uma grande preponderância nas contas da primeira metade da tabela classificativa, onde, aliás, está. Após sete rondas, encontra-se no 7º posto, com 11 pontos conquistados. O maior feito é o facto de ainda estar sem qualquer derrota, sendo juntamente com o FC Famalicão, as únicas duas equipas que ainda estão invenciveis na Primeira Liga.

No entanto, este bom registo não mascara outro não tão positivo. Se por um lado realçamos a veia imbatível dos axadrezados, por outro temos de também dar destaque à sua falta de vitórias. Desses 11 pontos, apenas dois foram vitórias, com os outros cinco jogos a resultarem em empates. Sofrem poucos golos, mas também têm pólvora seca no ataque.

Uns dirão que “não se pode ter tudo” e com o orçamento do Boavista FC, estes não são maus resultados. Porém, também sabemos que nos dias que correm o “futebol-espetáculo” é cada vez mais uma exigência: os adeptos axadrezados são exigentes e como qualquer “torcida”, gostam de ganhar… se possível, a jogar bem!

É precisamente aqui que queria chegar. Lito Vidigal não é propriamente o treinador mais ofensivo que se podia arranjar, mas traz outras coisas à equipa, como estabilidade, coesão defensiva e, sobretudo, um enorme coração. A equipa pode não jogar um futebol esteticamente fantástico, nem passar grande parte dos minutos na área dos adversários, mas tem uma garra que não se esgota. Algo que lhe permite conseguir, por exemplo, resultados como o empate ao cair do pano em Guimarães (1-1), ou empate frente ao Sporting CP, onde até esteve a vencer.

A equipa tem bons valores individuais, como Yusupha, Heriberto, Alberto Bueno e os experientes Ricardo Costa e Mateus, para citar alguns deles. No entanto, falta qualquer coisa a esta equipa para carburar com a qualidade que o seu potencial evidencia. Como espectador, não me entusiasma ver este Boavista FC jogar à bola, mas a verdade é que estão na primeira metade da tabela classificativa e os pontos são essenciais para que a manutenção seja atingida o mais rapidamente possível.

GD Chaves vs Boavista FC, jogo que os transmontanos venceram por 2-1, para a Taça de Portugal
Fonte: GD Chaves

A paragem para os compromissos internacionais não parece ter feito bem aos axadrezados, bem como o excesso de “bazófia” do seu presidente, Vítor Murta. A prova disso foi a derrota frente ao GD Chaves, que ditou a eliminação do Boavista FC aos pés do clube que milita no segundo escalão do futebol nacional, mas que ainda no ano passado estava na primeira divisão.

Aliás, o resultado disto para hostes boavisteiras é que os adeptos já começaram a pedir a demissão de Lito Vidigal, mesmo após esta demissão, sendo apenas acalmados pelo presidente, pelo capitão Idris e ainda por alguns elementos da equipa técnica. O mesmo que presidente que disse no início deste mês que já tinha mandado limpar o “espaço no Museu” do clube que está “destinado a uma taça”. A aposta da Taça de Portugal era forte e discursos como estes podem dificultar ainda mais a vida ao seu treinador.

Vamos esperar por uma resposta da equipa já no sábado, embora esta seja uma visita a um terreno difícil: Moreira de Cónegos para defrontar o Moreirense FC. Um Boavista FC num bom momento é sempre uma boa notícia para o futebol português, mas avizinham-se testes importantes à sua invencibilidade…

Foto de Capa: Boavista FC

Carlos Ribeiro

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