Publicidade

Vasco Seabra não merecia ser despedido do Bessa

Diogo Pires Gonçalves · 3 min

boavista fc
Foto: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Comentários (2)

A movimentação no mercado do Boavista FC nada fazia prever o desfecho que a nona jornada trouxe; a administração axadrezada acertou a rescisão com Vasco Seabra. Miguel Cardoso e Jesualdo Ferreira são os nomes apontados à liderança do plantel do Bessa. No entanto, nesta altura parece que Jesualdo Ferreira é praticamente um nome certo para a liderança da equipa axadrezada.

Em momento oportuno tracei uma época gloriosa para o clube da cidade invicta, mas se há algo que o futebol rejeita liminarmente são “futurologias”. A qualidade individual que previ no plantel comprovou-se, mas não foi suficiente. Faltou combiná-la e transformá-la num jogo coletivo igualmente forte.

A vitória caseira frente às águias (3-0) na sexta jornada prometia ser o ponto de viragem, mas seguiram-se mais uma derrota, uma vitória e dois empates – o triunfo, no entanto, foi apenas no prolongamento frente ao FC Vizela (0-1), para a Taça de Portugal.

O maior receio que tracei no final de setembro confirmou-se; à mínima instabilidade e escassez pontual, recai tudo sobre o treinador e o chicote estala com a mesma facilidade e leveza com que Alberth Elis passou por Vertonghen e chapelou Vlachodimos.

É certo que os resutados roçam o paupérrimo; dez partidas oficiais, apenas duas vitórias, cinco empates e três derrotas. 11 golos marcados e 15 sofridos. São resultados muito curtos e um desempenho defensivo demasiado frágil para o plantel que apresenta.

No entanto, não é menos verdade que o plantel é praticamente todo novo, com os jogadores a criarem os primeiros laços de química e entrosamento não só entre si, mas também com o treinador. Não seria também de esperar um arranque possivelmente lento, com alguns dissabores?


Novos tempos, novas realidades; à falta de público no estádio, a pressão é agora feita nas redes sociais, nas caixas de comentários, onde se pode ler de tudo. Do zero ao 100 em dois comentários. O mais fácil neste momento será apontar mil e uma razões para o insucesso deste “casamento” de Vasco Seabra com as panteras, mas o principal, parece-me, foi a junção de juventude e falta de experiência da quase totalidade do plantel com a do prórpio treinador.

O que é feito do bom e velho “tempo”? Vasco Seabra é despedido com menos de dez partidas disputadas e isso é insuficiente para implementar uma ideia nova de jogo com um plantel remodelado. Sim, porque a ideia de jogo é completamente diferente da que o Boavista FC propõe há anos e talvez aí esteja a chave para uma decisão precoce e pouco ponderada.

Abandonar o grito e a abordagem aos lances como se fossem o último custa à massa adepta e associativa, mas a nova proposta era mais agradável para quem gosta de futebol. Bola no chão, envolvimentos elaborados e jogadores de enorme qualidade técnica entre linhas.

Convém não esquecer que Angel Gomes tem brilhado pela sua qualidade inata, mas também precisamente por causa da proposta de jogo de Vasco Seabra. Peçam-lhe agora para jogar na raça e no choque e vamos ouvir dizer daqui por uns tempos que afinal era um flop…

Contratar Vasco Seabra prometia ser uma aposta na continuidade, num projeto paciente, demorado e, acima de tudo, palneado. A abordagem ao mercado de transferências apontava também para isso, mas estamos em Portugal, o país à beira mar plantado que espera resultados do dia para a noite. Ao mesmo tempo, é o país que está sempre pronto para bater os recordes de treinadores despedidos ccom poucos meses de trabalho.

Este despedimento diz mais da qualidade do dirigismo português do que da qualidade do Vasco ou do plantel axadrezado. Ombrear com os grandes também exige que se pense comc tal. Veremos o que o futuro reserva a este Boavista FC nesta temporada desportiva.

Diogo Pires Gonçalves

Redação Bola na Rede · ver artigos

Comentários 2

  1. Elton

    Eu concordo em parte com a tua opinião Diogo Gonçalves mas acho que mesmo que os dirigentes muitas das vezes precipitam nas decisões na primeira liga este não é um dos casos porque para mim o Vasco é treinador que tem muito futuro com o seu futebol de posse mas não teve pulso para comandar a equipa e também acho que ele fez uma má analise em certos jogadores que não deveriam ser titulares e que ele insistia. Para mim um treinador capaz é aquele que analisa bem o que está errado e estar sempre pronto para mudanças. Eu acho que mesmo que ele continuasse não teria o desempenho desejado portanto para mim fizeram uma boa escolha. Em relação ao novo treinador quero ver até que ponto pode trazer algo novo ao Boavista e espero que sim porque acho que esta equipa tem muito para acrescentar à liga Portuguesa.

    1. Diogo Gonçalves

      Claro, o Vasco não fica isento de culpas, não terá feito tudo de forma perfeita. Se assim fosse ainda seria o treinador. O que pesou, na minha opinião, além da necessidade de apresentar resultados, foi a expectativa demasiado elevada em relação às debilidades deste projeto ainda numa fase precoce. Isto é, com plantel e treinador novo, seriam de esperar alguns erros, incluindo os que referiu em relação às escolhas do Vasco. Com Jesualdo Ferreira haverá a experiência que o Vasco não tinha, mas a qualidade do plantel continua lá, por isso as expectativas continuam altas para este Boavista!

Respeita os outros leitores: insultos, spam e discurso de ódio são removidos. Política de privacidade.

Continua a ler

as mais recentes
Fórmula 1

Antevisão GP Singapura: Max Verstappen conquista a 50.ª pole position da carreira

A ANTEVISÃO: MAX VERSTAPPEN CONQUISTA A PRIMEIRA POLE EM SINGAPURA, OS FERRARI PROMETEM DAR LUTA E A MERCEDES FICA AQUÉM DAS EXPETATIVAS Está a ser um fim de semana perfeito para Max Verstappen. Depois da vitória na corrida Sprint, o tetracampeão mundial foi o mais rápido no circuito de Marina Bay e conquistou a sua primeira pole position em Singapura e a 50.ª da carreira na Fórmula 1. Será que o Max Verstappen do final de 2025 está de volta?

Gonçalo Carneiro · 3 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Lamber as feridas do Dragão | Benfica x Vitória SC

Quase três semanas depois, e com muita polémica em torno da seleção nacional, as emoções do campeonato estão de volta. O Benfica é o último dos três grandes a apresentar-se nesta jornada. Após os triunfos de Sporting e FC Porto os encarnados estão obrigados a vencer para não se atrasarem ainda mais na corrida pelo título. As águias vão defrontar o Vitória SC, que tem estado a realizar um campeonato aquém das expetativas, e este poderá ser o adversário ideal para sarar as feridas provocadas no Estádio do Dragão. Marco Silva tem algumas dores de cabeça para esta partida, mas nada que não se resolva. O treinador encarnado não vai poder contar com os lesionados Daniel Banjaqui, Alexander Bah, Jaden Umeh, Jakub Kaminski e Enzo Barrenechea. Georgiy Sudakov é o único do departamento médico que está em dúvida. Clément Lenglet também não vai a jogo por estar a cumprir castigo após a expulsão frente ao FC Porto. Oportunidade para Alessandro Circati estrear-se como titular no eixo da defesa.  Com Banjaqui e Bah indisponíveis, Fredrik Aursnes irá ocupar o lado direito da defesa. Nada que o médio norueguês já não esteja habituado, pois recentemente desempenhou essa função ao serviço da sua seleção. Em relação a Sudakov, mesmo que entre na convocatória não será titular. Andreas Schjelderup deverá ocupar novamente a posição 10 atrás de Vangelis Pavlidis.

Rui Alves Maria · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.