Álcool nos estádios: Um passo que pode encher bancadas

- Advertisement -

Na passada semana ganhou destaque a discussão sobre o regresso da venda de bebidas de baixo teor alcoólico nos estádios de Portugal e ainda bem que este tema chegou, finalmente, à praça pública. Aos anos que há um problema de assistências nos estádios – com apenas cinco (!) clubes da Primeira Liga a conseguirem passar a média de 10 mil espectadores nas bancadas na época 2017/18 – e o regresso da cerveja aos palcos do futebol nacional pode mesmo ser o tónico que falta para os adeptos acudirem às bancadas.

Numa altura em que os clubes pequenos sofrem de grandes dificuldades para chamar público aos estádios e para tirar do sofá o comum-adepto que fica em casa a ver os jogos na televisão, é essencial oferecer ao público aquilo que mais procura consumir quando assiste a um jogo de futebol e pode mesmo ser a peça que falta para aumentar as assistências nas bancadas porque, mais acessível que conseguir criar uma equipa de qualidade e a praticar bom futebol, os clubes podem oferecer uma experiência de jogo que divirta e envolva as gentes locais, algo que o futebol português atual, com todas as suas restrições, acaba por não conseguir fazer.

A diretora executiva da Liga Portugal, Helena Pires, teve uma afirmação curiosa mas cheia de razão, referindo que a mentalidade portuguesa é de “tremoço e cerveja” e, realmente, o comum adepto de futebol em Portugal é muito levado pela festa que envolva cerveja e petiscos, pelo que não é de surpreender que muitos deles prefiram ficar encostados ao balcão de uma tasca em vez de perderem várias horas ao frio, à chuva, no trânsito e tudo por causa de um jogo de futebol que não oferece nada a não ser 90 minutos de uma partida que pode nem ser agradável de se assistir.

Quer se queira, quer não, o convívio entre adeptos é feito geralmente com uma bebida de eleição: a cerveja. Cortar esse elemento fundamental do espetáculo do futebol é fazer com que haja menos motivos para ir ao estádio e cortar na satisfação do público, aumentando exponencialmente as bancadas vazias e a falta do elemento mais importante para um clube: o adepto.

Bancadas vazias têm sido uma imagem comum no futebol português
Fonte: FC Arouca

O leitor já se deve estar a questionar: “mas João, então e a segurança?”. Apesar de ser uma questão importante, garantir a venda de cerveja nos recintos de jogo pode permitir um maior controlo das forças de segurança, que conseguem, desde cedo, manter os adeptos controlados em vez de ter de lidar com público embriagado e resmungão a chegar em cima da hora à entrada para as bancadas, conseguindo escoar mais facilmente o público e evitando os vários casos de atrasos na entrada que os adeptos visitantes têm sentido esta temporada.

Além disso, se a proibição da venda de álcool tivesse um papel fundamental na segurança, então o futebol português seria tranquilo e nunca existiriam escaramuças entre adeptos, coisa que é, infelizmente, abundante por cá.

Para que o futebol português seja uma festa que encha bancadas, é preciso oferecer aos adeptos aquilo que mais procuram durante um convívio: cerveja. Sem isso, de que vale sair de casa?

 

Foto de Capa: Bola na Rede

João Reis
João Reishttp://www.bolanarede.pt
Desde de 1993 que a cor que lhe corre nas veias é vermelha e branca! Quando era mais novo, chegou a jogar no clube rival de Lisboa, mas nunca escondeu que o seu grande amor era o Glorioso. Tem uma enorme admiração pelo Liverpool FC. Gostava de um dia ir a Anfield Road e cantar bem alto a canção que imortalizou os Gerry & The Pacemakers: "You'll Never Walk Alone!" A dar os primeiros passos como treinador de futebol, o seu maior sonho é treinar o clube de coração e alma, o Sport Lisboa e Benfica.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Dário Essugo sobre ter sido capitão do Chelsea: «Foi uma surpresa, mas claro que também foi um gosto»

Dário Essugo foi o capitão do Chelsea no jogo de preparação frente ao Johor DT. Médio português de 21 anos já reagiu.

João Gião e o empate na estreia no comando do CD Nacional: «Sofremos um golo num erro que é meu»

João Gião analisou o empate a dois golos entre Santa Clara e CD Nacional. Técnico lamentou a impaciência da sua equipa com bola.

Rio Ave fecha defesa-central que joga no Brasil: eis os detalhes

Rodrigo Gomes vai ser jogador do Rio Ave. Defesa-central de 20 anos já está em Vila do Conde e vai assinar um contrato válido de quatro épocas.

Já é conhecido o próximo clube de Alexis Sánchez

Alexis Sánchez vai ser jogador do CF Montréal. Avançado chileno de 37 anos assinará um contrato válido de dois anos com o clube do Canadá.

PUB

Mais Artigos Populares

Saiu do Braga neste verão e já se conhece o próximo destino

Florian Grillitsch vai ser jogador do Frosinone (Itália) depois da passagem pelo Braga. Médio assina contrato até 2027 com opção adicional.

FC Porto tem interesse em avançado do PSG

O FC Porto está interessado em Ibrahim Mbaye. Jovem extremo de 18 anos joga no PSG e tem contrato válido por duas épocas.

Época 2026/27 arranca em força: Eis todos os resultados da jornada inaugural da Primeira Liga

A primeira jornada da temporada 2026/27 na Primeira Liga foi encerrada com o Santa Clara x CD Nacional. Fica com todos os resultados.