«Apareceu o FC Porto, não deu. Apareceu o Sporting, não deu. Só faltava o Benfica e esse era gigante» – Entrevista BnR com Manduca

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– Da Finlândia para Felgueiras –

BnR: Como é que acabas por vir para Portugal?

GM: Vim para Portugal para o Felgueiras através do Manuel Barbosa, que era um empresário conceituado na altura. Ele apresentou-me um projeto para subir de divisão, o Diamantino Miranda era o treinador, tinha jogadores como [Fernando] Meira, Pedro Mendes, Lixa, Rui Pataca, Paulo Sérgio… a equipa era forte, só com jogadores jovens. Foi muito boa a experiência. Depois a minha carreira desenvolveu-se em Portugal: nessas equipas pequenas como Felgueiras, Esposende, depois no Chaves já era uma equipa que lutava para subir à Primeira Liga, mas nunca conseguimos.

BnR: Voltemos ao Felgueiras: fazes meia época de grande nível, mas depois desapareces na época a seguir. O que aconteceu?

GM: Quando comecei a segunda temporada aqui em Portugal, as coisas não correram bem, não estava a jogar. Fomos obrigados a procurar novos ares e aí surgiu o Esposende, clube pequeno que estava para descer. Fui para lá e correu bem, em 11 jogos fiz 7 ou 8 golos e foi dali que dei um passo para o Chaves.

BnR: E foi no Chaves que conseguiste estabilidade pela primeira vez na carreira sénior…

GM: Foi quando me afirmei mesmo. Tive uma sequência de jogos, de crescimento. Também cheguei jovem ao Chaves, tinha 20 anos. Ainda era um menino.

BnR: Marcou-te a passagem por Trás-os-Montes?

GM: Com certeza. Foi uma transição importante para a minha carreira. Até então, não me consegui destacar no Felgueiras, fui emprestado ao Esposende, onde tive meia época fantástica e aí surgiu o Dito, que foi treinador do Chaves com o Lemos Ferreira a adjunto, que me convidaram para ir para lá, que era um clube tradicional, de Primeira Liga, uma estrutura melhor, numa cidade que vive muito o futebol. Como era jovem, foi muito importante, dos 20 aos 23 anos formei bastante o meu carácter como jogador, cresci bastante.

BnR: O Tony Silva, que jogou contigo no Chaves, disse numa entrevista que só recebeu 16 dos 40 meses que jogou lá. Também te aconteceu o mesmo?

GM: Não, não tive esse problema. Quando saí do Chaves para o Paços de Ferreira, deviam-me dois meses, mas depois pagaram-me, não me ficaram a dever nada. Não tenho esse motivo para reclamar.

BnR: Depois de Chaves, vais para a Primeira Liga no Paços de Ferreira. Um salto na tua carreira, mas foi uma época difícil para o clube…

GM: Imagina, eu a penar cinco anos na Segunda Liga, a lutar para chegar à Primeira, e consigo dar esse saltinho para o Paços de Ferreira, numa equipa estruturada, com pessoas sérias, que vivem para o futebol. Aquele Paços que todos conhecem: um clube sério, mas as coisas não correram bem em termos de equipa. Para mim foi bom, joguei bastante, tive uma época razoavelmente boa, não foi fantástica, mas foi uma boa época para primeiro ano na Primeira Liga. A equipa cai de divisão e eu fiquei arrasado, lutei para chegar lá e estar de volta à Segunda Liga… Aí, nas últimas semanas de mercado, apareceu o Marítimo que me comprou ao Paços de Ferreira, era o Cajuda o treinador, e dei um saltinho melhor.

João Reis Alves
João Reis Alveshttp://www.bolanarede.pt
Flaviense de gema e apaixonado pelo Desportivo de Chaves - porque tem de se apoiar o clube da terra - o João é licenciado em Comunicação e Jornalismo na Universidade Lusófona e procura entrar na imprensa desportiva nacional para fazer o que todos deviam fazer: jornalismo sério, sem rodeios nem complôs, para os adeptos do futebol desfrutarem do melhor do desporto-rei.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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