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Boxing Day: A aplicação em Portugal e o potencial não aproveitado

David Vinagreiro · 2 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

Desde sempre que estamos habituados a que durante a época natalícia o futebol português tenha uma paragem, paragem na qual nos resta desfrutar do futebol de outras ligas europeias, com principal destaque para a liga inglesa. Estamos nós na “ressaca” do Natal, quando no dia 26, o Boxing Day, já se joga em terras de sua majestade. Os jogos à tarde e ao final da manhã, os estádios cheios, e uma fase do campeonato em que as equipas se vêm obrigadas a jogar praticamente de três em três dias. Enquanto tudo isto acontece, por norma, o nosso futebol encontra-se de férias.

Será que faz sentido? Não faria mais sentido aproveitar esta fase em que existem mais pessoas de férias e em que muitos emigrantes voltam ao país para passar a quadra natalícia para realizar mais jogos e poder ter assim mais assistências nos estádios? Esta época observamos que algo já está a ser feito nesse sentido, mas talvez não da forma mais correta. A marcação de duas jornadas da Taça da Liga para esta fase da época acabam por preencher a tradicional pausa do nosso futebol, mas sendo esta a competição nacional com menor prestígio e sendo os jogos disputados em horários noturnos, acabam por não resultar da melhor forma.

Fonte: redcafe.net
Fonte: redcafe.net

O que vimos na jornada desta semana foram alguns jogos com os estádios com muito pouco público. Sendo os jogos marcados em datas mais próximas do dia de Natal e do dia de Ano novo, com horários diurnos e sendo estes jogos da primeira liga (como serão na jornada disputada dia 3 de janeiro), certamente despertaria um interesse maior nos adeptos, e ver-se-iam certamente mais famílias a ir ao futebol.

Além desta fase da época, a liga ganharia muito mais em apostar em horários diurnos do que em horários noturnos. Libertar o horário de domingo a meio da tarde, de forma a não retirar publico aos campeonatos não profissionais, mas apostar no restante horário para que o público português volte a criar o habito de ir mais vezes ao estádio, e que volte a ser (como já foi), a rotina habitual de “domingo à tarde”. Sendo Portugal um país que vive o futebol de forma intensa, onde a toda a hora se discute e analisa futebol, não faz sentido que depois, na “hora da verdade”, grande parte dos estádios tenham uma quantidade de espetadores tão reduzida.

O potencial existe, basta tomar as opções certas e pensar mais no futuro do nosso futebol, em detrimento de ceder apenas às exigências das estações televisivas. Só assim se poderá aproveitar todo o potencial que o futebol do país campeão europeu possui.

Foto de capa: bleacherreport.com

David Vinagreiro

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Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
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