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Campeonato de Portugal, o Campeonato da Indignação

Mário Silva da Costa · 2 min

Campeonato de Portugal
Foto: FPF

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O Governo de Portugal, em conjunto com a Direção-Geral de Saúde, decretou uma paragem das competições não profissionais no fim-de-semana de 31 de outubro e 1 de novembro. Muitos dos clubes do Campeonato de Portugal não acharam especialmente interessante esta ideia de passarem o fim-de-semana sossegados, e por isso subscreveram uma Nota de Repúdio na qual expressaram as suas indignações.

Nesta Nota de Repúdio, que foi subscrita por 42 clubes, fica patente um agradecimento à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e às Associações Distritais e Regionais por todo o esforço que fizeram para que a bola rolasse mesmo neste fim-de-semana, mas acabou por não resultar.

Parece bastante fácil simpatizar com esta posição dos clubes e até partilhar da mesma. Afinal, ajuntamentos em provas de velocidade ou em sessões de visionamento de ondas são tão perigosos para a saúde pública como ajuntamentos relacionados com futebol. Desengane-se quem acredita o excesso de velocidade atrapalha o bicho, ou que o bicho foge da água das ondas. Na verdade, é até necessária uma correção àquilo que acabou de ler. É que os ajuntamentos relacionados com futebol, principalmente nestes jogos do Campeonato de Portugal, são até muito menos perigosos em termos de saúde pública. Não nos esqueçamos de que, com um orçamento que não permite grandes luxos, estes clubes ainda investem bastante em testes e medidas de segurança, garantindo que os atletas e staff não vão servir a modalidade estando contaminados. No final, e com alguma sorte, ainda lhes sobra algum dinheiro para adquirirem duas ou três bolas para os treinos.

Outro dado bastante relevante para esta discussão é o facto de esta competição não profissional estar completamente recheada de profissionais, que se vêm assim impedidos de desempenhar a sua atividade.

Os clubes do Campeonato de Portugal, em particular os que promoveram um ajuntamento de 42 clubes (peço desculpa, caro leitor, mas pareceu-me a expressão adequada) na subscrição desta Nota de Repúdio merecem mais respeito e alguma ajuda, pois corremos um sério risco de que para muitos “não vá ficar tudo bem”.

 

Mário Silva da Costa

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