Como desacreditar o VAR num piscar de olhos

- Advertisement -

Quando se esperava que o VAR trouxesse mais acerto e calma ao futebol nacional – e mundial – o oposto aconteceu e poucos o podiam prever. Logo o ser humano tratou de vilanizar e destratar uma ferramenta que visava auxiliar o árbitro na condução do jogo.

O que começou por ser um auxiliar de vídeo em situações específicas e concretas, vertidas em regulamentos uniformizados, passou a um bicho de sete cabeças utilizado a cada falta, a cada remate, a cada lance de maior ou menor perigo.

O regulamento passou para segundo plano e o próprio árbitro passou a resguardar-se e a consultar a repetição em vídeo apenas com a indicação do VAR. De forma a correr menos riscos, o árbitro nunca chegou a consultar, por iniciativa própria, o monitor no relvado.

Além disso, a opinião pública dividiu-se sensivelmente ao meio em relação a esta inovação e jogo após jogo as críticas multiplicaram-se. Como se esperassem que a ferramenta eliminasse por completo os erros, os adeptos que contestam foras de jogo de 10 centímetros quando sofrem golo, são os mesmos que classificam de ridículo quando vêem anulado um golo à sua equipa pela mesma margem.

O vídeo-árbitro chegou e ainda não convenceu totalmente, o casamento entre a tecnologia e o futebol não tem sido fácil desde o início
Fonte: FIFA

Como se não bastasse a relutância à inovação, o futebol internacional está recheado de casos a roçar o ridículo no que à utilização do VAR diz respeito. Desde as dezenas de minutos perdidos a consultar o VAR na Liga Brasileira, aos foras de jogo por um calcanhar ou um braço na Liga Inglesa ou grandes penalidades claras e ignoradas na Liga Espanhola.

Desta forma, e recordando os exemplos de todo o mundo, a imagem do VAR está desgastada e num estado irreversível. As gerações que ainda viram os guarda-redes agarrar a bola depois de um passe de um colega de equipa nunca mais vão mudar a ideia sobre esta ferramenta.

A “esperança” da ferramenta e de um futebol mais justo reside na informação e educação das novas gerações e das que lhes sucederão. Não há emoção que suplante uma decisão acertada, pelo bem do futebol.

Aos que reclamam que as emoções de um golo ficam em supenso, recomendo ver uma mão cheia de jogos de basquetebol, de preferência NBA. A cada jogo, há uma colação de lances analisados em vídeo; lançamentos em cima da buzina, faltas, agressões… É só a liga desportiva mais bem sucedida a nível mundial.

Reitero que não há golo que possa sobrepor-se à verdade desportiva. Não se pode querer justiça para o clube que apoiamos e um talve-qualquer-coisa para os demais.

Foto de Capa: Liga Portugal

artigo revisto por: Ana Ferreira

Diogo Pires Gonçalves
Diogo Pires Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo ama futebol. Desde criança que se interessa por este mundo e ouve as clássicas reclamações de mãe: «Até parece que o futebol te alimenta!». Já chegou atrasado a todo o lado mas nunca a um treino. O seu interesse prolonga-se até ao ténis mas é o FC Porto que prende toda a sua atenção. Adepto incondicional, crítico quando necessário mas sempre lado a lado.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Pedro Gonçalves: «A equipa estava mais do que preparada para um jogo daqueles»

Pedro Gonçalves esteve presente no Auditório Artur Agostinho, de maneira a realizar a antevisão do Sporting x Bodo/Glimt.

Rui Borges: «A percentagem de confiança é total»

Rui Borges marcou presença na sala de imprensa para realizar a antevisão da partida entre o Sporting e o Bodo/Glimt.

Rafael Leão criticado pela reação à substituição na derrota frente à Lazio: «Deveria mostrar essa raiva em campo»

Rafael Leão reagiu mal ao facto de ser substituído aos 66 minutos da derrota do AC Milan diante da Lazio. Massimo Ambrosini deixou fortes críticas ao português.

Conselho de Disciplina rejeita queixa do FC Porto e absolve Morten Hjulmand

A queixa do FC Porto contra Morten Hjulmand foi rejeitada, esta segunda-feira, pelo Conselho de Disciplina da FPF, que aplicou o princípio do 'field of play doctrine'.

PUB

Mais Artigos Populares

Antigo selecionador de França arrasa opções no ataque do Lyon de Paulo Fonseca e não poupa ex-Benfica: «É uma catástrofe»

Raymond Domenech apontou o dedo a Endrick e Roman Yaremchuk devido à má fase do Lyon, orientado por Paulo Fonseca. O antigo jogador e treinador do clube disse que o ex-Benfica é uma «catástrofe».

Vasco Botelho da Costa responde ao Bola na Rede após FC Porto x Moreirense: «O nosso objetivo era tirar as referências individuais ao Porto»

O FC Porto derrotou o Moreirense em jogo da 26.ª jornada da Primeira Liga. Vasco Botelho da Costa respondeu à questão do Bola na Rede em conferência de imprensa.

A frustração de Arne Slot no Liverpool: eis as razões apontadas para a quebra da equipa

Arne Slot lamentou a ineficácia e os erros defensivos do Liverpool após o empate frente ao Tottenham. O técnico neerlandês assumiu uma forte frustração com os pontos perdidos nos minutos finais.