“Davides” contra “Golias”

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Cabeçalho Futebol Nacional

AJá começou a verdadeira festa do futebol português. O cheiro do óleo bem quente que frita a bifana acabadinha de ser temperada, o fino na mão de mais um fervoroso adepto. O velho, mal cheiroso e gasto cachecol como símbolo identificador de uma paixão, de um amor, mais antigo do que o tempo. Ah.. Taça de Portugal. Não é à toa, que muitos apaixonados pelo futebol nacional, dizem que esta é a prova rainha do futebol em Portugal. Viver a Taça de Portugal e este espírito tão próprio, tão belo, que só o futebol tem, é ser-se mais português, é viver Portugal.

Ali, na Taça de Portugal, esquecem-se bruxarias, emails, var’s e tudo o que de acessório e insignificante tem o futebol para dar.  Afinal de contas, falamos de um jogo. Uma festa. Uma festa que encarna ao máximo a verdadeira alma do futebol em Portugal. Por entre Davides e Golias, esta é a Taça das histórias mirabolantes e apaixonantes, dos pequenos orçamentos contra os gigantes. Dos craques até aos desconhecidos homens valentes que vestem com paixão as cores da sua terra.

Mas, depois desta introdução, vamos ao que interessa. Já começou a Taça de Portugal. A primeira eliminatória já decorreu, há umas semanas e este fim de semana é dia das equipas de Segunda Liga entraram também em prova. Ou seja, é o mesmo que dizer que alguém irá ficar pelo caminho. Começam os preparativos para conhecermos quem será o primeiro tomba-gigantes da época.

Enquanto a Taça não começa, urge folhear o livro de histórias da Taça de Portugal.

Corria o ano de 2002/2003, o Gondomar, clube que na altura habitava no terceiro escalão do futebol português, fazia o Benfica tombar na Taça de Portugal, na antiga Luz, com um golo de Cílio Souza que ficava eternizado na história da competição. Esta derrota, humilhante e vergonhosa, ditou na altura a saída de Jesualdo Ferreira do comando técnico da equipa encarnada, homem que viria mais tarde a treinar, com sucesso, o Porto e posteriormente o Sporting.

Gondomar SC foi um dos “Davides” do mundo do futebol Fonte: CM Gondomar
Gondomar SC foi um dos “Davides” do mundo do futebol
Fonte: CM Gondomar

Outra das surpresas desta Taça, que ninguém esquece, foi a derrota do Porto, em casa, perante o Atlético, equipa do terceiro escalão do futebol nacional. Em pleno Dragão, terreno quase imaculado, David Da Costa gelou as hostes portistas e conseguiu colocar o Porto para fora da Taça de Portugal. Curiosamente… o treinador do Porto nesta altura era… Jesualdo Ferreira.

O fatídico dia 17 de Dezembro de 2003 traz à memória dos adeptos leoninos a derrota frente ao V.Setúbal.  Era Carlos Carvalhal o técnico dos sadinos, que depois viria a treinar os leões, a liderar uma equipa que havia de subir de divisão naquela temporada. Orestes, central brasileiro, abriu o ativo, logo aos sete minutos contra o Sporting, que na época contava com jogadores como João Pinto, Sá Pinto, Paulo Bento, Liedson, entre outros.

Também no que toca a finais tem havido tomba-gigantes. Os casos mais recentes são os do Vit. Guimarães, que ganhou no Jamor perante um Benfica que havia perdido tudo naquela temporada, por 2-1, era Rui Vitória o técnico dos minhos. E ainda a Académica. Na altura, treinada por Pedro Emanuel, a saudosa equipa da Briosa, ganhou ao Sporting com um golo madrugador de Marinho.

Neste rol de equipas que chegaram à final da prova rainha do futebol português, ainda há o caso do Desportivo de Chaves, em 2009-2010. A equipa de Leonardo Jardim, que disputava o segundo escalão do futebol português, chegava à final perante o Porto. Clemente, avançado que agora joga no Santa Clara, ainda marcou para o Chaves mas o Porto viria mesmo a conquistar a Taça.

Surpreendente também foi a campanha do Leixões em 2001. A equipa dos “bebés do mar” teve uma campanha inédita na Taça de Portugal e só caiu aos pés do Sporting, campeão naquela época. Tal como o U. Leiria, que na temporada seguinte, com Mourinho ao comando, viria a encontrar o Porto na final, onde perdeu por 1-0.

A final mais inédita dos últimos (já largos) anos, foi em 1998-1999, entre os saudosos Beira-Mar e Campomaiorense, duas equipas que (infelizmente) acabaram por sair da ribalta do futebol português. Em relação ao jogo da final, a equipa de Aveiro, sagrou-se campeã, de forma inédita, num dos maiores marcos da sua história.  Anos antes, também dar conta da vitória do “Boavistão”, na final, perante o Benfica.

Tocam os tambores.. E já se aguarda pelo desfecho de mais uma edição da Taça de Portugal. Quem serão os grandes deste ano a tomar perante os gigantes pequenos? Já se anseia pelas manchetes nos jornais desportivos, os escândalos, os adeptos enervados. Porque sim… Taça de Portugal também é isto. É torcer, mesmo que inconscientemente, que aquele clube tão pequeno que poucos conhecem, possa ter também, nem que por um dia, o seu espaço para brilhar.

artigo revisto por: Ana Ferreira

Raquel Roque
Raquel Roquehttp://www.bolanarede.pt
A Raquel vem dos Açores, do paraíso no meio do Oceano Atlântico. Está a concluir a licenciatura em Estudos Portugueses e Ingleses. Guarda os clássicos da literatura, a Vogue e os jornais desportivos na mesma prateleira.                                                                                                                                                 A Raquel escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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