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E se o pódio tivesse quatro lugares?

Pedro Paupério · 3 min

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Cabeçalho Futebol NacionalÉ natural a existência de “grandes” nos campeonatos nacionais de Futebol. Ainda que, por vezes, de uma forma não tão acentuada, (quase) todas as ligas têm um leque de clubes que ganham mais do que os outros, geralmente, tendo também mais adeptos e um orçamento superior.

Em Portugal, a diferença dos “três grandes” para as restantes equipas da Primeira Liga é por demais evidente a todos os níveis. Com orçamentos incomparavelmente maiores, adeptos espalhados por todo o país e uma diferença avassaladora no número de conquistas alcançadas, Porto, Sporting e Benfica carregam este rótulo.

Ainda que este fosso entre os maiores clubes nacionais e os restantes seja evidente, a discussão em torno de quem merece ser reconhecido como a quarta potência do futebol português surge, invariavelmente, entre os adeptos.

Em Guimarães há uma Super Taça. Em Braga uma Taça intertoto (além de taças de Portugal para ambos) Fontes:  http://maisguimaraes.pt e http://museuvirtualdofutebol.blogspot.pt
Em Guimarães há uma Supertaça. Em Braga uma Taça intertoto (além de Taças de Portugal para ambos)
Fontes: Maisguimaraes.pt e Museuvirtualdofutebol.blogspot.pt

A resposta mais comum, e mais forte, à luz dos resultados desportivos, é o SC Braga. Desde que António Salvador assumiu a presidência do clube, em 2003, os minhotos terminaram o campeonato no quarto lugar por oito vezes, somadas ao terceiro lugar alcançado em 2011/2012 e o inédito segundo lugar de 2009/2010. Objetivamente, a equipa, agora orientada por Abel, terminou nos primeiro quatro lugares da liga dez vezes, falhando o objetivo em apenas quatro ocasiões.

Os bons desempenhos nas competições europeias são outro bom argumento: com participações na Champions e, sobretudo, bons desempenhos na Liga Europa, com a final de Dublin à cabeça, o sucesso desportivo do SC Braga não tem igual nos restantes clubes “extra-grandes”.

Contudo, e porque não só de resultados se faz o desporto, há outras equipas que merecem destaque. O rival do Minho, o Vitória SC, destaca-se por outra particularidade que distingue os clubes grandes: os adeptos. Contrariamente ao paradigma nacional, a esmagadora maioria dos habitantes da cidade de Guimarães apoia incondicionalmente o Vitória, sem preferência por nenhum dos “grandes”. Esta postura dos seus adeptos, uma das imagens de marca do clube, contribui para uma identidade verdadeiramente digna de um grande.

Esta associação dos clubes à sua cidade contribui, evidentemente, para o sucesso dos mesmos, pela forma como permite agrupar uma grande massa associativa. Desta particularidade não beneficiam clubes como o Belenenses e o Boavista, equipas que possuem um argumento que mais nenhum clube fora dos três grandes pode utilizar: um título de campeões nacionais no seu palmarés. Ainda assim, como clubes das grandes cidades portuguesas, dividem as atenções dos habitantes de Porto e Lisboa com os grandes, o que é evidentemente prejudicial.

Os campeões portugueses (sem contar com os três "grandes") Fontes: belenenses.blogspot.pt e thesefootballtimes.co
Os campeões portugueses (sem contar com os três “grandes”)
Fontes: Belenenses.blogspot.pt e Thesefootballtimes.co

Por outro lado, a acusação de corrupção e as consequentes descidas de divisão do Boavista, entretanto anuladas, foram um duro revés para o clube do Bessa, ainda que mesmo antes do castigo este nunca tenha estado perto de repetir o feito de 2000/2001.

O Rio Ave, por sua vez, destaca-se pela forma como se transcende, tendo crescido a olhos vistos, através de uma liderança exímia ao longo dos últimos anos. Desde receber como emprestados jogadores de enorme qualidade, como os casos de Oblak ou, mais recentemente, Francisco Geraldes, à aposta em talentos como Ederson e bons valores da primeira liga como Cássio, Rúben Ribeiro ou Tarantini, os vilacondenses têm acumulado plantéis de grande valia.

Mais importante ainda, a escolha dos treinadores tem-se revelado quase sempre certeira: Nuno Espírito Santo levou a equipa a duas finais, saltando para o Valência, homens como Pedro Martins e Luís Castro desenvolveram trabalhos muito aclamados e só Nuno Capucho parece ter sido uma opção falhada. Este ano, com Miguel Cardoso, a equipa ocupa um surpreendente sexto lugar, impressionando pela ambição com que entra em campo.

Assim, parece claro que a resposta mais correta será sempre que nenhuma outra equipa em Portugal tem atualmente condições para se colocar ao nível dos “três grandes”. Em todo o caso, existem vários clubes com condições para crescer e a fórmula parece estar dada: ambição, identidade, uma massa associativa própria e uma liderança exemplar.

Foto de Capa: eco.pt

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Pedro Paupério

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