Há vida depois da morte

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Depois de um autêntico “Hit and Run” por parte do SL Benfica ao CD Nacional na passada jornada, a expetativa era muita para ver que consequências a chapa 10 poderia provocar no clube insular. Costinha não se demitiu, a semana de treinos foi normal e até os adeptos Madeirenses fizeram questão de aparecer numa das unidades de treino para mostrar o seu apoio e confiança na reviravolta. O adversário era o aflitíssimo CD Feirense, na Choupana, num jogo que se esperava que a bola queimasse nos pés dos jogadores do CD Nacional, que a nível mental era impossível estarem bem… pelo menos assim se esperava!

Pois bem, Costinha e o seu grupo de trabalho conseguiram provar que dá para renascer das cinzas. Receberam o CD Feirense, adversário direto, e, com uma exibição confiante e dominante, despacharam os fogaceiros com quatro golos sem resposta. Costinha, que não se demitiu nem foi demitido, tendo assim a oportunidade de “limpar” a sua imagem, fez o mesmo com os seus jogadores, numa atitude de liderança notável (é assim que se ganham balneários). Deu uma oportunidade ao mesmo onze que foi humilhado na Luz de se reerguer e “calar” todos os críticos.

As duas únicas alterações no onze inicial foram forçadas, devido a lesão. Quem viu o jogo nem se apercebia que o CD Nacional tinha sofrido uma humilhação de 10-0 (ainda custa ter a noção do que são dez golos sem resposta). A equipa de Costinha teve desde o primeiro minuto uma atitude positiva, pressionante e determinada. Com o bloco médio alto e com uma facilidade enorme em recuperar bolas no meio-campo ofensivo, chegando sempre com relativa facilidade à baliza de André Moreira, as oportunidades foram-se sucedendo e resultaram num 4-0 de domínio do princípio ao fim.

Costinha conseguiu levantar o ânimo e recuperar os jogadores para o jogo com o CD Feirense
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Com Serdar Rashidov a dar-se a conhecer aos adeptos portugueses (sim, porque na Luz quase nem pôde tocar na bola), o internacional Usbeque fez um hattrick. Para além do talentoso e experiente ponta de lança em dia “sim”, entrou Brayan Riascos, por volta do minuto 65. O ex-UD Oliveirense entrou com a corda toda e “rebentou” com o que ainda sobrava do adversário. Um resultado e uma exibição notáveis que nos dão uma lição de humildade e sobretudo de respeito.

Meia centena de adeptos demonstraram aos jogadores que estavam com eles no primeiro treino após o flagelo da Luz
Fonte: CD Nacional

Tanto jogadores, como staff e até o próprio clube foram “achincalhados” em plena praça pública durante toda a semana, por pessoas que nunca deram um pontapé na bola e que exigem sempre o máximo de um mero jogador de Futebol. Pessoas que, muito provavelmente, nem são tão exigentes e tão briosas no seu próprio dia a dia, mas uma equipa de Futebol levar um banho de bola, num jogo em que tudo correu mal, com um adversário muitíssimo superior, isso já é inconcebível, dizem eles.

A televisão e os comentadores desportivos subiram a pressão para níveis anedóticos, exigindo (como se tivessem o direito de exigir seja o que for) a demissão de um treinador campeão Nacional (sim, foram eles os campeões da Segunda Liga Portuguesa em 2017/2018), que tem a equipa acima da zona de despromoção com um dos plantéis mais “baratos” e inexperientes da Primeira Liga, e pondo em causa a própria ética e profissionalismo de jogadores, cujo maior sonho talvez seja jogar no próprio SL Benfica, ou FC Porto, ou Sporting CP. Enfim…

O CD Nacional segue na 11.ª posição da Primeira, com 22 jornadas decorridas, tendo uma vantagem de dois pontos para a zona de descida.

Foto de Capa: CD Nacional

Ruben Brêa Marques
Ruben Brêa Marqueshttp://www.bolanarede.pt
O Rúben é um verdadeiro apaixonado pelo futebol, sem preferência clubística. Adepto do futebol, admira qualquer estratégia ou modelo de jogo. Seja o tiki taka ou o catenaccio, importante é desfrutar e descodificar os momentos do jogo e as ideias dos técnicos. Para ele, futebol é paixão, trabalho, competência, luta, talento, eficácia, etc. Tudo é possível, não existem justos vencedores ou injustos perdedores, e é isto que torna o futebol um desporto tão bonito.                                                                                                                                                 O Rúben escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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