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Ir com “V” de voltar: Os “grandes” já não têm mãos largas

Diogo Pires Gonçalves · 3 min

Ir com “V” de voltar: Os “grandes” já não têm mãos largas
Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

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De forma a combater uma política de empréstimos que promovia uma dependência de alguns clubes em relação a outros através dos jogadores emprestados, a Liga redigiu e aplicou uma nova lei desde a temporada de 2018/19.

Até então e desde 2015, era possível emprestar um máximo de três atletas ao mesmo emblema, mas nem isso evitou casos sobejamente conhecidos, como o de Miguel Rosa. Em seis anos de CF “Os Belenenses”, o médio formado no SL Benfica defrontou as águias apenas quatro vezes.

A diretiva que cumpre agora o segundo ano de existência limita a seis o número de empréstimos dentro da Primeira Liga, mas todos a clubes diferentes. A manobra que os “grandes” operavam de forma a rodar os seus atletas tem agora de ser diminuída ou então praticada noutros campeonatos.

Ao abrigo da nova lei e no atual campeonato, o SL Benfica é quem mais empresta, aproximando-se do limite de meia dúzia. As águias têm a “rodar” quatro atletas no Norte; Diogo Gonçalves em Famalicão, Alex Pinto em Barcelos, Heriberto no Boavista FC e Nuno Santos em Moreira de Cónegos.

Com apenas dois emprestados na Primeira Liga estão FC Porto e Sporting CP, curiosamente também em clubes acima do Douro. Os dragões têm Vaná em Famalicão e Marius na Vila das Aves. Por sua vez, os leões têm Palhinha em Braga e Gelson Dala em Vila do Conde.

Mas nem sempre foi assim. Antes de qualquer norma restritiva, os três “grandes” contratavam e emprestavam sem olhar a meios. Num comparativo a cinco e a 10 anos, são os dragões quem, de longe, se destacam nos empréstimos a clubes da mesma divisão.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Há 10 anos, corria a época de 2009/10, o Sporting CP tinha apenas Ronny emprestado ao UD Leiria e Rui Fonte ao Vitória FC. O SL Benfica tinha José Coelho em Paços de Ferreira, Nélson Oliveira em Vila do Conde, Rúben Lima em Setúbal e Fellipe Bastos e o mítico Freddy Adu no CF “Os Belenenses”.

Contra os dois empréstimos leoninos e os cinco das águias, o FC Porto tinha 11 (!) atletas divididos por sete primodivisionários. Em Braga estava Rentería, em Paços de Ferreira estava Candeias e Bruno Moraes em Vila do Conde.

Em Olhão estavam o guarda-redes Hugo Ventura, Tengarrinha e Rabiola. Também em Setúbal jogava um trio de dragões: André Pinto, Ivo Pinto e Hélder Barbosa. Por fim, Bruno Vale defendia a baliza do Restelo e Nelson Benítez atuava no vizinho Leixões SC.

Há cinco anos, na época de 2014/15, a tendência era a mesma: águias e leões bem mais contidos nos empréstimos que os dragões. Os rivais da capital tinham quatro atletas emprestados cada um, enquanto o rival do Norte tinha nove atletas nessa condição.

Ricardo Esgaio e Salim Cissé deixaram Alvalade e rumaram a Coimbra; Iuri Medeiros e Fabrice Fokobo fizeram o mesmo, mas em direção a Arouca. A Luz viu partir Bruno Gaspar para Guimarães, Rui Fonte para o Restelo e Fábio Cardoso e Rúben Pinto para Paços de Ferreira.

Sami deixou o FC Porto por empréstimo e representou na mesma época SC Braga e Vitória SC. Para Guimarães levou consigo Ivo Rodrigues e Otávio, atual médio azul e branco. Tiago Rodrigues foi emprestado ao CD Nacional, Pedro Moreira ao Rio Ave FC e Quiñones ao FC Penafiel. O Dragão viu ainda sair Tozé e Kléber para o GD Estoril Praia e Joris Kayembe para o FC Arouca.

10 anos volvidos, só se pode concluir que as leis aprovadas e experimentadas entretanto foram positivas. Protegeram não só a verdade nas competições, como os atletas que andavam aos saltos entre emblemas anos a fio e as próprias contas dos clubes que contratavam de forma desmedida.

Por vezes, não conseguiram mesmo colocar os excedentes a tempo do início das novas épocas, prejudicando jovens atletas na integração na nova equipa e, consequentemente, os seus desempenhos.

 

Diogo Pires Gonçalves

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