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Não há chicote na Primeira Liga?

Tiago Serrano · 2 min

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Desde que me lembro, o campeonato português sempre se caracterizou pela instabilidade de banco. Época após época, várias equipas possuíam dois ou até mesmo três treinadores diferentes ao longo do campeonato. E nos últimos anos, as chicotadas psicológicas continuavam a ser prática comum no nosso campeonato.

Por exemplo, há duas temporadas atrás, à passagem de ano já onze equipas da Primeira Liga tinham mudado de treinador. Até final da temporada, mais dois clubes mudariam de treinador, e outros cinco clubes mudariam por uma segunda vez (SC Braga, Belenenses, Estoril, Moreirense e  CD Nacional).

Porém, este início de temporada tem dado a entender que essa tendência está para ser quebrada, visto que apenas nesta semana que passou, se deu a primeira chicotada psicológica da época, com José Peseiro a ser despedido do comando técnico do Sporting. Existem outros treinadores que a meu entender, também estão numa situação delicada e correm sérios riscos de ser despedidos, como são os casos de Costinha, António Folha e Rui Vitória (apesar das palavras do presidente na sua última entrevista).

No entanto, ao que se deve esta redução de chicotadas psicológicas nesta época? A meu ver, deve-se ao facto de alguns dos treinadores que eram inicialmente vistos como fortes candidatos a não aguentarem até ao final da época, estarem a superar as expectativas.

José Gomes tem surpreendido no início deste campeonato
Fonte: Rio Ave FC

Um desses casos é o de José Gomes ao serviço do Rio Ave FC. A aposta do presidente do clube vila-condense neste treinador com pouco currículo e sem experiências relevantes foi arriscada, mas a verdade é que o clube de Vila do Conde tem realizado uma temporada à imagem das anteriores, estando na luta pelos lugares de acesso à Liga Europa, apesar de, como já aqui referi, o ex-adjunto de Jesualdo Ferreira ter sido bastante guiado pela qualidade individual de jogadores como Wanderson Galeno e Gelson Dala.

Outro caso que inicialmente surpreendeu pela positiva foi o de Cláudio Braga no CS Marítimo. O emblema verde-rubro tem tradição na aposta em treinadores brasileiros. Porém, a imagem que estes têm deixado recentemente não eram um bom pronúncio, particularmente a aposta em Paulo César Gusmão há duas épocas. Mas a verdade, é que Cláudio Braga levou a equipa madeirense a um bom início de temporada. No entanto, o cenário actual já é bem diferente com os madeirenses a atravessarem um ciclo de cinco derrotas consecutivas. O bom início de época ainda dá crédito ao técnico brasileiro, mas este atravessa actualmente uma situação delicada.

Apesar de tudo, esta decisão das respectvas direcções em prol da estabilidade não deixa de ser um sinal positivo no futebol português. Mas ainda há muito campeonato pela frente e muitas surpresas ainda podem acontecer.

 

Foto de Capa: Sporting CP

Tiago Serrano

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