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O mercado de inverno em Portugal: A necessidade de compras e vendas da Primeira Liga

Diogo Pires Gonçalves · 3 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

O mercado é sempre uma dor de cabeça para os clubes. Ora porque são sujeitos a esforços dantescos para proteger as suas jóias, ora porque tentam esticar o orçamento e garantir uma estrela ou suprir uma vaga deixada por alguma lesão ou castigo prolongado. São inúmeros os cenários e o adepto é contagiado pela febre das “compras” e até sofre para que o mercado feche ou desespera pela falta daquele reforço sonante que vai, teoricamente, conseguir-lhe o campeonato de mão beijada. Fantasias…

Gonçalo Paciência ingressou em janeiro passado no plantel do Rio Ave FC Fonte: Site oficial Rio Ave FC
Gonçalo Paciência ingressou em janeiro passado no plantel do Rio Ave FC
Fonte: Site oficial Rio Ave FC

O mercado português está longe das realidades de Espanha e Inglaterra e mesmo desses novos poços de dinheiro que são a França e Itália. A realidade portuguesa resume-se a construir o plantel para a época em causa. Uma equipa portuguesa nunca aborda o mercado com o intuito de construir, ano após ano, uma equipa recheada de estrelas e discutir as provas europeias, ombro a ombro, com os “tubarões”. Isso verifica-se tão claramente no mercado de inverno. Os competidores da Primeira Liga movimentam-se na janela de transferências apenas se houver necessidade. Essa necessidade existe sempre; lesões ou castigos que precisam de ser colmatados, substituir jogadores que se transferiram devido ao seu bom desempenho ou jogadores que vão sair por terem desiludido com as suas prestações. É também bastante frequente reforçar o plantel consoante o apuramento, ou não, para as provas europeias. A necessidade de frescura física para um alargado leque de competições onde a equipa se insere a isso obriga. Com base nos empréstimos, movimentam-se bastantes jogadores, essencialmente dentro de portas. Quer isto dizer que o negócio entre competidores diretos da Primeira Liga ou de escalões inferiores é o privilegiado. Exceção feita aos “grandes” que procedem à recolocação de jogadores em equipas de outra dimensão competitiva, quer em Portugal, quer no estrangeiro, para que os mesmos evoluam com tempo de competição.

No passado mercado de inverno, em Janeiro deste ano, os clubes portugueses movimentaram-se bastante e, maioritariamente, procederam ao “consumo interno”. Por exemplo, o clube que mais mexidas fez no seu plantel foi o CF “Os Belenenses”. Entre entradas e saídas, movimentou 15 atletas. Em sentido contrário, as equipas que menos alterações fizeram aos seus plantéis foram o Vitória FC, o Rio Ave FC e o FC Porto; entre entradas e saídas, cada uma transferiu seis atletas.

CS Marítimo e CF «Os Belenenses» foram os clubes que mais jogadores receberam neste mercado de janeiro; admitiram oito atletas nos seus plantéis. Por outro lado, FC Porto e Vitória FC transferiram apenas dois jogadores e foram, então, as equipas que menos caras novas receberam. O SC Braga foi o clube com mais saídas; entre empréstimos efetuados, empréstimos ao seu clube terminados e vendas, abandonaram o clube minhoto nove atletas. Em posição contrária, o Paços de Ferreira FC deixou sair apenas dois jogadores.

Tiquinho Soares reforçou o FC Porto e provocou efeitos imediatos Fonte: Site oficial FC Porto
Tiquinho Soares reforçou o FC Porto e provocou efeitos imediatos
Fonte: Site oficial FC Porto

Muitos jogadores abandonaram um emblema e ingressaram num competidor direto; é desta forma que a maior parte dos clubes portugueses procede em Janeiro. Reforçam o seu plantel para o ataque às posições europeias, à manutenção ou até mesmo ao título com os atletas mais vistosos das equipas do mesmo campeonato. Foi assim com o FC Porto, quando transferiu Soares, ou com o Sporting CP, quando fez regressar Daniel Podence, Francisco Geraldes, João Palhinha, Ryan Gauld e André Geraldes.

Os nomes não são sonantes nem promessas globais, mas jogo após jogo constroem a sua reputação. Chegando a Janeiro, dá-se a “dança das cadeiras” e caras mais ou menos conhecidas experimentam novas regiões geográficas do nosso país. Podemos quase falar num micro-mercado de transferências português. Particular e “caseiro”, este mercado é capaz de proezas como movimentar jogadores duas ou três vezes na mesma época… Estranho é, de certeza, mas é também muito desejado pelos adeptos. Muitos esperam ver sair dele a salvação da sua época ou o reforço “estrela” para o seu clube do coração.

Foto de capa: Site oficial GD Estoril Praia

Diogo Pires Gonçalves

Redação Bola na Rede · ver artigos