A Final do Prestígio

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Teremos um jogo de futebol que disputa uma taça: a Supertaça Cândido de Oliveira. É o primeiro título em jogo e um jogo que não sendo marcante para a época que começa, pode revolucionar as hormonas e acelerar a autoconfiança das equipas. No entanto, esta taça honra um nome do futebol. Honra o primeiro capitão da seleção portuguesa. Honra um jogador e um treinador ganhador e honra o fundador do Casa Pia Futebol Clube. Mais que isso, honra um lutador antifascista que sentiu nas carnes o campo de concentração do Tarrafal. Honra – e nunca estará demais esta repetição –  um dos fundadores do jornal A Bola.

Jogarão dois históricos do futebol português; dois clubes, ainda que tenham diferentes dimensões, com carisma e charme: o Benfica e o Vitória de Guimarães. Aveiro será a sede desta festa futebolística. Os favoritos numa final ou a jogo único não existem; só existem palpites e desejos. Gritam por aí que as finais são para ganhar… falso! As finais são para desfrutar; não é em vão que os melhores e piores treinadores, perante um jogo destas características, após as táticas e estratégias, dizem aos seus jogadores: “desfrutem…”

Rui Vitória sabe o que é vencer o Benfica em finais Fonte: SL Benfica
Rui Vitória sabe o que é vencer o Benfica em finais
Fonte: SL Benfica

O Vitória de Guimarães sabe o que é vencer a Supertaça Cândido de Oliveira. Sabe o que é ganhar a Taça de Portugal e sabe o que é derrotar o gigante Benfica a jogo único. É um clube que albergou sempre grandes talentos. Teve jogadores com grandeza desde o tempo do Mendes e teve treinadores como o venerado José Maria Pedroto. E na parte de planeamento e comportamento das estruturas assemelha-se bastante ao Benfica do presente. Não força a cilindrada do seu motor e teve no seu banco o atual treinador do Benfica Rui Vitória que para além do seu talento, tem o saber e a atuação cristalina como demonstram, presentemente, estes dois históricos do Futebol português. Pedro Martins não é menos que qualquer outro e demonstra-o sem atiçar fogos de artifícios levando, mais uma vez, o Vitória de Guimarães a posições cimeiras e a finais que qualquer dos outros clubes grandes, Porto e Sporting, ambicionariam, desejariam e necessitariam. O Vitória é sinónimo de saber e conhecer-se a si próprio.

Teoricamente o Benfica tem o favoritismo, a pressão e a obrigação de ganhar. Mas, este dizer é teoria e opinião da chamada Comunicação Social e também desejo dos simpatizantes. No entanto, nesta vida que nos tocou viver, todos temos desejos e opiniões. O Rui Vitória sabe bem porque já experimentou a sensação de vencer um grande orientado, naquela altura, por um treinador considerado grande e fundamentalmente muito caro para um futebol como o português. Apesar de jovem, ninguém pode considerar o Rui Vitória um treinador com pouca experiência. Vencer o Benfica no Jamor treinado pelo milionário Jorge Jesus só se consegue se se tem um compêndio onde esteja o saber, o arrojo, a astúcia e a experiência necessária para permanecer lúcido nos momentos em que as emoções cegam.

Chega o momento do pontapé de saída de uma nova época. Resta desejar que o jogo tenha beleza e esteja à altura da figura histórica do Cândido de Oliveira. Espera-se que os espectadores, na sua totalidade, apreciem e festejem um belo espetáculo e que os tristes e vergonhosos procedimentos de algumas claques durante a época passada não se repitam. O futebol gera paixões, no entanto, é um jogo e como tal devemos apreciar e desfrutar ganhe ou perca a nossa equipa favorita.

Foto de Capa: Vitória SC

José Luís Montero
José Luís Montero
Poeta de profissão, José simpatiza com o Oriental e com o Sangalhos.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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