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O húngaro Gyula Grosics, guarda-redes dos “Mágicos Magiares”, foi o grande pioneiro da função de guarda-redes-líbero, mostrando que sabia sair a jogar com a bola no pé dando apoio aos defesas, permitindo assim que a equipa pudesse construir jogo a partir de trás. Com o passar dos anos, apareceram mais alguns guarda-redes-líbero, como o holandês Jan Jongbloed ou o colombiano René Higuita, mas a evolução táctica que o futebol tomou, com a afirmação do 4-4-2 e do 4-3-3, fez com que esta “estripe” de guarda-redes não tivesse a continuidade desejada.

Fonte: futebolmagazine.com
No entanto, creio que o futebol teve uma evolução significativa nesta década. Para ser mais preciso, essa evolução começou aquando do aparecimento do Barcelona de Pep Guardiola, que privilegiava um futebol de posse e de pressão alta, que permitia à sua equipa dominar o jogo e estar mais perto da vitória.
Entre esta sua ideia de jogo que revolucionou o futebol mundial, o técnico catalão exigia que o guarda-redes fosse mais um jogador de campo. Com isto, Victor Valdés herdou o papel que outrora pertencia aos guarda-redes dos “Mágicos Magiares” e da “Laranja Mecânica”. Estava assim dado o regresso dos guarda-redes-líbero.
Com isto, foram aparecendo mais guarda-redes-líbero, tais como Manuel Neuer ou Marc-André ter Stegen. E nos dias de hoje, os guarda-redes são cada vez menos avaliados apenas pelo seu desempenho entre os postes, porque a visão de Guardiola fez com que muitos treinadores ganhassem importância na forma como os guarda-redes controlassem a bola com os pés e soubessem iniciar a construção de jogo da sua equipa.
No entanto, nos dias de hoje, o futebol é muito mais táctico do que era na década de 50, o que faz com um guarda-redes-líbero não se deva limitar a saber jogar com os pés. No futebol actual, para além do domínio da posse de bola, a equipa pretende fazer aquilo a que te tem chamado de pressing, ou seja, uma pressão alta sobre o adversário, tentando recuperar a bola quando este ainda está a iniciar a fase de construção.
Só que se uma equipa joga com a linha muito subida, isso significa que existe muito espaço nas suas costas que pode ser explorado por avançados rápidos e que dão profundidade ao jogo. E é nesse espaço que actua um guarda-redes-líbero no futebol moderno.

Fonte: Sporting CP
Hoje em dia, o trabalho de um guarda-redes vai muito além do que este faz entre os postes. Para além de saber jogar com os pés e iniciar a construção, um guarda-redes-líbero nos dias de hoje tem de mostrar a sua presença em campo: tem de ter uma boa leitura de jogo, têm de saber comunicar com os colegas de equipa, tem de controlar a profundidade da equipa adversária, tem de ser rápido nos lances de 1 vs 1… É este o perfil ousado que os guarda-redes devem ter no futebol moderno.
Cá em Portugal, o brasileiro Ederson Moraes foi quem implementou esse perfil de guarda-redes no nosso futebol e o jovem prodígio Mile Svilar, parece seguir as mesmas pisadas. Entre os lusos, Beto parece ser o que mais encaixa nesse perfil, sendo um guarda-redes que sabe jogar bem com os pés e é eficaz na saída dos postes. Apesar dos seus 35 anos, tem sido um dos melhores guarda-redes da Liga turca nesta época e acredito que ainda pode mais do que tem dado.
Este é mais um sinal da evolução significativa que o futebol tem tomado nesta década, com o guarda-redes a assumir um papel mais preponderante no fio de jogo da equipa, podendo tornar-se muitas vezes, no seguro de vida da equipa em situações de maior aperto.
Foto de capa: Facebook Oficial Ederson Moraes













