Última horaJá está definida a final da Taça Sul-Americana
Publicidade

O regresso dos guarda-redes-líbero

Tiago Serrano · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Futebol NacionalGuarda-redes-líbero, ou se preferirem o termo inglês, swepper-keeper. É possível que muitos fãs de futebol não conheçam este termo, mas a verdade é que é um termo mais antigo do que muitos possam imaginar. A utilização do guarda-redes-líbero era uma prática comum nos anos 50, principalmente em países como a Hungria e a Jugoslávia. Nesse tempo, a táctica privilegiada era o 3-2-2-3, mais conhecido por WM.

O húngaro Gyula Grosics, guarda-redes dos “Mágicos Magiares”, foi o grande pioneiro da função de guarda-redes-líbero, mostrando que sabia sair a jogar com a bola no pé dando apoio aos defesas, permitindo assim que a equipa pudesse construir jogo a partir de trás. Com o passar dos anos, apareceram mais alguns guarda-redes-líbero, como o holandês Jan Jongbloed ou o colombiano René Higuita, mas a evolução táctica que o futebol tomou, com a afirmação do 4-4-2 e do 4-3-3, fez com que esta “estripe” de guarda-redes não tivesse a continuidade desejada.

Gyula Grosics revolucionou a posição de guarda-redes no futebol mundial Fonte: futebolmagazine.com
Gyula Grosics revolucionou a posição de guarda-redes no futebol mundial
Fonte: futebolmagazine.com

No entanto, creio que o futebol teve uma evolução significativa nesta década. Para ser mais preciso, essa evolução começou aquando do aparecimento do Barcelona de Pep Guardiola, que privilegiava um futebol de posse e de pressão alta, que permitia à sua equipa dominar o jogo e estar mais perto da vitória.

Entre esta sua ideia de jogo que revolucionou o futebol mundial, o técnico catalão exigia que o guarda-redes fosse mais um jogador de campo. Com isto, Victor Valdés herdou o papel que outrora pertencia aos guarda-redes dos “Mágicos Magiares” e da “Laranja Mecânica”. Estava assim dado o regresso dos guarda-redes-líbero.

Com isto, foram aparecendo mais guarda-redes-líbero, tais como Manuel Neuer ou Marc-André ter Stegen. E nos dias de hoje, os guarda-redes são cada vez menos avaliados apenas pelo seu desempenho entre os postes, porque a visão de Guardiola fez com que muitos treinadores ganhassem importância na forma como os guarda-redes controlassem a bola com os pés e soubessem iniciar a construção de jogo da sua equipa.

No entanto, nos dias de hoje, o futebol é muito mais táctico do que era na década de 50, o que faz com um guarda-redes-líbero não se deva limitar a saber jogar com os pés. No futebol actual, para além do domínio da posse de bola, a equipa pretende fazer aquilo a que te tem chamado de pressing, ou seja, uma pressão alta sobre o adversário, tentando recuperar a bola quando este ainda está a iniciar a fase de construção.

Só que se uma equipa joga com a linha muito subida, isso significa que existe muito espaço nas suas costas que pode ser explorado por avançados rápidos e que dão profundidade ao jogo. E é nesse espaço que actua um guarda-redes-líbero no futebol moderno.

Beto será o guarda-redes português que melhor joga com os pés Fonte: Sporting CP
Beto será o guarda-redes português que melhor joga com os pés
Fonte: Sporting CP

Hoje em dia, o trabalho de um guarda-redes vai muito além do que este faz entre os postes. Para além de saber jogar com os pés e iniciar a construção, um guarda-redes-líbero nos dias de hoje tem de mostrar a sua presença em campo: tem de ter uma boa leitura de jogo, têm de saber comunicar com os colegas de equipa, tem de controlar a profundidade da equipa adversária, tem de ser rápido nos lances de 1 vs 1… É este o perfil ousado que os guarda-redes devem ter no futebol moderno.

Cá em Portugal, o brasileiro Ederson Moraes foi quem implementou esse perfil de guarda-redes no nosso futebol e o jovem prodígio Mile Svilar, parece seguir as mesmas pisadas. Entre os lusos, Beto parece ser o que mais encaixa nesse perfil, sendo um guarda-redes que sabe jogar bem com os pés e é eficaz na saída dos postes. Apesar dos seus 35 anos, tem sido um dos melhores guarda-redes da Liga turca nesta época e acredito que ainda pode mais do que tem dado.

Este é mais um sinal da evolução significativa que o futebol tem tomado nesta década, com o guarda-redes a assumir um papel mais preponderante no fio de jogo da equipa, podendo tornar-se muitas vezes, no seguro de vida da equipa em situações de maior aperto.

Foto de capa: Facebook Oficial Ederson Moraes

Tiago Serrano

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Europa League

Resistir e Sonhar | Ferencváros x Torreense

Depois dos baldes de água fria frente a Tondela e sobretudo Sunderland, o Torreense vê nova oportunidade de espantar a Europa a ser providenciada por um dos mais rodados adversários que lhe calhou em sorteio. O histórico Ferencváros participa em fases de grupos ou liga europeias consecutivamente desde 2020 e ganhou a liga húngara sete vezes seguidas, até se deixar surpreender a época passada pelo Györ – ora, como grande dominador daquele futebol, restava apenas ao Ferencváros dar uma de Bayern, absorvendo o talento que se atreveu a meter em causa a hegemonia. E assim substituiu o lendário Robbie Keane por Balász Borbély, o eslovaco de 47 que cometeu a proeza (regressando assim a casa, ele que já tinha treinado juniores e equipa secundária do Ferencváros entre 2019 e 2022).  Antecipava-se, por isso, conto de fadas. Que Borbély conseguisse imprimir o registo dominador de outrora em contexto nacional e manter o sucesso recente fora-de-portas, conciliando harmoniosamente os índices competitivos. Enquanto se tem conseguido cumprir com a segunda expectativa (veja-se o percurso dos húngaros, que ultrapassaram todas as rondas de qualificação), as coisas não vão de feição na Liga, com cinco empates em nove jornadas. «Nem tudo correu como planeado nesta temporada», explicou assim na antevisão ao encontro desta quinta-feira. «Os resultados na Liga Europa são bons, mas não acho que exista uma grande diferença na forma como jogamos para as duas competições».

Pedro Cantoneiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.