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SC Braga 1-0 CD Santa Clara: Justiça para lá dos 11 metros

José Baptista · 6 min

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Depois da desoladora e polémica derrota caseira nas meias-finais da Taça da Liga, os arsenalistas voltaram ao terreno de jogo para se tentarem manter na disputa pelo título no Campeonato, recebendo na Pedreira os açorianos do CD Santa Clara, que estão a realizar uma época positiva e tranquila e que conseguiram parar os Guerreiros do Minho na primeira volta.

O quarto de hora inicial não trouxe oportunidades claras para abrir o marcador, mas mostrou uma equipa da casa dominadora que ia conseguindo penetrar as linhas defensivas dos visitantes. Esta tendência ia-se mantendo à medida que o jogo progredia, mas os arsenalistas continuavam demasiado previsiveis e isso impedia-os de seriamente ameaçar a baliza à guarda de Serginho.

Essa foi a tónica de toda a primeira parte, ainda que os minutos finais tenham visto um jogo mais partido, com o Santa Clara a aparecer em posições junto da baliza contrária. No entanto, nada que fosse suficiente para impedir que o nulo persistisse ao intervalo.

Já a segunda metade, começou com outra dinâmica e, depois de uns minutos iniciais aguerridos, um lance inofensivo na área bracarense fez o árbitro apontar para a marca dos onze metros, numa decisão que, à primeira vista, pareceu exagerada e discutível.

Aquilo que podia ser o momento certo para o Santa Clara confirmar uma surpresa na Pedreira, rapidamente se tornou num pesadelo. Primeiro, Tiago Sá defendeu a grande penalidade e na jogada seguinte, o Braga embalou em contra-ataque e só parou com Dyego Sousa a colocar a bola dentro da baliza dos visitantes.

Ataque arsenalista precisou de insistir muito para desfazer o nulo
Fonte: SC Braga

O Braga ganhou outro ânimo e, pouco depois, valeu Serginho para evitar o segundo. A partir daí, praticamente só se viu Braga e os arsenalistas estiveram várias vezes perto do segundo, mas acabaram por ter de se contentar com uma vitória pela margem mínima. Ainda assim, o que mais interessava eram os três pontos e esses foram conquistados.

EQUIPAS INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

SC Braga: Tiago Sá; Esgaio, Raul, Bruno Viana, Goiano; Novais (Ricardo Horta 61’), Ricardo Ryller (Fransérgio 61’), Claudemir, Wilson Eduardo; Dyego Sousa, Paulinho (Palhinha 82’)

CD Santa Clara: Serginho; Patrick Vieira, César, Accioly, Mamadu; Osama Rashid, Chrien (Bruno Lamas 67’), Kaio (Guilherme 77’); Pineda, Stephens, José Manuel (Ukra 86’)

A FIGURA

Fonte: SC Braga

Tiago Sá – A sua defesa, quando o Santa Clara dispôs de uma grande penalidade, foi o momento fulcral da partida. Além disso, mostrou durante os 90 minutos uma solidez a que não estamos habituados, até mesmo nas bolas aéreas, que normalmente são o seu ponto fraco.

O FORA DE JOGO

Fonte: CD Santa Clara

Osama Rashid – Vítima de a sua equipa ter passado grande parte da partida a defender e não atacar de forma organizada, não foi capaz de demonstrar o seu belo futebol na Pedreira. Terá havido quem jogasse pior do que Rashid, mas ninguém esteve tão abaixo do seu potencial.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CD Santa Clara

BnR: O Serginho começou desde cedo a demorar bastante tempo na cobrança das bolas paradas. Houve uma estratégia concertada para baixar o ritmo de jogo e impedir o Braga de colocar mais intensidade na partida?

João Henriques: Lamento dizer, mas é a minha opinião, isso que está a dizer é ridículo. Aos três minutos de jogo, o Serginho não estava a passar tempo de jogo. É ridiculo essa atitude do árbitro perante isso, mas, pronto, eles sofrem tantas pressões externas relativas a tantas situações e essa foi mais uma. Ridículo, porque depois, nos últimos minutos, quando o Braga também tardou na reposição da bola, já não houve a pressa de dizer a qualquer jogador do Braga para acelerar. 

São duas atitudes num jogo em que é ridículo pensar que aos dois ou três minutos a gente está a queimar tempo. Estamos a querer é colocar os jogadores nas posições corretas e não vamos bater a bola só porque o árbitro se lembra de que a bola já estava na marca para ser batida e batemos à toa. E nós, em vez de, primeiro, procurarmos soluções curtas e depois, se não dá, jogar longo, não… temos de bater logo, só porque o árbitro se lembrou hoje de aos dois/três minutos pressionar o Serginho. 

É ridículo! É totalmente ridículo e acho que as pessoas têm que começar a pôr a mão na consciência relativamente às suas atitudes, que são dois pesos e duas medidas no mesmo jogo. E estamos a falar aos dois/três minutos de jogo e estamos a falar dos últimos minutos no tempo de compensação. Provavelmente, se fosse o Santa Clara a fazer a mesma coisa que o Braga fez – naturalmente, não é uma coisa extraordinária – já estávamos aqui a falar de queimar tempo. E era, naturalmente, ridículo outra vez.

Outras declarações:

«Fizemos na maioria do tempo aquilo que tínhamos planeado para este jogo.»

«Chegámos poucas vezes às zonas de finalização. Menos vezes do que aquilo que nós queríamos.»

«Injusto é o resultado que se registou no final deste jogo.»

«As pessoas têm que pensar seriamente [nos horários dos jogos]. Pensa-se só em operadores e outras coisas que não o desenvolvimento do jogo de futebol.»

SC Braga

BnR: O Abel falou que o Braga tem lançado vários jogadores e muitos deles têm vindo da equipa B, que hoje voltou às derrotas e está em lugar de despromoção. Preocupa-o que possa perder a competitividade da II Liga para formar esses jogadores?

Abel Ferreira: Não perde e não façam futurologia. Vocês sabem que as equipas B, para mim… Se eu já aqui vos digo que para mim o mais importante não é o resultado, é o processo, porque acredito nisto que estou a dizer. E se não ganhares, o resultado não conta? Claro que conta, mas, para que o resultado apareça, eu tenho de estar focado naquilo que tenho que fazer, no meu processo.

E vou dizer-vos isto: na alta competição e na equipa A, o mais importante é treinar a equipa. O que importa é a equipa. Na formação do Braga, até à equipa B, o mais importante é formar e desenvolver os jogadores. Isso é que é o mais importante, dar competências e recursos aos jogadores, como já foi o Trincão, como foi o Xadas, como foi o Fábio Martins, que veio também da equipa B e foi fora e agora ficou, como está aqui o Tiago Sá e, se não tivesse tido lesões, como estaria o nosso central Lucas, que seguramente também tinha jogado.

Portanto, nós estamos a cumprir o objetivo da nossa equipa e é por isso que eu já vos disse aqui várias vezes que as políticas dos quatro grandes que estão à frente são completamente diferentes umas das outras. 

Agora, o nosso objetivo é, como nós dizemos, ‘podem contar connosco’, nós estamos aqui para a luta. E a equipa B, tenho a certeza que tudo irá fazer, mas não é esse o grande objetivo, se se vai manter ou se vai descer, é potenciar jogadores para a equipa A. Se amanhã quiser ir lá buscar um jogador e ele render, essas é que são as grandes vitórias da equipa B. Ao contrário do que alguns líderes pensam, nós temos de olhar para a formação e perceber o que é o mais importante, se é a equipa ou o jogador.

E eu aprendi, porque sou um treinador que vem da formação e aprendi numa escola de formação – a escola velha da formação -, e aprendi muito e sei daquilo que falo. Por experiência, vivida, passada, sentida, o mais importante na formação é o jogador, não é a equipa.

Outras declarações: 

«Já estávamos preparados para nos darem a iniciativa.»

«Os grandes guarda-redes são os que dão pontos à equipa e foi isso que o Tiago hoje fez.» 

Foto de Capa: SC Braga

José Baptista

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