Sporting de Braga: A luta pelos primeiros quatro lugares vai ser dura

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Quem olha para o plantel do Sporting de Braga desta época pode tirar uma conclusão imediata: tem soluções mais do que suficientes para se assumir como favorito a um dos lugares de acesso às competições europeias.

Depois de uma temporada atribulada, com dois treinadores (Jesualdo Ferreira e Jorge Paixão), uma eliminação humilhante na Liga Europa, às mãos do Pandurii da Roménia, e o nono lugar alcançado no campeonato, António Salvador decidiu apostar em Sérgio Conceição para o comando técnico. Conceição conseguiu alguns reforços que têm sido importantes na manobra da equipa nesta época, como o guarda redes Matheus, André Pinto, Tiago Gomes, Danilo ou Pedro Tiba. Cerca de metade das primeiras escolhas do novo técnico são caras novas em relação à temporada passada.

O objetivo assumido pelos “arsenalistas” é terminar entre os primeiros quatro lugares da tabela classificativa. Além disso, o clube quer fazer boas prestações nas taças internas, de onde foi eliminado na época passada nas meias-finais, em ambas as competições, pelo Rio Ave.

A época tem sido, até agora, bastante intermitente. Os bracarenses são muito fortes em casa, onde ganharam todos os jogos disputados, frente a Boavista, Estoril, Rio Ave, Benfica e Gil Vicente para a Liga, com o triunfo sobre o Alcains, para a Taça de Portugal, pelo meio. Em sentido contrário, encontramos o desempenho fora de portas. A primeira vitória dos bracarenses longe do Estádio AXA foi para a Taça de Portugal, frente ao Vitória de Guimarães. Antes disso, encontramos empates frente ao Moreirense, Nacional da Madeira e Académica, e duas derrotas, em Arouca e no Dragão. A primeira vitória para a Liga longe do AXA foi apenas neste fim de semana, por 6-1, no terreno do frágil Penafiel.

Apesar do arranque de contrastes, os bracarenses encontram-se no 4.º lugar do campeonato, ou seja, dentro daquilo que estava pensado pela estrutura liderada por António Salvador.

Pedro Tiba tem sido um jogador nuclear na manobra bracarense <br> Fonte: Facebook do Vitória de Guimarães
Pedro Tiba tem sido um jogador nuclear na manobra bracarense
Fonte: Facebook do Vitória de Guimarães

Voltando ao plantel, penso que, se excluirmos os três grandes, é o melhor da Liga. Existe qualidade e também várias soluções, principalmente a nível atacante. Uma equipa que tem extremos como Felipe Pardo, Rafa, Salvador Agra, Sami, Pedro Santos ou o experiente Alan não se pode queixar a este nível. Pardo e Rafa são os jogadores mais utilizados no apoio ao ponta-de-lança. Para a posição mais ofensiva, o Braga tem duas soluções que já fizeram o gosto ao pé nesta temporada: Éder já apontou cinco golos entre campeonato e Taça, enquanto Zé Luís já fez balançar as redes adversárias por três vezes.

No setor mais recuado, houve mais mexidas em relação à época passada. Na baliza, Matheus assumiu o lugar que pertencia ao internacional português Eduardo. Contudo, alguns problemas burocráticos no início da época impediram o brasileiro de jogar, e aí foi o russo Kritciuk a assumir a baliza. Na memória dos adeptos bracarenses e também dos benfiquistas, devem estar as defesas milagrosas que Matheus fez no confronto em casa frente às “águias”. À sua frente, o quarteto mais utilizado tem sido Baiano na direita, Tiago Gomes na esquerda e Aderlan Santos e André Pinto como centrais. O defesa esquerdo vindo do Estoril até já se estreou pela seleção nacional, no último particular com a Argentina. Como alternativas para os corredores laterais, já foram utilizados Marcelo Goiano e Djavan, dois atletas que Sérgio Conceição já tinha orientado na Académica em 2013/14. Vincent Sasso é a terceira opção para o eixo defensivo. Não é pela defesa que o Braga tem falhado. Nos 13 jogos disputados nesta época, apenas num deles os bracarenses sofreram mais do que um golo.

Quanto a mim, o problema do Sporting de Braga está no meio-campo. Danilo e Pedro Tiba têm-se revelado excelentes opções, dois jogadores que sabem defender e atacar, têm garra e muita disponibilidade física nos vários momentos do jogo. Só que o terceiro elemento da tríade do miolo do terreno, Ruben Micael, não é uma boa solução. O madeirense tem feito pouco em campo e passa muito tempo alheado do jogo. Vejo-o mais tempo a discutir com os árbitros do que a mostrar os atributos que, um dia, até levaram o FC Porto a contratá-lo. Por isso, acho que o Sporting de Braga tem de arranjar outras soluções para o meio-campo. E vai ter de o fazer no mercado de janeiro. Se não vejamos: se não forem Rafa ou o capitão Alan a derivarem para o centro do campo, não há nenhum jogador que possa desempenhar o papel que devia ser cumprido por Ruben Micael. Retirando o trio habitual, as outras soluções são apenas Custódio e Luiz Carlos, jogadores mais talhados para ações defensivas. Se houver lesões ou castigos nesta zona do campo, Sérgio Conceição terá muitas dores de cabeça.

Os minhotos têm sido intransponíves em casa e, caso melhorem o desempenho fora de portas, têm todas as condições para alcançarem os objetivos delineados para esta temporada. Para já, prosseguem na Taça de Portugal e estão nos quatro primeiros lugares do campeonato.

Diogo Janeiro Oliveira
Diogo Janeiro Oliveira
Apaixonado por futebol, antes dos livros da escola primária já lia jornais desportivos. Seja nas tardes intermináveis a jogar, nas horas passadas no FIFA ou a ver jogos, o futebol está sempre presente. Snooker, futsal e andebol são outras paixões. Em Portugal torce pelo Sporting; lá fora é o Barcelona que lhe enche as medidas. Também sonha ver o Farense de volta à primeira…                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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