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Subir, Vencer e Descer

Diogo Pires Gonçalves · 4 min

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Excetuando os casos mais evidentes, como o dos três grandes, do SC Braga e até o dos Vitórias, o principal escalão do futebol português é composto por competidores a prazo. Quero com isto dizer que mais tarde ou mais cedo, estes darão lugar a outros clubes ansiosos por se afirmarem no panorama nacional e assim sucessivamente.

É benéfico, dizem uns, pois permite uma constante renovação das partes intervenientes no futebol nacional. É prejudicial, dizem outros, pois leva muitas vezes ao fim de certos clubes, uma vez que aqueles que se mantêm sempre, sem exceção, são os mesmos. No entanto, também só assim se consegue colher frutos europeus e alimentar o coeficiente das provas europeias, que por estes dias não é famoso…

Um dos casos mais recentes e ilustrativos do meu ponto de partida é o do FC Paços de Ferreira. A última série de presenças na Primeira Liga iniciou em 2005/06 e terminou na época passada, descendo de divisão. Pelo meio, somaram-se boas classificações e tentativas de acesso à Liga Europa, mas nada comparado à campanha de 2012/13 e consequentes provas europeias. O treinador era Paulo Fonseca e o clube da capital do móvel terminou a época em terceiro lugar e o respetivo passaporte para o playoff da Liga dos Campeões.

Longe de FC Porto (78 pontos) e SL Benfica (77 pontos), os castores foram mesmo os primeiros do resto do campeonato, à frente de clubes como SC Braga ou Sporting CP. Os históricos 54 pontos resultaram das 14 vitórias, 12 empates e apenas quatro derrotas, frente aos dois primeiros classificados. Além disso, o FC Paços de Ferreira impôs-se por duas vezes aos leões (1-0 e 0-1) e aos arsenalistas (2-0 e 2-3). Marcaram 42 golos, sofreram 29 e deixavam as expectativas bastante elevadas para o que poderiam fazer na época seguinte, a nível europeu.

O sorteio não foi amigável e os pacenses viriam a defrontar os russos do FK Zenit; as derrotas por 1-4 no estádio do Dragão (casa emprestada) e 4-2 no estádio Petrovsky atiraram o clube português para a Liga Europa. Ainda assim, o clube não deixava de viver dias felizes e a visibilidade e oportunidade de participar na segunda prova da UEFA agradava a atletas, sócios e dirigentes.

Bebé alinhou no empate caseiro frente ao CS Pandurii (1-1)
Fonte: FC Paços de Ferreira

“Competições europeias” e “sorte” não são palavras que se apliquem ao FC Paços de Ferreira. Mais uma vez com um sorteio duro, os auri-verdes foram colocados no grupo E, juntamente com os italianos da ACF Fiorentina, os ucranianos do FC Dnipro e os romenos do CS Pandurii. Fosse pela qualidade do adversário ou pelas viagens longas, a tarefa que não se afigurava fácil, confirmou-se praticamente impossível. Apesar do excelente empate caseiro frente aos italianos (0-0), pouco havia a fazer; mais dois empates frente aos romenos (0-0 e 1-1) foram insuficientes para mover a equipa do terceiro lugar, com três pontos, apenas um golo marcado e oito sofridos.

A fatura europeia, tal como se temia, acabou por se pagar bem cara. A falta de resultados, não tanto europeus, mas nacionais, levaram a uma grande instabilidade no comando técnico, por onde passaram Costinha, Jorge Costa e Henrique Calisto. O clube acabou a época a disputar o playoff de permanência na Primeira Liga frente ao CD Aves, clube que os havia eliminado da Taça de Portugal. Desta vez os castores levaram a melhor e adiaram o sabor amargo da despromoção na mesma época em que o clube alcançava o degrau mais elevado da sua história. Esse sabor chegaria, no entanto, quatro temporadas mais tarde.

Mas nem só com o FC Paços de Ferreira se conta esta história de felicidade com prazo de validade. Também o GD Estoril Praia e o FC Arouca viveram um pedaço de história semelhante. Os estorilistas levavam cinco anos na Primeira Liga quando na época passada confirmaram a descida de escalão. Pelo meio, em 2013/14 e 2014/15, disputaram a fase de grupos da Liga Europa, mas nunca foram além desta fase. No entanto, um quarto e quinto lugares e duas participações europeias deram outro destaque que o GD Estoril Praia nunca teve sobre si.

Por sua vez, o FC Arouca desceu na época 2016/17, depois de um inédito quinto posto na temporada anterior e consequente apuramento para a terceira pré-eliminatória da Liga Europa. Apesar de não ter ultrapassado o playoff (caiu aos pés dos gregos do PAE Olympiacos SFP, depois de eliminar o Heracles Almelo da Holanda), este registo consta como o mais glorioso do clube arouquense que em apenas quatro anos foi promovido à Primeira Liga, competiu internacionalmente e voltou ao escalão secundário.

Estarão os atletas preparados para todo o estrelato que alcançam meritoriamente? Serão os clubes devidamente apoiados pelos órgãos máximos em Portugal? Estará tudo isto relacionado ou serão questões isoladas? Seja como for, no limite, dá que pensar.

Foto de Capa: FC Paços de Ferreira

Diogo Pires Gonçalves

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