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Supernanny para o futebol português já!

Rui Pedro Cipriano · 3 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

Decidi trazer esta semana um tema que tanta polémica e tanto alvoroço tem feito na praça pública portuguesa e que levou mesmo à retirada, por parte da SIC, do programa “Supernanny”, por ordem judicial. Decisão essa que me levou à questão: Será possível alterar o formato do programa, mantendo sempre a sua essência educacional, sem que as autoridades portuguesas ou a opinião publica se manifeste de maneira tão “audível”?

Sim, se o programa for sobre futebol em vez de crianças. Reparem, a televisão portuguesa está cheia de programas, alegadamente desportivos, que são puro lixo, e não vejo ninguém, incluindo as autoridades competentes, muito importadas com isso. Temos programas que não passam de meros meios de propaganda de ódio e onde pessoas adultas fazem figuras como o de “bloquear” um colega de painel com fita da EMEL. Isto não seria problema nenhum se estivéssemos a falar de um sketch do Gato Fedorento, e até teria a sua graça, mas não meus senhores, estamos a falar de um programa onde alegadamente se fala de assuntos sérios relacionados com o futebol. Serão as crianças realmente o problema prioritário para a Supernanny?

Consigo encontrar trabalho suficiente para a Supernanny, que desse “pano para mangas”, para uns bons episódios. E quem sabe seja mesmo aquilo que o nosso futebol precise, uma Supernanny. Desde logo precisávamos que ensinasse os nossos dirigentes desportivos a saberem comportar-se. Numa semana em que vemos o nome de dirigentes benfiquistas ligados a processos judiciais, e tendo visto isso acontecer anteriormente também com nomes de dirigentes portistas (Apito Dourado) e sportinguistas (Pereira Cristóvão), não será altura de pedirmos ajuda à Supernanny para finalmente deixarmos o “chico-espertismo” e passarmos a tentar tornar o nosso futebol cada vez melhor e mais limpo?

As crianças, não poucas vezes, são um exemplo para os próprios adultos  Fonte: SL Benfica
As crianças, não poucas vezes, são um exemplo para os próprios adultos
Fonte: SL Benfica

A Supernanny teria que atuar também no comportamento dos adeptos portugueses. Cada vez mais temos adeptos que estão e usufruem do futebol para fins ilícitos e não propriamente para apoiar a sua equipa. Famílias com crianças que deixam de ir ao futebol ao fim de semana por causa do perigo que o futebol hoje em dia representa, muito por culpa das claques e da violência que estas acarretam. A Supernanny tem que lhes dar uma lição de como apoiar realmente uma equipa sem estarem necessariamente envolvidos em escaramuças. Será assim tão complicado?

Por último não posso deixar também de referir que a própria classe onde me pretendo inserir, a classe dos jornalistas, precisa de uma “mãozinha” da Supernanny. Poucas dúvidas há neste momento sobre o papel fundamental que os meios de comunicação têm também neste clima inflamado que cada vez mais se vive no futebol português. Talvez ela devesse relembrar aos jornalistas, especialmente aqueles que estão nos lugares de topo e quem decide as linhas editoriais, que o futebol jogado sempre foi e sempre será mais importante do que todas as polémicas que os meios de comunicação estão constantemente a tentar criar. O nosso futebol já é sujo o suficiente, não precisando que nós jornalistas contribuamos mais para o piorar. Supernanny, falemos mais de futebol e menos de escândalos, pode ser? Aquilo que nos levou a apaixonar-nos pelo futebol não foram as guerras de bastidores.  Estou a contar consigo para melhorar a imprensa desportiva em Portugal.

Aproveitemos o bom (não é minha intenção em nenhum momento legitimar o programa “Superanny” ou contestar a decisão judicial tomada) que este formato trouxe para Portugal, com vertente educacional, e juntemos isso ao futebol português. Seria importante pedir ajuda à Supernanny para o futebol português. Alguém que relembrasse os valores do futebol e do desportivismo aos dirigentes e adeptos, alguém que trouxesse alguma educação e respeito para o nosso futebol. Até porque muitos dos adultos que andam no nosso futebol comportam-se como crianças.

Foto de capa: Trend-chaser.com

Rui Pedro Cipriano

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