Uma época de luta por uma semana de destruição

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Acredito que um tema desta natureza desperte sentimentos mistos nos leitores. Por isso, vamos por partes. Sim, eu sei que o Rio Ave FC perdeu quase a totalidade da sua equipa, em relação à época passada. Sim, também sei que os clubes fora da órbita dos “três grandes” têm uma tarefa muito mais árdua no que ao planeamento de época diz respeito. Tenho todos os fatores em conta para vincar a minha opinião, e a minha opinião é de que o Rio Ave FC, e a pessoa do seu presidente, António da Silva Campos, falharam e há aspectos merecedores de critica.

Muito bem, depois de ter informado os leitores, que me viessem a julgar de ser desconhecedor da realidade, de que estou bem a par daquilo que se passa no futebol português, está na altura de ir direto ao ponto.

O Rio Ave FC lutou uma época inteira, desde Agosto até Maio, por um lugar na Europa em 2018/2019, fazendo uma temporada muito positiva sob a liderança do treinador Miguel Cardoso, que decidiu partir para uma nova aventura. A equipa vila-condense ganhou o direito de estar na presente edição da Liga Europa depois do Clube Desportivo das Aves ter falhado o seu licenciamento prévio junto da Federação.

Sou sincero, desde o inicio que disse que preferia ter o CD das Aves apurado diretamente na fase de grupos e o Sporting CP a disputar as pré-eliminatórias de acesso. Porquê? Tudo por uma questão de ranking. Numa época em que já perdemos uma equipa europeia, era de todo importante amealhar o máximo de pontos possíveis e ir conseguindo manter ao máximo as cinco equipas europeias. No entanto, reconheci, na altura, um projeto interessante ao Rio Ave FC, capaz de chegar à fase de grupos da Liga Europa, para onde iria o CD das Aves.

Apesar dos maus resultados, os adeptos do Rio Ave proporcionaram uma excelente moldura humana
Fonte: Rio Ave FC

Esqueci-me completamente de algo bastante importante e que seria, talvez, merecedor de uma reflexão: o dirigismo desportivo português. Mais uma vez, os clubes pequenos têm todo o meu respeito e admiração pelo trabalho que conseguem alcançar com poucos recursos, mas isto não pode ser a eterna desculpa. O dirigismo desportivo português é limitado e mesquinho. Vários são os exemplos de equipas portuguesas que depois de uma excelente temporada decidem desinvestir ou mudar a estratégia do projeto a meio. O Rio Ave FC é o exemplo desta temporada.

José Gomes foi uma escolha, no minimo, surpreendente, para o lugar de treinador do Rio Ave FC
Fonte: Rio Ave FC

Parece-me que o presidente António da Silva Campos convenceu-se de que o “piloto automático” e alguma ajuda do empresário Jorge Mendes diga-se, seria suficiente para chegar à fase de grupos da Liga Europa. Não encontro outra explicação. Qual a razão para depois de ter um treinador com um modelo de jogo bem definido e de sucesso, como foi Miguel Cardoso, escolher-se um treinador com um currículo bastante pobre a nível de treinador-principal e com um modelo de jogo diferente? Falo claro de José Gomes. Não há um fio-condutor que me ajude a encontrar a razão pela qual o presidente do Rio Ave FC escolheu José Gomes para seu treinador.

O presidente do Rio Ave (à esquerda) é o principal responsável pela eliminação precoce do Rio Ave nas competições europeias
Fonte: Rio Ave FC

O resultado está à vista de todos. A equipa de Vila do Conde tinha uma equipa perfeitamente ao seu alcance, e quem viu os jogos pode testemunhar as enormes fragilidades que os polacos do Jagiellonia Białystok possuem. Ainda assim, o Rio Ave não conseguiu ganhar um jogo ao vice-campeão polaco. Pior que isso, sofreu cinco golos no total da eliminatória. E Portugal perde um dos seus cinco representantes europeus logo ao primeiro aceno. É caso para perguntar: tanta luta pela Europa ao longo de uma temporada para que?

Provavelmente na próxima temporada estaremos aqui outra vez para falar de uma outra equipa que lutou arduamente pela Europa e depois por incompetência dos seus dirigentes decidiu desinvestir ou mudar o projeto, e por isso, falha a qualificação para a Liga Europa.

Urge-se a mudança de mentalidades, quem fica mal visto é o futebol português. Acreditem em mim, quando o quinto classificado da nossa liga não consegue ganhar ao vice-campeão polaco, liga que está classificada no 21.˚ lugar do ranking da UEFA,  a imagem que fica do nosso futebol é muito má. E desculpem-me, mas para o caso do Rio Ave FC, não há desculpas que ajudem. Nem a questão dos orçamentos aqui se coloca, visto que os vila-condenses até possuem um orçamento maior que os polacos.

As perspectivas para a nova época europeia não são nada animadoras.

Foto de Capa: Rio Ave FC

Rui Pedro Cipriano
Rui Pedro Ciprianohttp://www.bolanarede.pt
Nascido e criado no interior, na Covilhã, é estudante de Ciências da Comunicação, na Universidade da Beira Interior. É apaixonado pelo futebol, principalmente pelas ligas mais desconhecidas, onde ainda perdura a sua essência e paixão.                                                                                                                                                 O Rui escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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