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Num país onde existem três clubes e o resto é paisagem – para o bem e para o mal que isso possa significar – é incompreensível como se agendam partidas para depois das 21 horas e fora do fim de semana. Com clubes espalhados, felizmente, ao longo de todo o país, o adepto é o mais prejudicado na hora de se deslocar ao estádio.

Recorrendo aos dados oficiais da Liga, nestas 16 jornadas foram disputadas 144 partidas divididas da seguinte forma: cinco na quarta-feira, três na quinta-feira, 17 na sexta-feira, 46 no sábado, 60 no domingo e 13 na segunda-feita.

São 38 jogos durante a semana contra 106 no fim-de-semana. Seria, apesar de tudo, um rácio agradável se não estivéssemos ainda a meio da competição… A este ritmo, podemos ter 70 partidas fora durante a semana, das quais os adeptos terão maior dificuldade em comparecer ao estádio, prejudicando os clubes, não só na falta de apoio, mas também nas bilheteiras.

Se mais questões houvesse quanto à preferência do adepto comum em relação ao dia ideal para assistir ao vivo ao seu clube, as médias de assistências comprovam-no e dissipam qualquer dúvida. Até à 16.º jornada, a assistência média nos jogos da quarta-feira ronda os 13500 espectadores. Tendo em conta que um dos cinco jogos envolveu um dos três “grandes”, é muito pouco.

No caso das partidas realizadas à quinta-feita, a média pouco passou dos 4000. Paupérrimo. À sexta-feira, a média dos espectadores no estádio sobe quase até aos 7000, mas nada se compara às de sábado e domingo. Ainda que a maior parte dos jogos se realizem nesta data, incluindo os três grandes em suas casas, também os clubes de menor dimensão registam subidas nos números de bilhetes vendidos, como são exemplos claros o Boavista FC ou mesmo o Vitória FC.

O SL Benfica é, de longe, o clube com maior assistência dentro e fora de portas. No extremo oposto está o Belenenses SAD
Fonte: SL Benfica

Ao sábado, a assistência média nos estádios da Primeira Liga ronda os 14500, ao domingo os 11000 e à segunda-feira os 7200. Os casos excecionais de quarta e quinta-feira devem ser ignorados nesta contabilidade por se tratarem, claro está, de exceções. Assim sendo, os dias da semana são, de longe, os piores no que toca a assistência, mas para o saber não era preciso fazer disto um caso de polícia.

Mas se ao fim-de-semana pelo menos um dos três grandes joga em casa e até juntando um SC Braga ou um Vitória SC, porque é que a assistência média continua a ser tão fraca? No topo dos clubes com maior assistências está o SL Benfica. De longe. Sem surpresa. Nas nove partidas realizadas em casa até ao momento, os encarnados registam uma média de 53800 espectadores. Acima dos 80% da capacidade do seu estádio.

Trata-se, provavelmente, do clube português com mais adeptos em Portugal e não admira que encha constantemente o seu estádio. Esta média é estragada pelos clubes que se seguem nesta lista. Ou melhor, nem todos; FC Porto, Sporting CP, SC Braga e Vitória SC não apresentam registos assim tão maus quanto isso.

Seguindo a ordem dos clubes que mais adeptos levam aos seus estádios, surge bem atrás o FC Porto, com média de 35000 espectadores. De seguida surgem o Sporting CP com 32100 e os rivais do Minho; Vitória SC com perto de 18000 e SC Braga com média de 9395. Pode argumentar-se que uns receberam grandes equipas e, por isso, conseguiram mais enchentes, mas esta é a contabilidade até ao momento.

No extremo oposto, o pior cenário da Liga e, nem em pesadelos se esperava pior, está o caso do Belenenses SAD, que registou as três piores assistências da Liga. Nas jornadas quatro, seis e dez, o estádio Nacional do Jamor recebeu 1213, 821 e 1170 adeptos, respetivamente. Os três registos juntos não enchiam o estádio João Cardoso, em Tondela, aquele com menor lotação da Primeira liga. Dá que pensar…

Foto de Capa: Liga Portugal

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Diogo Pires Gonçalves
Diogo Pires Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
O Diogo ama futebol. Desde criança que se interessa por este mundo e ouve as clássicas reclamações de mãe: «Até parece que o futebol te alimenta!». Já chegou atrasado a todo o lado mas nunca a um treino. O seu interesse prolonga-se até ao ténis mas é o FC Porto que prende toda a sua atenção. Adepto incondicional, crítico quando necessário mas sempre lado a lado.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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