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Belenenses 0-0 Estoril: De justiça não se fez o derby da Linha

Redação BnR · 3 min

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Cenário desolador no Restelo para a partida da jornada 25 entre Belenenses e Estoril. O “derby da linha” devia e merecia um horário mais condizente com aquilo que traz os adeptos dos clubes e do futebol ao estádio. Não se estranhem, pois, as bancadas totalmente despidas na fria noite de sábado. Este não é um problema recente, longe disso. Mas urge que dirigentes e televisões, sobretudo estes, coloquem a mão na consciência e comecem a pensar em quem traz aquilo que de mais belo o futebol tem: os adeptos.

Estados de espírito diferentes para Belenenses e Estoril na abordagem ao jogo. Para a equipa do Restelo não será impensável sonhar com um lugar entre a elite europeia, ainda para mais depois de saber da derrota do Vitória de Guimarães. Por outro lado, a equipa sensação das últimas duas temporadas, sob o comando de Marco Silva, tem estado muito abaixo daquilo que já mostrou e limitar-se-á a um lugar no meio da tabela classificativa.
Pese embora as condicionantes referidas no início, para casa os adeptos levaram a lembrança de uma partida bem jogada e animada.

O golo madrugador de Balboa (G.P.) acabou por abrir o jogo e obrigar o Belenenses a “ir para cima” da equipa adversária. Desde o meio da primeira parte não mais se viu o Estoril em campo. O Belenenses foi sempre mais equipa e demonstrou, uma vez mais, o bom trabalho de Lito Vidigal no banco dos lisboetas e foi com naturalidade que acabou por virar o resultado. Facilmente se notam os (bons) princípios de jogo e ideias da equipa belenense, ao contrário do Estoril, que apenas aos repelões se aproximava da baliza de Ventura. O golo do empate (Tozé) já na recta final do encontro foi muito penalizador para a formação azul, que sempre esteve no controlo das operações ao longo de toda a partida.

O horário do jogo (21h00) não foi benéfico para a presença de adeptos no Estádio do Restelo
O horário do jogo (21h00) não foi benéfico para a presença de adeptos no Estádio do Restelo

Saúde-se este Belenenses que se apresentou em campo com onze jogadores portugueses e com apenas um estrangeiro no banco de suplentes. A mescla de juventude (Dálcio, Pelé, Tiago Silva ou Filipe Ferreira) com a experiência e tarimba de João Meira, Nélson ou Miguel Rosa é um exemplo a seguir para as equipas portuguesas.

Pela parte do Estoril, Kléber foi o único jogador a merecer nota positiva no encontro, dado que a equipa ‘canarinha’ nunca conseguiu apresentar qualquer fio de jogo e boas ideias para o ataque. A qualidade do plantel da equipa da Linha não é, de todo, condizente com o lugar na classificação.

Tomem atenção a…

Dálcio: Extremamente rápido com bola e muito perspicaz a encontrar espaços. Saiu há pouco tempo das camadas jovens ‘azuis’, mas é, claramente, um jovem interessante da Primeira Liga. Fez maldades sem fim a Emídio Rafael. Não se estranha o interesse do Benfica nos seus serviços, uma vez que tem potencial para crescer.

Filipe Ferreira: Muito certinho a defender, mas pouco interventivo no ataque. Não é um jogador exuberante, nem tão pouco o mais tecnicista dos defesas, mas cumpre na perfeição aquilo que se lhe pede. Dificilmente é ultrapassado no um para um, mas ainda revela algumas lacunas no controlo do espaço nas costas.

Kléber: claramente o valor mais deste Estoril. Embora seja mal servido pelos companheiros, não se cansa de vir buscar jogo mais atrás e tenta segurar a bola e entregá-la com qualidade e critério. É muito forte fisicamente e consegue encontrar espaços para rematar com facilidade.

Pelé: O pulmão do meio-campo ‘azul’. Rápido a pensar e a executar, forte fisicamente e com uma tremenda facilidade para aparecer em zonas de finalização. Faz o tal trabalho “invisível” mas imprescindível em qualquer equipa.

Tiago Silva: Bons pés, toque de bola requintado e boa visão de jogo. Mas falta-lhe o que escapa à maioria dos jovens jogadores portugueses: intensidade de jogo e regularidade. Se acumular mais tempo de jogo, anexada a uma maior experiência, poderá vir a tornar-se num valor seguro para os bons clubes da Primeira Liga Portuguesa.

Reportagem elaborada por:

Francisco Vaz Miranda e Mário Cagica Oliveira

Redação BnR

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