O Futebol de Raízes: Humanidade, Magia e um Futuro mais Belo

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Julgo que para o futuro é fundamental pensar e absorver o futebol como uma humanidade. E por consequência o futebol de formação está incluído nessa perspectiva. Falar de futebol é falar de gente, de seres humanos, de espaços e da relação dessas gentes com esses espaços. É falar de seres humanos e objectos (bolas e balizas) e da relação de amor e ódio entre esses elementos. O futebol não pode ser simplesmente reduzido a simples lógica e mecânica. Pode e é ciência, mas uma ciência de seres humanos, de espaços e objectos que interagem entre si. É uma ciência do corpo mas ainda mais da mente. É eternamente uma ciência psicológica, sociológica, biológica, química e física.

O futebol é um todo, é portanto um conjunto de coisas com raízes humana e culturais. Finalmente: pensar em produção futebolística é pensar em algo produzido por gentes, por corpos e por cultura. E isso faz do futebol uma escola artes e humanidades. Somente quando aceitar-mos esta realidade poderemos ser capazes de melhor formar os nossos jovens. E onde é que isto se encaixa com o futuro? Penso igualmente que somente ao conferir liberdade, sociabilidade, contacto com a bola e com espaço, e ao trazer mais experimentação poderemos devolver humanidade à formação e sem dúvida criar mais e melhores atletas quando tudo isto for posteriormente associado à especialização em idades superiores.

Ou seja, é fundamental ser livre, experimentar, criar melhores relações com a bola, melhores relações com os outros atletas e melhores relações com o espaço na base para que depois se possam produzir mais atletas de elevado nível. Atletas esses que sejam competidores mas livres, que sejam creativos e capazes de responder aos desafios que se colocam aos melhores atletas e a qualquer ser humano. Se vamos cortar a base, vamos cortar o processo todo e isto não é mais que compreender a humanidade e a arte que o futebol exige.

Futebol Jovem no Indiana Fonte: Wikipedia
Futebol Jovem no Indiana
Fonte: Wikipedia

O sucesso de formar mais e melhor em Portugal passa igualmente por evitar a completa alienação dos atletas face ao que eles mesmos produzem, face ao jogo e face ao fenómeno futebolístico. Eles têm de ser parte do processo, o jovens têm de ser o centro do trabalho e devem ser eles o foco da atenção. Eles são a razões de todo o sistema existir. Sem exageros e protagonismos, os formadores devem dar-lhes as armas para que eles possam produzir e deixar que os jovens reclamem para si esse produto. No processo de formação o trabalho é de todos, é fundamental pensar como equipa, é fundamental pensar em comunidade mas objetivo do futebol de formação tem de ser sempre dar aos atletas ferramentas e espaço para o sucesso na aprendizagem do jogo. Devolvam portanto a essência do futebol aos atletas.

Gonçalo Borges
Gonçalo Borgeshttp://www.bolanarede.pt
Treinador de Futebol, Sociólogo e professor assistente na University of Wisconsin-Milwaukee, Gonçalo é também adepto do SL Benfica e amante das paixões do futebol.                                                                                                                                                 O Gonçalo não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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