“Masterclass” tática de Mariana Cabral | SL Benfica 1-3 Sporting CP

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O Sporting CP venceu o SL Benfica por 1-3 no dérbi ‘quentinho’ que se realizou no passado dia 26 de novembro, no Benfica Campus. Com esta vitória as verde e brancas reduziram a desvantagem no Campeonato Nacional Feminino de cinco para dois pontos mostrando serem capazes de desafiar a hegemonia encarnada que se tem feito sentir nos últimos anos.

Numa primeira parte marcada por erros individuais, saiu a vencer a equipa que menos erros cometeu. É verdade que o golo madrugador de Diana Silva (0-1, 2’) condicionou desde cedo a partida, mas as comandadas por Mariana Cabral estiveram sempre por cima do jogo, levando-o exatamente para onde queriam. O segundo golo chega aos 26’ (0-2) por intermédio de Cláudia Neto, num lance de insistência de Jacynta Gala e depois de um erro de Carole Costa. A mesma Carole que, no final dos 45’, reduziu para o Benfica da marca de grande penalidade. 1-2 na saída para os balneários.

Na segunda parte as águias entraram revigoradas (com a ajuda de Kika Nazareth que entrou ao intervalo) e empurradas pelo Benfica Campus – nota para a espetacular afluência de adeptos no Seixal – aumentaram a pressão sobre as adversárias. Seguiram-se minutos de muito equilíbrio, de duelos e muita vontade de parte a parte. Até que aos 61’ Ana Capeta aumentou a vantagem das leoas (1-3) depois de mais uma excelente jogada de Jacynta Gala.

Feito o resumo do jogo, vamos ao que interessa: a abordagem tática do Sporting CP para enfrentar este SL Benfica de Liga dos Campeões. Tenho de dividir isto em duas partes distintas, a defensiva e a ofensiva, naturalmente. A defender, as leoas apresentaram-se em 4x4x2 com Fátima Pinto ao lado de Norheim, no centro da defesa leonina. Joana Martins e Maiara formaram duplo pivot no meio-campo e à sua frente jogaram Cláudia Neto e Diana Silva. No lado esquerdo jogou Fátima Dutra e Jacynta Gala e no direito jogaram Ana Borges e Olivia Smith. Um 4x4x2 clássico e muito bem trabalhado por Mariana Cabral, onde se notavam perfeitamente quais os momentos em que a equipa queria pressionar e onde queria deixar o Benfica jogar.

A saída de bola encarnada era um desses indicadores, tanto que a formação de Filipa Patão, principalmente na primeira parte, se viu obrigada a jogar um futebol mais direto onde claramente nunca se sentiu confortável. As águias tentavam sair a “três” com Lúcia Alves a dar largura no corredor direito e com Andreia Faria a baixar no lugar da internacional portuguesa, mas o Sporting não se deixava cair no ‘engodo’. Jacynta Gala, do lado esquerdo, dividia a sua posição entre Lúcia Alves e Andreia Faria queimando as duas opções, Olivia Smith fazia o mesmo com Catarina Amado e Andreia Norton (que caía muitas vezes no lado esquerdo). Sobrava então a opção central, mas era exatamente isso que as leoas desejavam, e foi assim que nasceu o segundo golo do Sporting CP. As duas médias juntamente com as duas avançadas formavam um quadrado no centro do terreno que foi quase sempre impenetrável, principalmente enquanto houve pernas para saltar na pressão.

Se a defender a missão das leoas era simples, objetiva e facilmente identificável, o mesmo não se passava quando as leoas atacavam. Com bola o Sporting apresentou-se num 3x4x3 bastante flexível e que torna até injusta a missão de lhe atribuir uma disposição tática (tanto podia ser 3x4x3 como 3x5x2, mas já lá vamos). A grande variante da manobra ofensiva das verde e brancas foi o posicionamento de Fátima Pinto (defesa-central) que se juntava a Joana Martins no centro do terreno, formando duplo pivot. Ana Borges e Fátima Dutra fechavam dentro com Norheim e formavam a linha de três. Esta variante dava liberdade a Maiara para se juntar na frente a Claúdia Neto e Diana Silva que tinham liberdade para “vaguear” pelo terreno de jogo, nunca dando uma referência de marcação às defesas encarnadas.

Foi uma constante vermos uma destas três a vir buscar jogo entre linhas tanto na meia direita como na meia esquerda, tanto que dei por mim a pensar, “mas como é que elas têm tanto espaço para jogar?”. A resposta era fácil, grande parte desse espaço e tempo era provocado pelo trabalho “invisível” de Jacynta Gala e Olivia Smith. Cada uma no seu lado e a dar largura máxima em todos os momentos de jogo (com bola), obrigavam as águias a tomar uma decisão: ou pressionavam em cima deixando espaço nas costas e onde as duas leoas foram quase sempre mais fortes (Olivia Smith muito forte no ataque à profundidade, Jacynta melhor com bola no pé) ou então marcavam à zona e daí surgiam, naturalmente, os espaços livres entrelinhas que foram tão bem aproveitados pela formação de Mariana Cabral.

  
Na conferência de imprensa, e porque Mariana Cabral foi expulsa no decorrer da partida, questionei o treinador-adjunto das leoas, João Mateus, sobre a importância do posicionamento de Fátima Pinto, ao qual respondeu:

«Sim, é o nosso desdobramento ofensivo. Como disse, e muito bem, nós defendemos com uma linha de quatro onde a Fátima integra como defesa-central e depois com bola sobe para se juntar à Joana criando ali um duplo ‘pivot’ na nossa construção a três. É um bocadinho a evolução daquilo que foram os nossos últimos anos, já jogámos com a Ana Borges também a fazer esse trabalho jogando como extremo e defendendo como lateral, um bocadinho como o Benfica faz hoje com a Lúcia [Alves]. Foi fruto da nossa análise dos últimos tempos para casar melhor com as características das nossas jogadoras, permitindo também dar mais liberdade às nossas medias-ofensivas para ocupar os espaços que achamos mais relevantes».

Renato Alexandre Soares
Renato Alexandre Soareshttp://www.bolanarede.pt
O Renato é natural de Aveiro mas atualmente reside em Lisboa. Está, neste momento, a tirar uma licenciatura em Ciências da Comunicação no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. Tem no futebol a sua maior paixão, mas é um aficionado pelo mundo do desporto. Desde futebol até à Fórmula 1, passando pelo basquetebol e andebol, se for um desporto, tem lugar garantido na vida do aveirense.

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