Olhanense: Como não gerir um clube

- Advertisement -

futebol nacional cabeçalho

A época 2013/14 tem sido muito difícil para o Olhanense, que tenta, a todo o custo, manter-se na Primeira Liga. Ao contrário de Portimonense e Farense, que fazem um campeonato calmo na Segunda Liga e até lutam pela subida, os homens de Olhão têm tido uma época muito conturbada, ocupando o penúltimo lugar, com apenas três vitórias. Para esta situação contribuíram os inúmeros erros da Direcção.

Convém explicar que a situação do Olhanense não é recente. Já vem da época passada, com salários atrasados e ameaças de greves a jogos. Depois deste final conturbado e da crise que existia, o Olhanense encontrou em Itália alguém que investisse no clube. Quem apareceu foi Igor Campedelli, um empresário italiano, que detém 80% do capital do Olhanense. Este negócio levantou sempre muitas suspeitas e desconfiança, pelo facto de ser um desconhecido e de apostar num clube que atravessava uma grave crise e sem promessas de retorno desse investimento.

Igor Campedelli é o novo vice-presidente do Olhanense Fonte: totalsport
Igor Campedelli é o novo vice-presidente do Olhanense
Fonte: totalsport

Esperava-se que esse tal investimento se traduzisse num plantel equilibrado que cumprisse o objectivo da manutenção. Errado. O plantel do Olhanense é o exemplo de como não se deve fazer um plantel. Este foi feito em cima do joelho, com demasiados jogadores à experiência, um vai-e-vem de entradas e saídas durante a pré-época que não dá estabilidade a nenhum treinador. O resultado é um plantel com 14 línguas diferentes, o que dificulta a comunicação no interior do grupo. Nesse plantel de tão variadas nacionalidades, podemos encontrar jogadores como Per Kroldrup (ex-Fiorentina e Everton), Obodo (ex-Udinese) e Santana (ex-Fiorentina). Jogadores com alguma experiência no futebol, que já andaram por grandes palcos e que podem ajudar o Olhanense. Mas convém não esquecer que aparecem já numa fase terminal da carreira, onde a forma pode não ser a melhor.

E para um plantel destes, que não teve a estabilidade necessária durante a pré-época, o ideal seria um treinador experiente, já habituado a estas andanças, para tentar construir o melhor plantel, certo? Errado. A aposta do presidente do Olhanense foi em Abel Xavier, que assim teve a sua primeira aventura como treinador. Por muito que Abel Xavier tenha sido um jogador experiente, foi uma aposta errada por parte da Direcção do clube. Face a todas as condicionantes do plantel, era preciso outro tipo de treinador, que já tivesse mais calo na Primeira Liga. Mas os erros não ficam por aqui. Mantendo a aposta em Abel Xavier, o jovem treinador até estava a fazer um trabalho positivo, tendo em conta que tinha o plantel, na minha opinião, mais fraco do campeonato, mas acabou por ser despedido à oitava jornada, após uma vitória frente ao Arouca, e quando estava em 11º lugar. Um erro ainda maior do que a sua contratação, pois, na altura em que saiu, não se podia de todo criticar o seu trabalho. Para o seu lugar, veio Paulo Alves, treinador já com outra experiência, mas com ele veio também uma série negra de oito jogos sem vencer. Ao comando dos algarvios, o técnico nunca conheceu o sabor da vitória e saiu sem glória. Agora, os destinos do Olhanense estão nas mãos de Giuseppe Galderisi, um desconhecido para muitos dos adeptos portugueses. Com este italiano, a equipa já venceu um jogo e perdeu outro. Será Galderisi o homem certo para levar o clube de Olhão a realizar uma temporada mais calma?

Para dificultar a missão no campeonato há o facto de a equipa não ter jogado no seu estádio durante quase toda a primeira volta, mas sim no do Algarve, o que não é a mesma coisa, pois o apoio dos sócios faz-se sentir muito mais no Estádio José Arcanjo. Esta tem sido uma situação que tem sido ignorada por parte da direcção. A época do Olhanense adivinha-se muito complicada e é fruto de uma gestão danosa por parte da direcção. Aqui está um bom exemplo de como não gerir um clube.

André Conde
André Condehttp://www.bolanarede.pt
O André apoia o Benfica, mas, acima de tudo, gosta de comentar o futebol em geral. Adora assistir às primeiras pré-eliminatórias das provas europeias e é fã do Stoke City.                                                                                                                                                 O André não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Champions League Asiática: Já são conhecidas novas datas dos jogos adiados pelo conflito no Médio Oriente

A AFC anunciou as novas datas dos encontros da Champions League Asiática previamente adiados devido ao conflito no Médio Oriente.

Idrissa Gueye comenta decisão da CAF e recorda final: «Se jogássemos aquela final 10 vezes, teríamos ganho 10 vezes»

Idrissa Gueye reagiu e deixou críticas à polémica da CAN’2025, com a decisão da CAF ainda a gerar contestação em África.

Já treinou 3 clubes da Premier League e admitiu: «Sinto falta do mundo do futebol inglês»

Mauricio Pochettino, atual selecionador dos Estados Unidos, recorda com bons olhos a passagem por Inglaterra, onde treinou três clubes.

UEFA recusa pedido de vários clubes ingleses relacionado com a Champions League

A UEFA rejeitou a proposta apresentada por clubes ingleses para alargar a lista de inscritos na Liga dos Campeões para 28 jogadores na próxima temporada.

PUB

Mais Artigos Populares

Selecionador da Dinamarca elogia versatilidade de Victor Froholdt: «Tem a capacidade de jogar em quase todas as posições, exceto a de guarda-redes»

Brian Riemer, selecionador da Dinamarca, referiu que o médio do FC Porto, Victor Froholdt, pode jogar em qualquer posição, menos na baliza.

William Gomes comenta chegada de Thiago Silva ao FC Porto: «É um ídolo para todos nós»

William Gomes mostra-se rendido a Thiago Silva. Extremo brasileiro fala sobre como é trabalhar com o defesa-central no FC Porto.

Rasmus Hojlund relembra experiência no Manchester United: «Foi duro»

Em estágio com a Dinamarca, Rasmus Hojlund refletiu sobre a passagem pelo Manchester United e confessou que a mudança para o Nápoles foi fulcral para a sua confiança.