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4-3-3 ou 4-4-2, em que é que ficamos? | FC Porto

João Castro · 4 min

Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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Nos últimos tempos, temos assistido a algumas mutações táticas no FC Porto. Aquele 4-4-2 puro que era apanágio de Sérgio Conceição muitas vezes é convertido num 4-3-3 ou até num sistema com três centrais. Estaria a mentir se dissesse que nos últimos três anos nunca existiu uma troca de sistema de jogo, mas a verdade é que esta época já vimos por várias vezes um onze inicial a surpreender aqueles que por natureza já apostavam numa mudança da equipa.

A principal mutação a que temos assistido nos últimos tempos é entre o clássico 4-4-2 e o 4-3-3. Creio que o fator diferenciador destes dois sistemas táticos é sem dúvida Marega. Quando o FC Porto joga em 4-4-2 é para aproveitar muito daquilo que o avançado maliano pode oferecer à equipa. No 4-3-3 ou coloca-se Marega sozinho na frente de ataque (o que não é nada positivo tendo em conta as características do número 11 portista) ou um ponta de lança como Taremi, Toni Martínez e Evanilson (o que me parece ser a melhor solução).

Se olharmos para os jogos mais recentes em que o FC Porto adotou um sistema de três avançados no esquema inicial, apontamos imediatamente para os encontros frente ao Chelsea FC e CD Nacional. Falando nos dois jogos frente à equipa inglesa, o 4-3-3 teve como ponta de lança Marega.

O maliano esta temporada já marcou 12 golos e fez cinco assistências em todas as competições
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Por um lado, consigo perceber as vantagens que o maliano poderia trazer a um jogo destes, mas jogar desapoiado na frente de ataque não é a melhor solução para um jogador que não tem a capacidade de segurar a bola e jogar de costas para a baliza. O 4-4-2 também não seria a melhor solução para um jogo desta dimensão, uma vez que a entrada de Grujic era essencial para preencher ainda mais o meio-campo. Dois homens não são suficientes para tentar travar um jogador como Kanté.

Muitos defendem que na segunda mão da eliminatória poderíamos ter visto Mehdi Taremi sozinho na frente de ataque e Marega no banco. Provavelmente seria a melhor solução, mas se também tivesse corrido mal, já se defendia que a verticalidade de Marega tinha feito falta… Por outro lado, creio que Marega sozinho na frente de ataque não tem a liberdade para explorar a profundidade comparativamente aos momentos em que está mais encostado às alas…

O jogo frente ao CD Nacional foi mais um exemplo do 4-3-3, mas com Taremi sozinho na frente de ataque. Podemos afirmar que foi uma escolha acertada porque, para além do resultado positivo na madeira, o avançado iraniano fez o gosto ao pé. Este não era um jogo de dificuldade acrescida para ter três médios.

No entanto, também não era o jogo para Marega procurar a profundidade em centrais que passam mais de metade do jogo encostados à sua grande área. Aliás, isso é o que se passa em 90% dos jogos que o FC Porto disputa no campeonato português, e por alguma razão eu sou crítico de muitas vezes Marega atuar de início. Mas isso são temas para outros artigos.

Gruijic chave troca 4-3-3
Marko Grujic é um dos elementos diferenciadores na passagem do 4-4-2 para o 4-3-3. Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

Estes dois jogos que referi acima são assim exemplos claros de que já não há certezas sobre o esquema tático que vamos ver nos dragões. É interessante pelo facto de servir como um dado surpresa na preparação das equipas adversárias. Já não se sabe se Marega vai fazer companhia a Taremi, se Marega vai jogar sozinho, se Taremi vai jogar sozinho ou se Taremi vai fazer companhia a Toni Martínez.

Esta última dupla que referi também é um conceito novo na era de Sérgio Conceição. Recentemente, já vimos dois jogos em que se manteve um 4-4-2, mas sem Marega no onze. Na visita a Tondela, vimos uma dupla Toni Martínez e Evanilson. A vitória foi clara dos portistas.

Na receção ao FC Famalicão, vimos Taremi e Toni Martínez a surgir no onze inicial. A vitória foi sofrida, mas viu-se um bom futebol e um bom entrosamento entre os dois avançados. Mais uma prova de que com defesas posicionais, os avançados posicionais são os únicos capazes de criar dificuldades.

Nestes jogos em que o o sistema de dois avançados é escolhido como modelo inicial, não é de descartar uma mutação tática ao longo dos 90 minutos. O 4-4-2 já deu lugar ao 4-3-3 sempre que o FC Porto se sentia mais “apertado” pelo adversário nos instantes finais do encontro. O jogo frente ao Vitória SC foi apenas um exemplo. Tínhamos uma dupla constituída por Marega e Taremi que deu lugar a um 4-3-3 com Toni Martínez sozinho na frente de ataque. Grujic é sempre o elemento a mais que entra para reforçar o meio-campo.

E depois deste monólogo de sistemas táticos, surge a principal questão deste artigo. 4-4-2 ou 4-3-3, em que é que ficamos? Ou estou muito enganado ou o 4-4-2 vai continuar a ser o pilar base, e o 4-3-3 para jogos complicados. Mas reitero que não me surpreende que continuemos a ver algumas surpresas no onze inicial portista. Talvez tenha chegado a hora de romper com o modelo de jogo tradicional.

João Castro

Redação Bola na Rede · ver artigos