A arte de saber negociar

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Ainda nem abriu o mercado de transferências e já a SAD “arrecadou” 27 milhões de euros (15M de Iturbe + 12M de Fernando – 80% de 15M). Se a transferência de Iturbe se deveu pura e simplesmente a uma cláusula que nunca se esperaria que viesse a ser activa (sim, porque com Lopetegui o “mini-Messi” teria uma verdadeira chance), a de Fernando tem outros contornos – uma autêntica jogada de mestre por parte da SAD azul-e-branca.

Pois bem, na minha opinião um jogador como Fernando nunca poderia sair, em condições normais, por um valor inferior a 25 milhões de euros. É de longe o melhor médio defensivo em Portugal e, também de longe, um dos melhores da Europa. Sabendo de antemão que o “Polvo” queria sair, o clube da Invicta esteve perto de perdê-lo a custo zero em Janeiro, para os citizens. É ai que entra a mestria de que tanto falo! Para ter algum retorno financeiro, os dirigentes portistas (decerto através do seu mais alto símbolo, Pinto da Costa) reúnem-se com Fernando, oferecem-lhe uma renovação com algumas (poucas) melhorias financeiras e garantem que o deixam sair por uma proposta “aceitável”. É claro que Fernando não queria, mas arriscar-se a sair em Janeiro “pela porta pequena” seria, no mínimo, desmedido.

E este não é um cenário novo. Temos o exemplo de Falcao, Hulk, James, entre outros, que renovaram antes de sair. No Porto, o comprar barato e vender caro, às vezes com preços mega inflacionados (veja-se o exemplo do maior “barrete” de sempre – Cissokho, que foi comprado por 300 mil euros e seis meses depois foi vendido por 15 milhões de euros), tem dado resultado e apenas falhou… no ano passado!

Agora comparemos esta transferência, limpa e sem contornos, com a de Garay, jogador de excelência em final de contrato que é vendido por uns “estratosféricos” 6 milhões. Alguns regozijam-se, outros dizem que “até foi um bom negócio” (os mesmo que, horas depois, vêm criticar a brilhante transferência – dadas as circunstâncias – de Fernando). Mas, meus amigos, estes são os factos: 50% do passe de Garay pertenciam ao Real Madrid, 10% a um fundo de investimento e com tudo isto o Benfica recebe cerca de… 2,4 milhões. Basta fazer contas. Esse é o valor de mercado de… Djalma? Kléber?

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Fernando é um dos melhores do mundo na sua posição
Fonte: fernandoregesfas.blogspot.pt

Uma suposição: ambas as transferências devem ter jogadores incluídos. Até aí o Porto fica melhor servido! Se do Zenit se avizinha a vinda do muito falado Luís Neto (que ao pé de Garay é um Jardel, não menosprezando), do City aposto que pode vir Javi Garcia, jogador espanhol que decerto não terá espaço no City na próxima época. Mas estas são apenas suposições arriscadas! Veremos…

Agora, digam-me, fosse Garay do Porto (quem me dera!), saíria ele por estes números irrisórios? Ou, mesmo com um ano de contrato, o clube azul-e-branco ainda faria entrar uns “agradáveis” 15/20 milhões limpos nos seus cofres? É a arte de saber mais do que os outros no mundo do futebol, meus amigos.

Todos sabemos que tanto Fernando como Garay são dos melhores do mundo nas respectivas posições e que valem o dobro daquilo que pagaram por eles (no caso do central, mais ainda!), mas, vistas as coisas no estado em que estão, o Benfica perde o melhor central do campeonato e o Porto perde o melhor médio defensivo. A diferença? “Alguns” milhões, só isso. Ah! E um campeonato mais pobre, de certeza!

E agora? Como será o Porto seis épocas depois, sem o “Polvo”? Também não estou muito preocupado com isso, pois ao que tudo indica Lopetegui já terá definido o seu alvo: quer um médio defensivo de transições rápidas (coisa que Fernando não era). No novo modelo que o técnico implementará (certamente igual ao que sempre usou nas equipas jovens que treinou), um jogador como o luso-brasileiro não se encaixava tão bem, pois as equipas de Lopetegui jogam com base na posse de bola acentuada, explorando “zonas-alvo” para penetrar, procurando uma basculação rápida da bola e fazendo-a “entrar” no momento certo. Herrera, Tozé (caso fique), Mikel, Oliver (segundo a imprensa, já garantido) e o próprio Defour (se for o mesmo que na recta final da época) são jogadores com esse perfil. Não veremos um “trinco” assumido; veremos um jogador estilo Busquets no Barcelona ou Touré no Manchester (salvo as devidas distâncias): jogadores de missões mais defensivas mas que são pedras fundamentais na construção de jogo ofensivo das respectivas equipas. E isso Fernando não dava ao Porto – era o jogador que estava “em todo o lado” a “tapar buracos” (daí a alcunha).

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Como será o Porto sem Fernando?
Fonte: fernandoregesfas.blogspot.pt

Adoro o estilo de jogo de Fernando, mas, a ter de sair, penso que saiu na altura indicada, pois a “Fernando-dependência” do Porto poderia não ser benéfica para este “novo” plantel.

Desejo tudo de bom ao Fernando e agradeço-lhe tudo aquilo que fez enquanto jogador do Porto. Foi enorme! Pode ser que agora que ele saiu do Porto percebam que ele é um dos melhores do mundo na sua posição, como aconteceu com Hulk, James, Moutinho, Pepe ou Falcao depois de abandonarem o Dragão. O costume com jogadores do Porto…

Para finalizar, volto a dizer que o Porto fez (mais um) milagre, tendo em conta o negócio que poderia ser feito. Agora esperemos que acertem nas contratações deste ano, como tem sido habitual! Curiosidade final: não só o Porto tem tantos jogadores no Mundial como Benfica e Sporting juntos, como tem um jogador e um ex-jogador nos três melhores médios da fase de grupos: Herrera e James (que é, de momento, o melhor marcador)!

Vamos Porto!

Redação BnR
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