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A Champions no estádio: o jogo e o que fica dele

Pedro Nuno Silva · 3 min

A Champions no estádio: o jogo e o que fica dele

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tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

O Estádio do Dragão voltou a receber mais uma grande noite europeia: as bancadas encheram para ver o Futebol Clube do Porto defrontar o Bayern de Munique, na 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões. A análise ao jogo já foi feita, por isso falarei das sensações e do que se disse posteriormente; como foi sentir de perto a atmosfera vibrante de um jogo destes e o orgulho e extrema felicidade com que se sai de um estádio depois de uma grande vitória.

Durante o dia já não conseguia pensar noutro assunto: o jogo canalizava todo o pensamento e a adrenalina já se fazia sentir por todo o corpo. Na chegada ao estádio, o alívio! Já estava na minha cadeira – daqui ninguém me tira. Coreografias bonitas, mensagens para a Europa do futebol por parte das claques – nada faltou neste espectáculo.

A notícia de que o Bayern não contava com vários titulares era animadora mas havia outra boa nova – Jackson Martinez ia ser titular. De resto foi hiperbolizada a escassez de recursos do Bayern de Munique. Do onze titular apresentado por Guardiola, 10 jogadores estão entre os 12 mais utilizados e só Thiago Alcântara (curiosamente o melhor jogador dos alemães na partida) foi pouco utilizado. Robben e Benatia eram os jogadores mais em forma do lote de indisponíveis aquando do momento das lesões. Assim, qualquer tentativa de tirar mérito ao Porto parece esbarrar nas evidências dos números. E, afinal, o Porto não contou com um central titular nem com um extremo rapidíssimo que podia fazer a diferença num jogo destes.

Primeiros minutos de jogo, primeiras explosões de adrenalina. O Bayern, com alguma soberba, facilitou na defesa por duas vezes e, como tal, o Porto já ganhava por 2-0. Entusiasmo, felicidade e adrenalina induzidas por um começo fantástico. O público não se calava, os alemães estavam estonteados personalizando Guardiola esse sentimento. Do que se percebe dos bávaros, o talento é enorme; sem o distanciamento de uma TV percebe-se que o toque de bola é primoroso, as recepções e passes são certeiros… não há muitos defeitos a apontar-lhes, de facto. Mas o coração do nosso clube é enorme e, com maior ou menor dificuldade, foi mantendo o Bayern envolvido numa teia de jogadores não deixando haver grande espaço para jogar; é, portanto, preciso dizer – o Porto fez uma grande exibição.

O resultado é bom mas não é óptimo. Basta perder por 2-0 na Alemanha para o sonho portista acabar, daí que todo o cuidado seja pouco e todo o coração seja necessário. Os adeptos saíram do estádio afónicos e os azuis e brancos acabaram o jogo “estourados”, e com duas baixas de peso – Alex Sandro e Danilo. Duas gotas de óleo no oceano de felicidade e ilusão portista.

O mais dificil ainda não foi feito: temos três jogos no espaço de uma semana e pouquíssimo tempo para recuperar física e psicologicamente. Com a Académica, Lopetegui terá que mexer muito na equipa; não há outra forma de abordar o jogo mas o maior desafio será recuperar a concentração contra o Benfica. Depois de jogos da Liga dos Campeões, a recuperação psicológica parece mais importante do que a física, pelo que será crucial Lopetegui trabalhar neste campo.

Aconteça o que acontecer na próxima Terça-Feira, a grande alegria que tivemos na última Quarta já ninguém nos tira. O Porto está presente entre os grandes do futebol, recolhe elogios dos quatro cantos do mundo, e mostra de que massa é feito. Resta manter o sonho vivo e isso passa já por ganhar à Académica este sábado.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Pedro Nuno Silva

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