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eternamocidade

Dizia Confúcio que “não corrigir as nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros”. Por momentos deve pensar que, ao ler um título destes e uma citação destas no início de um texto na secção do FC Porto, tudo isto não passa de uma profunda barbaridade. Perceberá, com este texto, que não é bem assim, caro leitor.

Que o homem não é infalível, todos sabemos; que todos estão sujeitos a erros, também é de senso comum, mas será possível pensar-se que errar tantas vezes da mesma forma é só mesmo coincidência? Sinceramente penso que não.

Tal como em muitas outras problemáticas da vida, também “a falha” está inerente no futebol. O golo que foi marcado porque o defesa falhou, o penálti que não foi assinalado porque o árbitro falhou ou não quis ver. Mas adiante, podia estar aqui uma eternidade só a falar das enormes falhas que podem ser cometidas num mero jogo de futebol. Lá no fundo, eu acho que quando aplicamos este conceito ao FC Porto de Paulo Fonseca, a dimensão disto ganha contornos inexplicáveis. Em poucas palavras, podia apenas dizer que este Porto tem duas caras: a de gala, como na primeira parte em St. Petersburgo, ou a paupérrima, como no Restelo.

Jackson voltou a ser perdulário no ataque Fonte: http://www.maisfutebol.iol.pt/
Jackson voltou a ser perdulário no ataque
Fonte: http://www.maisfutebol.iol.pt/

E é então aqui que chegamos a esta “falha”. Toda a gente sabe que James e Moutinho eram dois jogadores fundamentais; todos sabemos que Herrera ainda parece demasiado verde para a Europa e Quintero é demasiado verde para um grande clube europeu. Bom, mas esta “falha” não se resume meramente a uma questão de artistas, resume-se à forma como todo o “espetáculo” é montado. Sem capacidade de controlar uma partida ou simplesmente ser eficaz na hora de rematar, este tri-campeão nacional é intermitente, aparece de forma triunfal num instante para desaparecer pelos minutos de uma partida no segundo seguinte. É, por isso, inexplicável esta falta de identidade de uma equipa que parece ainda não se ter encontrado. É, por isso, ainda mais difícil explicar a falta de identidade deste treinador, que se queixa da sorte e do azar, mas que parece também demasiado verde para estas andanças.

Nesta mescla de rapazes verdinhos para o FC Porto, a “falha” está sempre lá: no Restelo de Mangala, este Sábado de Otamendi. E, repare bem, ambos os centrais já lá andavam antes dos outros “verdinhos” pisarem aquele palco. Parece mesmo que a culpa é do espectáculo, do jogo que é produzido, e daquilo que é pensado. Este FC Porto de duas caras não controla, não esmaga, não goleia. Parece estar sempre à procura do risco, à procura da intranquilidade que a qualquer momento nos trai. E, claro, quando tudo corre menos bem, até parece que esta “falha” nos trai mais vezes. De 5 pontos sobra 1, de aplausos já sobram apenas dúvidas… tudo por culpa da “falha”.

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