A importância dos primeiros tira-teimas

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O início de temporada do F.C. Porto trouxe 5 vitórias em 5 jogos e sobretudo uma coesão defensiva como há muito tempo não se via no Dragão. Mais do que os craques que o plantel coleciona do meio campo para a frente, aquilo que tenho gostado mais nestes primeiros jogos é a consistência que o quarteto defensivo composto por Danilo, Maicon, Indi e A. Sandro já demonstram após tão pouco tempo de Lopetegui à frente dos destinos da equipa. Contra o Moreirense, a ideia de posse de bola exaustiva manteve-se, com o F.C. Porto a demonstrar muitas dificuldades no primeiro tempo para furar a muralha defensiva contrária, muito em virtude da pouca profundidade que Adrián López demonstrava. No meio campo, a coexistência de Oliver e Brahimi não parece ainda consolidada. Com tanta magia nos pés do espanhol e do argelino, faltou alguém que desse outra capacidade física e que fosse mais capaz de apoiar Casemiro na primeira fase de construção ofensiva. Por isso mesmo, parece cada vez mais óbvia a importância de Herrera e a constante utilização de Evandro nesta altura da temporada. Numa posição fulcral como a posição 8, o FC Porto precisa, com este estilo de jogo, de um jogador que mesmo tendo menos recorte técnico seja um verdadeiro box-to-box.

No ataque, continuam os problemas em criar verdadeiras situações de golo – bem sei que para ganhar até pode bastar ter apenas uma oportunidade, mas admito que já esperava um futebol mais acutilante no último terço do terreno. Mesmo com Brahimi e Oliver Torres no onze, continua a faltar presença na área, com Jackson Martinez a ser alvo único das arrancadas de Danilo e Alex Sandro. Em jogos como o do último domingo, contra equipas predominantemente defensivas, é necessária mais presença na área adversária ou então esperar que, à semelhança do que tem acontecido neste início de época, Jackson Martinez resolva. Todos sabemos da enorme qualidade do colombiano – um jogador extremamente regular e eficaz – mas numa equipa com tantos jogadores de valor superlativo (Brahimi, Herrera, Oliver, Quaresma, Tello, Adrián, Quintero, Aboubakar, etc.), é arriscado basear apenas em Jackson a exigência de colocar a bola nas redes adversárias. A ideia que fica dos cinco jogos já realizados é que este F.C. Porto precisa de um adversário de qualidade superior para realmente testar os seus limites. Ao olhar para jogadores como Casemiro, Brahimi ou Oliver Torres, admito que questiono a capacidade destes atletas em puxarem dos galões e mostrarem que também sabem vestir o fato de macaco.

brahimi
Neste inicio de época, Brahimi tem estado em plano de destaque.
Fonte: fcporto.pt

O mês de Setembro traz, na minha opinião, os primeiros testes a sério para o FC Porto. Obviamente que o playoff da Liga dos Campeões trouxe uma equipa complicada como a do Lille, mas creio que as próximas semanas trarão obstáculos mais perigosos aos comandados de Lopetegui. Logo no dia 14, a deslocação a Guimarães surge como um verdadeiro perigo, num jogo contra um Vitória de Guimarães que se tem destacado como uma das principais revelações do campeonato até ao momento. A chegada da Liga dos Campeões, no dia 17, em casa, frente ao BATE Borisov, leva os portistas a estarem obrigados a vencer os bielorussos para mostrar desde logo o objetivo mínimo da equipa para esta competição. No fim-de-semana seguinte, o dérbi contra o Boavista perspetiva-se como o jogo teoricamente mais acessível neste ciclo de seis jogos, onde o clássico contra o Sporting, em Alvalade, a 27 de setembro, surge para muitos como o primeiro verdadeiro teste para os portistas. A deslocação a Lviv para defrontar o Shakhtar Donetsk e a receção ao Sp. Braga no primeiro fim-de-semana de Outubro completam o ramalhete de três semanas extremamente intensas para os portistas. O início da Liga dos Campeões e o duplo confronto com Sporting e Sp. Braga revelam-se como obstáculos de fogo para a equipa portista.

A dúvida que tenho é se com jogadores tecnicamente tão evoluídos poderá sobressair uma caraterística que é essencial para ganhar este tipo de jogos – a fibra. Em Alvalade e na Ucrânia, bem como no jogo com o Braga e em Guimarães, não é preciso só a magia de Brahimi, a extraordinária capacidade técnica de Oliver ou os golos de Jackson. Para além de todos esses predicados, é preciso ser uma equipa realista, uma equipa que compreenda que há momentos em que também pode ser dominada. É que o smoking só serve para ganhar jogos. O fato de macaco serve, na maioria das vezes, para ganhar títulos.

Redação BnR
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