A incógnita Diego Reyes

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Diego Reyes é um dos jogadores mais incompreendidos do plantel atual do FC Porto, seja pela massa adepta do clube, seja pelo seu treinador. Apesar da sua tenra idade (22 anos), o seu percurso é longo mas o seu valor enquanto jogador é já posto em causa – e alvo de discussões mediáticas.

Reyes chegou ao Porto a troco de nove milhões de euros, estando referenciado como o futuro do setor defensivo mexicano. Abordando um pouco o seu percurso, antes de rumar ao Dragão, Reyes ganhou a titularidade no Club de Futból América do México, onde inclusivamente foi capitão de equipa. A nível internacional, participou num Mundial sub17, num Mundial sub20 (tendo alcançado o terceiro lugar), nos Jogos Olímpicos de 2012 (em que conquistou a medalha de Ouro), num Pan-Americano (competição da qual saiu vencedor), em dois Torneios de Toulon, no Mundial do Brasil, numa Taça das confederações, e finalmente numa Copa América. Destaca-se ainda a conquista da Liga Mexicana, onde foi considerado o melhor jovem da competição. Todos estes resultados provam que Diego é indiscutivelmente uma grande aposta no seu país de origem, o México.

Na sua primeira temporada ao serviço do FC Porto, Reyes realizou um total de trinta e dois jogos, a dividir pelas diferentes competições – cinco na Primeira Liga Portuguesa, cinco na Taça de Portugal, quatro na Liga Europa e dezoito na Liga de Honra. Tudo indicava que, após um ano de aprendizagem e evolução, a segunda temporada no Dragão iria ser de afirmação e de presença na equipa principal. Todavia, até agora isso não sucedeu. Reyes leva até ao momento apenas oito jogos disputados: um na Primeira Liga, um na Liga dos Campeões e seis na liga secundáia. Porém, este escasso número de jogos disputados não impede as sucessivas chamadas à seleção azteca. Miguel Herrera, selecionador mexicano, tem dado a entender que aposta no jovem jogador, ainda que a sua presença na selecção, só por si, não conduza à aprendizagem. Por conseguinte, foi claro ao afirmar que Diego tem de jogar ativamente, para que possa crescer e evoluir como jogador e não apenas ocasionalmente. Nesta última jornada de seleções nacionais, muitos países aproveitaram a ocasião para disputar alguns jogos particulares, não tendo o México fugido à regra. Os mexicanos participaram em dois encontros, um com a Holanda e outro com Bielorrússia, tendo Diego sido opção em ambos os encontros.

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Reyes e Maicon: lado a lado na foto e na luta por um lugar no eixo defensivo portista
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

No jogo contra a “laranja mecânica” o jogador do FC Porto foi utilizado numa posição diferente daquela em que habitualmente joga no FC Porto, tendo jogado como trinco/médio defensivo. No América (clube) do México por várias vezes e, inclusive, no Porto numa ou outra ocasião, Reyes ocupou essa posição. Os adeptos que estiveram atentos ao jogo viram Reyes e puderam constatar que este jogador teve um bom desempenho, mais confiante e com muito poucas falhas. Para além disso, na antevisão do jogo diante da Bielorrússia, Miguel Herrera enviou uma mensagem a Lopetegui: “Diego mostrou ao treinador dele que está pronto para ser utilizado a qualquer momento. Defrontou uma das melhores seleções a nível mundial, como é o caso da Holanda, e fez uma exibição fantástica”. Também Manuel Lapuente, que treinou Reyes no América, fez declarações curiosas sobre o jovem jogador do Porto: “este jovem é um Xabi Alonso, um Sergio Busquets ou um Toni Kroos em potência. Como defesa não tem tanto as qualidades de que gosto, mas no um para um, pelo contrário, tem uma proteção enorme ofensiva, é um tipo que vai ao ataque do adversário com facilidade”.

Em boa verdade, como defesa central, Reyes por diversas ocasiões demonstrou ser irregular: é capaz de fazer uma exibição muito boa, mas a qualquer momento ter a infelicidade de cometer uma grande penalidade ou de assinar um erro que origine o perigo para a baliza azul e branca, dados que na pré-época foram evidentes para Lopetegui. Uma vez que já no Football Manager (simulador mais realista de treino e gestão futebolísticas) se destaca com o avançar das temporadas como uma das grandes figuras mundiais enquanto trinco, será que também na realidade se irá tornar numa estrela? Esta será uma possibilidade que, caso Lopetegui aceite o conselho de outros dois treinadores que o conhecem na perfeição, terá de explorar. Todavia, a concorrência é dupla: Ruben Neves (recentemente considerado um dos melhores jogadores sub18 do Mundo) e Casemiro, que, apesar de muito criticado, começa a ganhar o seu lugar cativo no onze do FC Porto e, surpreendentemente, um lugar entre os principais jogadores da seleção brasileira.

Deste modo, a tarefa de Reyes não se adivinha fácil, seja para jogar a defesa central, seja para atuar como médio defensivo. Talvez um empréstimo a um clube da Primeira Liga fosse uma boa solução para possibilitar o seu crescimento e para mostrar a Lopetegui e aos portistas o motivo que levou ao investimento no seu passe. Atuar pela equipa B parece já insuficiente para este internacional mexicano e fazer jogos ocasionais na Primeira Liga em nada ajudará ao desenvolvimento das suas capacidades. O empréstimo, se suceder, só será possível em Janeiro. Será que até lá Lopetegui deve dar uma oportunidade ao jogador? Ou será que só quando este jogador brilhar em campos vizinhos o treinador verá a estrela que “perdeu”? Pelas indicações dos seus antigos treinadores, é certo que sim. Veremos o que o futuro lhe reserva!

Foto de capa: flickr.com

João Luís Martins
João Luís Martins
Sócio do FC Porto desde o dia em que nasceu, é apaixonado por desporto e treinador de futebol.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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