Foi logo no início do mercado de transferências que o presidente André Villas-Boas e o FC Porto conseguiu com mais um golpe de asa. Em segredo, tal como já tinha acontecido com Luuk de Jong, conseguiu recrutar o defesa central internacional brasileiro Thiago Silva, o que pode valer muitos dividendos aos dragões.
O central brasileiro de 41 anos estava já numa pré-reforma no Fluminense, clube onde começou a carreira, mas decidiu aceitar o desafio do FC Porto para voltar à Europa. Depois de passar por alguns dos clubes mais poderosos da Europa, como o Milan AC, PSG e o Chelsea onde ganhou tudo o que havia para ganhar tanto a nível europeu como a nível mundial, Thiago Silva regressou ao Velho Continente. A nível de títulos, talvez só lhe tenha faltado o título mundial de seleções pelo Brasil, onde chegou a ser capitão de equipa durante alguns anos.


O curioso desta história é que se trata de um regresso de Thiago Silva à cidade Invicta onde integrou a equipa B do Porto na época de 2003/04, quando chegou com 20 anos, equipa na altura orientada por Domingos Paciência onde realizou 14 jogos.
Mas em Janeiro de 2004 foi emprestado ao Dínamo de Moscovo onde viveu um dos maiores pesadelos da sua vida. Os primeiros sintomas revelaram-se ainda no FC Porto, mas é na Rússia que lhe é diagnosticada uma tuberculose grave que quase lhe terminaria a carreira precocemente.
Entretanto, Thiago Silva e a família permaneceram seis meses na Rússia onde não aceitaram a cirurgia que envolveria a retirada de parte do pulmão e decidiram regressar a Portugal onde finalmente foi tratado e devidamente recuperado para o futebol.
Seguiu-se o regresso ao “seu” Fluminense e o resto é história com todos os grandes clubes por onde passou, sempre com enorme sucesso.
Voltando ao tema desta crónica, penso que o internacional brasileiro é uma contratação fundamental para Francesco Farioli estabilizar o centro da defesa.
Este setor tem estado muito seguro com a dupla polaca Bednarek e Kiwior que consentiram apenas quatro golos no campeonato.
Thiago Silva vem aportar um capital de experiência que se pode revelar decisivo para o resto da época e para os desafios que o clube tem pela frente. Principalmente depois da saída de Pepe, de uma idade semelhante ao central brasileiro, o qual a equipa nomeadamente a defesa portista parecia estar de alguma maneira órfãos depois a da sua saída.


Depois da lesão grave de Nehuen Perez e da pouca experiência de Prpic no futebol europeu, os portistas necessitavam de um central experiente, com provas dadas e o defesa brasileiro foi a opção certa no momento certo. Os dragões podem experimentar outras soluções na defesa. Com a entrada de Thiago Silva para o centro da defesa, Farioli pode desviar Kiwior para o lado esquerdo da defesa, onde tem alguns jogos disputados nessa posição no Arsenal. Também as lesões mais recentes dos laterais podem compor mais facilmente o quarteto defensivo portista.
O internacional “canarinho” é um jogador para entrar de forma indiscutível no onze do Porto onde para além da experiência que já referi, a sua qualidade pode fazer a diferença também a nível internacional, na Liga Europa quando a competição apertar a nível de confrontos mais credenciados, será seguramente uma mais-valia no eixo central da defesa do FC Porto.
E essa ideia é reforçada pelo facto de, no estágio de quatro dias que os dragões fizeram no Algarve, Thiago Silva apresentou-se aparentemente em boa forma e pronto para jogar imediatamente – como aconteceu contra o Benfica para Taça – o que é uma excelente notícia para o técnico italiano.
Realmente o futebol tem destas coisas curiosas e o central brasileiro, muito provavelmente já sem contar voltar ao FC Porto 20 anos depois, irá provavelmente para terminar a carreira e tentará conquistar os títulos que lhe faltaram na primeira passagem fugaz pelos dragões, agora na equipa principal. E parece que motivação e ambição não lhe parecem faltar…

