A olhar também se aprende

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Terminou este domingo mais uma época desportiva a nível nacional. Recolheram-se os cartuchos de uma temporada pintada de vermelho, com um triplete que deixou a equipa de Jorge Jesus na história do futebol português. Quanto ao FC Porto, recolhem-se as tristezas de uma época recheada de desaires e desilusões, onde constantes erros fizeram com que o clube nada ganhasse em 2014.

Com o final da temporada chegam as notícias de um novo treinador, de novos jogadores, mas sobretudo de uma nova atitude perante uma época que terá de ser novamente de conquistas. Contudo, à semelhança do que acontecia quando o FC Porto ganhava os campeonatos e se dizia que por isso partia à frente nas temporadas seguintes, acredito que quem foi campeão parte à frente para a próxima temporada. Depois de uma temporada onde o FC Porto ficou a zero, parece claro que algo terá de mudar nas hostes azuis e brancas.

Os últimos dias, para além da notícia da chegada de Julen Lopetegui, trouxeram imensos rumores sobre nomes de possíveis reforços, desde Ricardo, guarda-redes da Académica, até Evandro, passando por Opare, Raúl Jimenez, entre outros. Admito que este tipo de notícias não é coisa que me surpreenda. Depois de uma época onde a falta de qualidade de alguns jogadores foi tão evidente, parece lógico ao comum adepto que o FC Porto tem de ir ao mercado, seja em Portugal ou no estrangeiro. Ao olhar para o plantel da equipa portista, parece claro que, olhando para trás, facilmente se conclui que um dos motivos para 2013/14 ter corrido tão mal foi o péssimo planeamento que a época desportiva teve ao nível do plantel. Num clube habituado a ganhar, e onde o orçamento ao que se sabe ronda os 100 milhões de euros, é impensável que não exista um lateral que substitua Danilo e Alex Sandro, que não exista um trinco que faça a rotação com Fernando, que não exista um n.º8 com capacidade superlativa de colocar o jogo numa outra dimensão e que não haja mais um ou dois extremos de qualidade para rivalizar com Quaresma e Varela.

Mangala, Alex Sandro e Fernando são alguns dos mais valiosos activos no Dragão  Fonte: lancenet.com.br
Mangala, Alex Sandro e Fernando são alguns dos mais valiosos activos no Dragão
Fonte: lancenet.com.br

Por tudo isto, não me admiro se até ao início do campeonato ouvir falar de mais 40 ou 50 jogadores a caminho do Dragão. Porém, parece-me claro que a escolha de Lopetegui para comandar os destinos da equipa principal na próxima temporada já nos remete para uma linha de contratações. O historial do técnico espanhol, que como é sabido conquistou os maiores êxitos da sua carreira enquanto treinador das seleções jovens espanholas, faz com que pareça claro que a estrutura portista quer ter e ver sangue novo no relvado do Dragão. Por essa razão, não é de estranhar que já surjam notícias e rumores nas redes sociais que apontam para nomes como Camacho, Suso, Moreno, Tello ou Morata como possíveis reforços para a equipa portista para a próxima época.

Como não conheço em pormenor o estado das finanças do clube, não consigo dizer se este tipo de jogador, já com alguns créditos firmados na Europa, é possível para os cofres do Dragão. Admito também que para alguns adeptos seja incompreensível o porquê de se querer ir buscar alguns destes jogadores ao estrangeiro quando a formação portista continua a lançar bons atletas, sendo o exemplo mais notório o segundo lugar alcançado na II Liga.

Como na maior parte das discussões, há sempre defensores das duas teorias e, por essa razão, opto por não escolher qualquer um dos lados, pois acredito que cada prato da balança tem os seus prós e os seus contras. Ainda assim, permito-me dizer que, depois de uma época de tantos fracassos, acredito que a vinda de jogadores sem grande experiência possa ser uma solução arriscada. Apesar da inegável qualidade de grande parte dos jogadores que atrás mencionei, a estrutura portista deve pensar duas vezes na estratégia que deve adotar. Isto porque, depois de uma época onde os adeptos portistas viram os outros a ganhar, uma segunda época de fracassos não passará sequer pela cabeça de todos os que gostam deste clube.

Com um campeonato pela frente e um play-off da Liga dos Campeões decisivo para a planificação da temporada, acreditar que um sem número de jogadores com qualidade mas sem experiência podem trazer de novo o caminho das vitórias pode ser perigoso para um clube habituado a ganhar. Ainda assim, e porque a época finalmente chegou ao fim, as desilusões já foram todas recolhidas e das cinzas já finalmente aparece uma nova alma para a época que se avizinha. Para isso, a estratégia terá de ser bem pensada e todas as contratações que existirem devem ser feitas com inteligência porque, olhando para Espanha e para o sucesso do Atlético de Madrid, percebe-se que nem sempre ter os melhores soldados é sinónimo de se ganhar a guerra.

Redação BnR
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