A Perdição dos Intocáveis

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Uma semana depois chegou o domingo, dia que tenho no “Bola na Rede” para explicar, em poucas linhas, a minha visão sobre a atualidade do FC Porto. Um privilégio, pois claro, que se torna ainda maior, na minha visão, no estado atual das coisas. Até pode parecer um contrassenso, mas não é.

Como já expliquei em textos anteriores, escrever num só texto todos os problemas desta equipa de Paulo Fonseca é curto, muito curto. Por essa razão, tenho optado por fazê-lo em partes, e, nesta semana, pareceu-me relevante falar da “perdição dos intocáveis”. Eu sei que este até podia ser um título de um bestseller mundial, mas não: é um traço de um quadro que parece cada vez mais cinzento pelos lados do Dragão.

No passado domingo, escrevi aqui maravilhas sobre a segunda parte do Porto e sobre aquilo que achei ter sido uma mudança no pensamento de Fonseca quanto ao meio campo do FC Porto. Voltando o filme atrás e vendo aquele 1+2 no meio campo portista, talvez o pensamento de que a equipa tinha mudado tenha sido só mesmo algo que quis à força meter na minha cabeça. Lá no fundo, sabia que esta perdição ia voltar. E voltou, na passada quarta-feira, em Madrid: bem sei que me podem falar das quatro bolas nos ferros, do golo idiota de Raúl Garcia ou do penalti falhado de Josué, que podia ter dado na altura o 1-1. Podem-me falar do facto de o Porto só ter feito um ponto em casa ou até de ter acabado a fase de grupos com os mesmos pontos do “colosso” Áustria de Viena. Mas não é por isso que vos escrevo hoje: a razão é diferente, e tem a ver com os intocáveis no futebol.

Josué falhou um penálti contra o Atlético de Madrid Fonte:www.abola.pt
Josué falhou um penálti contra o Atlético de Madrid
Fonte:www.abola.pt

Basta olhar para a direita e perceber que por Espanha a época passada trouxe uma mudança de paradigma no Real Madrid: José Mourinho “encostou” Casillas, o eterno guarda-redes dos madridistas, no banco. Um escândalo, disseram uns; um toque de arrogância, disseram outros, quando comentando a atitude de Mou. Uns meses mais tarde, Casillas passou a número 2 até na seleção espanhola, passando Valdés, ainda que por meros jogos, a ser o dono das redes dos campeões mundiais. Estranho como tudo muda em tão pouco tempo, não acha? O que é facto é que, passado todo este tempo, Ancellotti tornou-se treinador do Real, mas do banco Casillas não saiu. Diego Lopez afirmou-se como um grande guarda-redes, e agora Iker já só “calça” na Champions.

Bom, acho que, depois deste parágrafo, já deve ter percebido a mensagem que quero transmitir. Longe de mim ser injusto e sobretudo ingrato, porque acho que é o pior que se pode fazer no futebol. Longe de mim acusar os “Intocáveis” do FC Porto do fracasso tático que é Paulo Fonseca, ou dos golos falhados jogo após jogo. Mas no que diz respeito a isto, permita-me que diga que estes “intocáveis” são talvez a primeira face do descalabro que tem sido a época azul e branca. Olhando para Helton e Lucho já não se vê aquela raça, aquele querer e aquela liderança que enchiam um campo e juntavam um balneário. Infelizmente, e acho que este é o pior insulto que posso ter para com eles os dois, agora estes “intocáveis” parecem ser apenas mais dois no marasmo portista. Seja em golos por culpa própria ou num ritmo de jogo muito baixo, talvez fosse melhor dar um passo atrás para se poder voltar a dar dois à frente. Não tenho dúvidas de que quer um quer outro ainda têm muito para dar à plateia azul e branca, e para voltarem a ser aquilo que sempre foram. O importante é não ter medo da sucessão e de se deixarem substituir, porque, afinal de contas, isso é também sinónimo de honestidade e grandeza. Entre rostos tristes e uma equipa amorfa, esta “perdição dos intocáveis” é terrível. E os adeptos também o sentem.

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