A rotação que começa a dar frutos

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Das críticas aos elogios: este é o dia-a-dia dos treinadores de futebol. Temos o exemplo maior de Jorge Jesus, que há dois anos era odiado por grande parte da massa adepta do Benfica – depois de ser campeão de forma fantástica, surpreendendo tudo e todos com um sistema 1-4-1-3-2 que se veio a provar não ter resultados na Europa – e hoje em dia é o “rei da Luz” (não tirando o título de “King” ao enorme Eusébio), “mestre da táctica” ou “formador de jogadores”.

O mesmo começa a acontecer com o timoneiro dos Dragões, Lopetegui. Aos poucos, a tão criticada rotação de plantel do espanhol começa a dar resultados. Temos presenciado exibições de luxo e todos os jogadores que entram em campo têm apresentado qualidade: até Evandro, jogador que num texto anterior considerei dispensável, tem dado ares de sua graça nestes últimos dois jogos. A continuar assim, não tenho dúvidas de que aparecerão com mais frequência jogadores como Gonçalo Paciência ou Ivo Rodrigues (estes os mais prováveis) e que não seja de estranhar a inclusão de Rafa (defesa-esquerdo), Kayembe (lateral/extremo esquerdo), Tomas Podstawski (médio centro) ou André Silva (avançado), isto sabendo que o jovem Mikel Ogu recupera a passos largos de uma grave lesão (fractura na tíbia) contraída no primeiro treino da época.

Tudo isto me deixa muito satisfeito, pois a “Barcelonização” que Lopetegui fomentou no reino do Dragão parece ter chegado ao ponto de estabilidade e, sinceramente, duvido que “este” Porto perca algum jogo para o campeonato até final da época, salvo algum “dia não” (que todos têm) ou as diversas arbitragens que, na dúvida, têm prejudicado os homens da Invicta e beneficiado “outros”, de forma clara e objectiva. Mas não entro por ai, falta muito e as arbitragens não explicam tudo…

A primeira defesa de Helton após 9 meses de paragem  Fonte: Facebook do FC Porto
A primeira defesa de Helton após 10 meses de paragem
Fonte: Facebook do FC Porto

Voltando ao assunto inicial, temos visto sobretudo soluções, coisa que em planteis anteriores (por exemplo, o de Vitor Pereira) não víamos… Neste Porto temos Campaña (que belo jogador!), Angel, Marcano, Reyes, Rúben Neves, Evandro, Ivo Rodrigues, Gonçalo Paciência (que se diz ir “rodar” para o Arouca até final da época) e Aboubakar, enquanto antigamente tínhamos Abdoulaye, Defour, Kelvin, Tozé ou “1/3” de Liedson… As diferenças falam por si!

Este plantel dá garantias de sucesso, a menos que algo de “sobrenatural” aconteça. Num texto anterior (quando se contestava a continuidade de Lopetegui) disse que teríamos de esperar até Dezembro para que o plantel se adaptasse ao estilo de jogo imposto pelo espanhol e começasse a “carburar”. Parece que não me enganei… Uma equipa nova demora a ser construída. Os processos e as rotinas de jogo não se adquirem de um dia para outro, muito menos quando temos uma equipa praticamente nova, com jogadores vindos de equipas com estilos de jogo completamente diferentes.

Continuo a achar Lopetegui o homem certo no lugar certo, a escolha do meu presidente e por isso a pessoa em quem devo confiar para levar o meu Porto a bom porto…

Por outro lado, não posso deixar de referir o regresso de Helton aos relvados: o guardião com quase 10 anos de Dragão ao peito é o porta-estandarte da equipa e um elemento que tem tudo para chegar, ver e… jogar! Dentro deste estilo de jogo portista, onde a bola passa sucessivamente pelo “número 1”, não temos nenhum guarda-redes com a qualidade técnica de Helton, e já se viu que Fabiano, tendo imensa qualidade dentro dos postes, tem no jogo de pés o seu ponto fraco. Não é, por isso, de estranhar que dentro em breve vejamos o veterano guarda-redes a assumir novamente a baliza portista, coisa que me deixaria extremamente satisfeito (sou um fã de Helton, confesso)!

Helton e Rúben Neves marcam duas gerações diferentes dos Dragões  Fonte: Facebook do FC Porto
Helton e Rúben Neves marcam duas gerações diferentes dos Dragões
Fonte: Facebook do FC Porto

Estou habituado a ver personalidade nas equipas do Porto, com jogadores que marcam as diversas “eras” dos azuis-e-brancos. Neste plantel temos três: Helton, Quaresma e Rúben Neves, que marca a “nova era” azul-e-branca, jogador que será de topo e de classe muito acima da média. Dá-me gosto ver uma equipa assim, onde a restruturação não corta com tudo aquilo que de bom foi feito até então, apenas melhora o que de mal estava.

Não sendo um “lunático”, acredito plenamente que este Porto me dará muitas alegrias, e com “muitas alegrias” não digo que sejamos campeões este ano (embora pense seriamente que será). A equipa está a ser construída para um futuro que se adivinha brilhante.

Continua, Lopetegui!

Redação BnR
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